Violência Policial no ato Fora Arruda from Raul Cardoso on Vimeo.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
A ditadura do Arruda: coronel agride jovem com socos
Neste vídeo, uma pequena amostra da violência policial empreendida contra os manifestantes que foram às ruas, na quarta-feira (9), pedir o impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e a punição de todos os envolvidos no grande esquema de corrupção, revelado pela Polícia Federal na operação Caixa de Pandora.
As imagens mostram o ex-aluno da Universidade de Brasília (UNB) José Ricardo Padilha sendo agredido violentamente pelo coronel Silva Filho. Notem que a ação violenta partiu primeiramente do coronel, isso porque Zé Ricardo, como é chamado pelos conhecidos, expressou sua opinião sobre o trabalho dos policiais. Ainda que ela tenha sido um “desacato a autoridade”, Silva Filho não deveria ter partido para cima do jovem com socos, afinal, isso é “abuso de autoridade” e “crime de lesão corporal”.
De acordo com a equipe da Agência de Notícias da UNB, autora das imagens, Zé Ricardo foi agredido novamente, enquanto estava preso. Amigo leitor, qualquer semelhança com a ditadura não é mera coincidência.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Protesto e repressão no centro de Brasília
Compareci ao protesto realizado nesta quarta-feira, 9 de dezembro de 2009, em frente ao Palácio do Buriti. Marcada para as 10h, o ato foi bastante pontual. Os manifestantes se concentraram numa praça, próxima ao prédio da ex-sede do Governo do Distrito Federal (GDF). Desde que o governador José Roberto Arruda (DEM) assumiu o poder, o centro administrativo do DF fica em Taguatinga. Quem ocupa as salas do Palácio do Buriti é a presidência da República, pois o Palácio do Planalto está em reforma. Mesmo assim, o protesto foi bastante simbólico e importante para marcar o início da queda de Arruda, do vice-governador Paulo Otávio (DEM), e de todos os demais prováveis envolvidos no esquema de corrupção, revelado pela operação Caixa de Pandora.
Com o céu cheio de nuvens e, de vez em quando, calor e sol forte, o ato teve início com os discursos de políticos e representantes das entidades que compõem o “Movimento Contra a Corrupção” – inclusive os aguerridos integrantes do movimento “Fora Arruda e Toda Máfia”, que ocupou até esta terça-feira (8) a Câmara Legislativa.
Por ser composto por diversos segmentos da sociedade, o “Movimento Contra a Corrupção” não teve um líder, ou um chefe, que determinasse o que era, ou não, permitido fazer. As decisões foram sempre tomadas pela maioria. E a maioria decidiu obstruir o Eixo Monumental, no sentido Rodoviária – Palácio do Buriti. “Esta não é a orientação do Movimento”, bradaram de cima do trio elétrico. Não adiantou nada.
Mas... diante a atual situação, em que os três poderes do Distrito Federal podem estar envolvidos num grande esquema de cobrança de propina, compra de parlamentares, caixa dois na campanha eleitoral, dentre outros crimes, quem tem autoridade para dizer o que pode ou não ser feito? A polícia? A polícia não tem legitimidade de impedir protestos como o que foi realizado nesta quarta-feira, porque ela é controlada pelo Governo do Distrito Federal. Não é independente, portanto. Sempre atenderá as ordens do governador. Se depender dela, Arruda, e companhia, permanecerão no poder, ainda que imagens de maços de dinheiros de propina sendo colocadas em cuecas, meias, bolsas e sacolas circulem nas televisões do Brasil e do mundo inteiro.
Portanto, se houve feridos e confronto com a polícia, a culpa é do governador que, em posse da máquina administrativa, usou a repressão do Estado, na forma da tropa de choque da Polícia Militar.
O protesto não poderia ficar na peleguice. Os manifestantes não poderiam ficar apenas ouvindo discurso, isso é cordeirisse de mais. É preciso de intervenção urbana, afinal, numa democracia, da onde mesmo emana o poder? De acordo com a Constituição de 1988, o poder vem do povo para o povo. E se o povo vai às ruas, desarmado, carregando apenas sua indignação, não pode ser recebido por policiais armados com cassetetes, bombas de gás, armas com bala de borracha, viaturas, cavalos, cachorros, motos e até helicópteros – havia dois! Parece até que não há democracia.
Por quatros vezes houve obstrução de vias do Eixo Monumental, durante o ato de protesto. A primeira aconteceu no sentido Rodoviária – Palácio do Buriti. A segunda foi em outra pista, sentido Tribunal de Justiça do DF – Rodoviária. Na primeira, houve apenas o pedido da polícia para os manifestantes saírem da via, mas na segunda obstrução o clima ficou mais tenso.
Montados em cavalos gordos, fortes e bem tratados, os policiais deram o início a agressão aos manifestantes. Empunhando cassetetes, eles vieram de encontro aos cidadãos, mulheres e homens, jovens e adolescentes, desarmados, com apenas a cara e a indignação. Mas a repressão do governador Arruda, materializada na polícia, não foi o bastante para coibir os manifestantes, que se reuniram e deliberaram desobstruir a via e seguir, pacificamente, pelo gramado até a Rodoviária.
A cavalaria da polícia militar e o batalhão de choque, contudo, não se deram satisfeitos e seguiram os manifestantes, atirando bombas de gás e balas de borracha, sem dar escolha para eles, se não invadir novamente a pista com sentido Rodoviária – Palácio do Buriti.
Bradando, dentre outras frases, “Arruda na papuda [um presídio do DF]. PO no xilindró” os ativistas caminharam entre os carros. Muitos motoristas manifestaram apoio, buzinando e mostrando panfletos, ou adesivos, com os dizeres “Forra Arruda”.
A polícia bloqueou a passagem dos carros para poder agredir, com mais comodidade, os cidadãos revoltados. Foi o momento que eles atiraram novamente balas de borracha e lançaram bombas de gás. A ação obrigou os manifestantes a retomarem a ocupação da via que passa em frente ao Tribunal de Justiça do DF.
Na quarta, e última, obstrução de via, a cavalaria da polícia não teve escrúpulos e partiu, mais agressivos ainda, para cima, ferindo alguns destemidos protestantes (veja acima a foto de Roosewelt Pinheiro/ABr). Houve, em seguida, até prisões de participantes do ato.
O protesto ficou fraco. Foi o momento dos manifestantes recuarem e traçarem uma nova estratégia. Além da carreata já agendada para as 9h deste sábado (12), haverá reunião nesta quinta-feira (10) e, no dia seguinte (sexta-feira, 11), carnaval fora de época, às 18h, na Rodoviária do Plano Piloto. Afinal, este foi apenas mais um dos inúmeros protestos contra a corrupção no Distrito Federal.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Roriz e Abadia podem ter usufruídos bens e serviços pagos com dinheiro arrecadado por Arruda
A punição por causa do esquema de corrupção revelado com a abertura da Caixa de Pandora não poderá se restringir ao governador do Distrito Federal (DEM), José Roberto Arruda (DEM), seu vice Paulo Otávio (DEM), os deputados distritais e empresários. Além das informações já divulgadas pela imprensa, há outros indícios de que o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) e sua ex-vice Maria de Lourdes Abadia (PSDB) também teriam se beneficiados com o dinheiro arrecado por Arruda.
Conforme trecho de depoimento de Durval Barbosa, autor das denúncias que deram origem a operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, Joaquim Roriz e Maria de Lourdes teriam se beneficiados de um escritório com “infra-estrutura de comunicação, tecnologia da informação, advocacia e call center, além de apoio logístico para funcionamento”, montado pelo governador Arruda. O escritório teria sido usado na campanha de Roriz ao Senado e de Abadia ao Governo do Distrito Federal (GDF), de acordo com o depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, Durval Barbosa.
O depoimento foi prestado ao Ministério Público do DF (MPDFT) em 16 de setembro de 2009, conforme o inquérito da operação Caixa de Pandora da Polícia Federal (ver a 15ª página do volume I do inquérito).
De acordo com o depoimento de Durval, logo após a vitória de Roriz na eleição para governador em 2002, Arruda, então deputado federal, teria o procurado para pedir apoio para a eleição seguinte de governador. O apoio, segundo o depoimento, foi dado depois da autorização do ex-governador.
Na época, Durval Barbosa presidia a Companhia de Desenvolvimento do DF (Codeplan), um dos órgãos que Arruda teria escolhido, diz o texto, “para administrar seus negócios, com a finalidade de arrecadar recursos para a campanha de 2006”.
Depois de receber o apoio de Durval, Arruda teria montado o escritório. “Foram reformadas cinco salas do quinto andar do Shopping Liberty Mall, onde funcionava o Jornal do Brasil, ficando lá por vários meses com toda infra-estrutura de comunicação, tecnologia da informação, advocacia e call center, além de apoio logístico para funcionamento de toda essa gama de estruturação”, descreve o documento, que mais adiante revela: “mais tarde aquele escritório foi cedido à Assessoria da Campanha de Roriz ao Senado, passando também à candidatura de Maria de Lourdes Abadia ao Governo do DF”.
domingo, 6 de dezembro de 2009
A semana será marcada por mais protestos contra a corrupção no DF
A indignação e a vergonha por causa do grande esquema de corrupção, envolvendo membros dos três poderes do Distrito Federal (DF), não podem ficar apenas no discurso. É preciso ir às ruas e exigir a punição de todos os envolvidos. Convido, portanto, todos os meus leitores a participar de um grande protesto em frente ao Palácio do Buriti, que fica no Eixo Monumental do Plano Piloto (Brasília). A manifestação acontecerá às 10h desta quarta-feira, 9 de dezembro.
Quem está à frente deste ato é o “Movimento Contra a Corrupção”, composto por representantes de várias instituições da sociedade. Desde quarta-feira (2) passada, o Movimento realiza protestos pela cidade. O primeiro foi na Câmara Legislativa, onde foi criado o movimento “Fora Arruda e Toda Máfia!”, que resiste até hoje, acampado no prédio da Casa do Povo para pressionar o andamento dos trabalhos, senão o panetone vira pizza.
Também na semana passada, mais precisamente na sexta-feira (4), o “Movimento Contra a Corrupção” realizou um ato de desagravo aos trabalhadores da Companhia de Desenvolvimento do Distrito Federal (Codeplan). Em 2007, a Companhia foi ameaçada de ser fechada pelo governador José Roberto Arruda (DEM), que alegou ineficiência da Codeplan. No início do mandato de Arruda, Durval Barbosa, autor das denúncias sobre o grande esquema de corrupção, deixou o cargo de presidente da Companhia para ocupar a recém criada Assessoria Especial da Governadoria do Distrito Federal. Na época, 551 servidores da Codeplan correram o risco de ficarem desempregados.
Neste sábado (5) e domingo (6), o “Movimento Contra a Corrupção” distribuiu panfletos nas feiras livres do Guará, Sobradinho, Planaltina, Samambaia, Taguatinga, Gama, Ceilandia, Torre de TV, Parque da Cidade e Estrutural. Houve a coleta de assinaturas para o pedido de afastamento imediato do governador Arruda e do seu vice Paulo Otávio (DEM).
Além do protesto de quarta-feira (9), o Movimento fará no próximo sábado (12) uma carreata. O percurso ainda não foi definido, mas a concentração será no estádio Mané Garrincha, às 9h.
Na próxima semana, está prevista ainda a entrega de mais um pedido de impeachment do governador e de seu vice. A seção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF preferiu esperar o apoio formal da OAB nacional, isso porque a entidade protocolaria o documento na sexta-feira (4). Agora, a previsão é da OAB-DF entregar o pedido nesta segunda-feira (7).
sábado, 5 de dezembro de 2009
Desabafo de um morador do Distrito Federal
Moro no Distrito Federal (DF) e me sinto envergonhado. Tenho vergonha do atual Governo do DF. Tenho vergonha dos deputados distritais da Câmara Legislativa. Tenho vergonha dos Tribunais do DF. A impressão que tenho é de não viver numa democracia, aliás, não vivo numa democracia. Sou manipulado por canalhas que não têm vergonha na cara de aparecer na televisão para justificar o injustificável. Sou escravo de pilantras que nas eleições pedem meu voto dizendo que trabalharão por mim e pela minha cidade, quando na verdade estão apenas querendo se eleger para se enriquecer com o dinheiro público.
Amigo leitor, estou revoltado e indignado com a corrupção e com a impunidade deste país. Confesso que, no primeiro turno das eleições passadas, simplesmente anulei o meu voto para todos os candidatos. No segundo turno, votei para o presidente Lula, pois tive medo de gente pior governar este país. Foi a primeira eleição que votei. Sinto-me sem opção diante dos ladrões que se apresentam como candidatos. Sinto-me impotente, quero dizer, não sei o que posso fazer para reverter a atual realidade, onde pessoas estúpidas e ignorantes depositam sua confiança em canalhas no ano eleitoral. Veja o caso do DF. Corruptos podem ficar impunes e ainda se reelegerem em 2010. Não é preciso nem citar nomes.
Enquanto faltavam nos hospitais gesso, algodão e diversos remédios, milhões de reais eram desviados dos contratos de empresas prestadoras de serviço da Secretaria de Saúde. Com as informações da investigação da recente operação da Polícia Federal, agora está claro porque a saúde pública estava, e ainda está, um caos no DF. E quem comandava a Secretaria era um político (Augusto Carvalho, do PPS) que se diz socialista e é ligado a um site (Contas Abertas) que se diz fiscal do dinheiro público.
O pior de tudo é que nada pode acontecer. Os pedidos de impeachment do governador José Roberto Arruda (DEM) e de seu vice Paulo Otávio (DEM) serão julgados por pessoas que deveriam estar atrás das grades.
A estratégia dos corruptos é enrolar, deixar o tempo passar, até o babaca do povo se envolver com as festas de fim de ano, com o carnaval e com a copa do mundo e se esquecer dos fatos podres da política local.
Amigo leitor, desculpe pelas palavras torpes e revoltadas, mas eu, morador do DF, precisava fazer este desabafo.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Fora, Arruda!!!
Esta bela foto tirada por Fabio Rodrigues Pozzebom, da Agência Brasil, fala por si só. O fotografo a fez na noite desta quinta-feira (3), durante a vigília promovida pelo movimento “Fora Arruda e Toda Máfia!”
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
“Traga sua vela, sua família e sua fé numa outra política”
Movimento “Fora Arruda e Toda Máfia!” realiza vigília na Câmara Legislativa
Este vídeo foi postado no blog do movimento “Fora Arruda e Toda Máfia!”. As entrevistas de participantes do protesto refletem o sentimento não apenas dos moradores do Distrito Federal, mas de todos os brasileiros. O escândalo de corrupção protagonizado pelo governador José Roberto Arruda (DEM) fere, ainda mais, a reputação dos políticos em geral e põe em questão a seriedade da democracia brasileira. Os culpados, portanto, não podem ficar impunes. Mas a pena só será aplicada se a sociedade for às ruas e exigir, pois, por eles, o panetone vira pizza. O “Fora Arruda e Toda Máfia!” realizará, às 18h desta quinta-feira (3), uma vigília na Câmara Legislativa. “Traga sua vela, sua família e sua fé numa outra política”, convida o movimento que é formado por diversos segmentos da sociedade.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
O povo vai às ruas e exige a saída de Arruda
É mais um pilar de sustentação do governador que cai por terra
Caiu nesta quarta-feira (2) mais um dos pilares de sustentação do governador do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda (DEM). O povo, quero dizer, a sociedade civil organizada se reuniu na Câmara Legislativa para exercer o seu direito, garantido pela Constituição Federal. Na ocasião, foi entregue um, dos seis, pedidos de impeachment do governador e do vice Paulo Otávio (DEM). Por estar muito tempo distante, teve gente que não reconheceu o verdadeiro dono da Casa, por isso, foi preciso um pouco de truculência – uma porta de vidro e algumas coisas se quebraram. Este foi somente o segundo dos 10 dias mais longos da vida de Arruda e do Democratas.
Os pilares de sustentação de Arruda, e de qualquer governante de uma democracia, são o apoio do povo, o amparo legal da justiça e, principalmente, os aliados políticos. O primeiro pilar a cair por terra foi o amparo legal da justiça, em 27 de novembro, quando a Polícia Federal iniciou a operação Caixa de Pandora e o Jornal Nacional escancarou, para todo Brasil, o conteúdo da investigação (não foi um furo do telejornal, mas foi o primeiro a dar o devido destaque para o assunto). Com as revelações, há crimes condenáveis pela justiça, o que faz o governador perder o amparo legal para permanecer no poder. A imagem de Arruda recebendo o maço de dinheiro, supostamente oriundo de propina, não será esquecida tão cedo.
O segundo pilar caiu nesta quarta. Trata-se do apoio popular. Com o protesto realizado na Câmara Distrital, ficou claro que Arruda não tem mais ao seu lado a sociedade – pelo menos boa parte dela.
O terceiro pilar começou a ruir e cairá de vez na próxima semana, quando o Democratas expulsar Arruda do partido. Aí, tudo estará perdido para José Roberto. Ele não se sustentará mais. Enquanto isso não acontece, o pilar se espedaça. Dos 13 partidos que apoiavam o político, somente cinco ainda permanecem no governo.
A Câmara Legislativa permanece ocupada pela sociedade civil organizada, afinal, os dias longos estão apenas começando. E o movimento não terá apenas Arruda como alvo. O ex-governador Joaquim Roriz (PSC) e os deputados baratos também.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
DEM comete grave erro ao adiar a expulsão de Arruda
DEM e Arruda terão os próximos 10 dias mais longos que já viram. A previsão é de muitos protestos na Capital, sem contar os novos vídeos que podem vir à tona.
O Democratas (DEM) cometeu um grande erro ao deixar para o dia 10 de dezembro a decisão de expulsar do partido o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Os próximos 10 dias serão os mais longos do governador e do partido. O tempo será suficiente para desgastar, mais ainda, a imagem do DEM diante o seu eleitorado, o que prejudicará as pretensões dos demos para a eleição presidencial de 2010.
Até 10 de dezembro, a indignação da sociedade poderá aumentar com o surgimento de novas imagens sobre o esquema de arrecadação de propina, compra de deputados distritais e caixa dois na campanha de 2006. Até 10 de dezembro, a agenda de acontecimentos está bastante cheia.
A começar por esta quarta-feira, 2 de dezembro. Criado na segunda-feira (30), durante reunião com políticos e militantes do PT, PSB, PCdoB, PSOL, CUT, e demais entidades sindicais, o "Movimento Contra a Corrupção" realizará, às 14, na Câmara Legislativa, um ato para entregar um documento que pedirá a punição de todos os envolvidos no esquema de corrupção, o que inclui o impeachment do governador Arruda, e de seu vice, Paulo Octávio.
Na quinta-feira, 3 de dezembro, está prevista a formalização do pedido de impedimento da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), com o apoio da OAB Nacional.
Na sexta-feira, 4 de dezembro, a OAB-DF poderá entregar na Câmara Legislativa o pedido de impeachment. Há a possibilidade da entrega acontecer com manifestação.
No sábado, 5 de dezembro, representantes do PHS estão organizando, em Planaltina, uma “Carreata contra Corrupção”. A manifestação será às 15h, em frente à feira da cidade.
Para a semana seguinte, está previsto um grande ato unificado de todos os movimentos fora Arruda. O protesto acontecerá às 10h de quarta-feira, 9 de dezembro, em frente ao Palácio do Buriti.
Enfim, até 10 de dezembro, haverá muito assunto para ser noticiado pelos meios de comunicação, tanto os tradicionais, quanto os sites e blogs. E o público que mais acompanha, e entende as notícias, é a classe média. É justamente a classe média o maior eleitorado do Democratas.
Desde 2005, quando ainda se chamava Partido da Frente Liberal (PFL), o DEM começou a ganhar a simpatia da classe média com as duras críticas contra o mensalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Antes de se tornar o principal protagonista do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o partido trocou de nome para passar a impressão de modernidade, imagem que, em 2007, começou a associar com a do governador Arruda, político jovem, para a classe, e que “inovou a gestão da máquina pública” – veja vídeo acima.
No fim de 2007, ganhou de vez a simpatia das classes média, e alta, por derrubar a CPMF, imposto que afetava mais o bolso desses contribuintes do que das classes baixas.
O partido cogitava até emplacar o nome de José Roberto Arruda, como vice, na chapa do provável candidato do PSDB à presidência da República, o governador de São Paulo, José Serra.
Mas, agora, com a decisão de adiar a expulsão de Arruda do DEM, o partido joga na lama a imagem que construiu perante seu eleitorado nos últimos anos. Talvez seja uma estratégia para salvar o Democratas de eventuais denúncias de corrupção, que poderiam vir do governador do DF, conforme ameaça feita na reunião de segunda-feira, quando Arruda disse que radicalizará se houver radicalização por parte da cúpula demo.
O fato é que o DEM não fez como seu aliado, o PSDB, que, acertadamente, para não macular a campanha de Serra, determinou o afastamento de todos os integrantes do partido do governo do Distrito Federal.
Parece até que a prioridade do DEM não é o retorno à presidência do Brasil.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
O dilema do DEM e dos moradores do DF
No programa de TV do partido (vídeo acima), DEM ostentou seu único governador. Agora, se encontra num dilema: expulsar ou não Arruda.
O Democratas (DEM), partido que, em 2005, combateu o mensalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem agora mais uma oportunidade de se opor a um novo mensalão, o do Arruda.
Assim como em 2005, quando o DEM conseguiu derrubar o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o partido tem a oportunidade, e com provas bem mais concretas, de ir até as últimas consequências, chegando até a expulsar do partido o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Se não fizer isso, o esquema de corrupção deverá se chamar “mensalão do DEM”, afinal, manter o governador no partido é aceitar a corrupção praticada pelo político, o que pegaria muito mal para os demos. A sociedade ficará sabendo que o combate à corrupção realizado há pouco mais de quatro anos não passava de uma hipocrisia.
Enquanto a cúpula do DEM não toma a decisão, adiada para o final da tarde desta terça-feira, não seria conveniente chamar o crime de “mensalão de Brasília”. Coitada da cidade. Já basta o desgaste que ela sofre por causa da corrupção praticada na Esplanada, e na Praça dos Três Poderes, por políticos de outros estados. O certo mesmo é “mensalão do Arruda”.
Se Arruda for expulso, ele não poderá se candidatar à reeleição em 2010, pois o prazo de troca de partido, estabelecido pela justiça eleitoral, já acabou. Haverá outra consequência se o governador sair do DEM. O processo de impeachment terá mais gás, afinal, o próprio partido de Arruda estará reconhecendo sua culpa no esquema de cobrança de propina e compra de deputados baratos.
Os moradores do Distrito Federal também vivem um dilema. Se o pedido de impedimento da Ordem dos Advogados do Brasil for realmente formalizado na quinta-feira, quem o julgará será a Câmara Legislativa. Quer dizer, os próprios envolvidos se autojulgarão, pois a base aliada do governador Arruda é composta por 19 dos 24 distritais.
Mas, se o processo for desmembrado, e uma parte ficar com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o panetone pode virar pizza do mesmo jeito. O inquérito que investiga o “mensalão do Arruda” também cita gente do judiciário. Na verdade, os três poderes do Distrito Federal estão envolvidos no esquema.
Os moradores do DF, portanto, devem estar se perguntando: e agora? Quem poderá nos defender?
Mensalão do Arruda, ou do DEM, pode ter começado no governo Roriz
O mensalão do Arruda, ou do DEM, teria começado no governo de Joaquim Roriz (PSC), conforme reportagem do Fantástico (veja acima). A Caixa de Pandora foi aberta na sexta-feira (27) com a operação da Polícia Federal. De lá para cá, os males não param de vir à tona. E cada vez mais causam mais indignação ao morador do Distrito Federal (DF) e aos brasileiros. A impressão (?) é de que o DF é um desavergonhado antro de corrupção. Praticamente, 80% dos parlamentares da Câmara Legislativa podem estar envolvidos. Quer dizer, a Casa não tem moral, lisura ou legitimidade para tomar qualquer providência.
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