Blog do Paraíso

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Você quer continuar amando o Brasil? Então não assista.


Pirateado antes de estrear nas salas dos cinemas, o filme “Tropa de Elite” mostra o quanto nosso país está atrasado. Ainda bem que ele não foi indicado para o Oscar. Para falar a verdade, acho que está muito longe da república das bananas vencer esse prêmio (se é que é possível).

Bom. Mas o que eu quero comentar mesmo é o filme “Tropa de Elite”. Ele fala sobre o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, o Bope. Como já disse acima, o filme ainda não chegou em todas as salas de cinema do Brasil, mas eu já assisti. Não, amigo leitor. Eu não comprei nenhum DVD pirata. Peguei emprestado... Deixa pra lá. Quem sabe em outra oportunidade a gente discute sobre a pirataria.

Vamos lá de novo. O filme assume que a periferia do Rio está imersa numa guerra e que não tem mais jeito. Quero dizer, que o jeito é meter bala nos vagabundos, em quem tiver no meio, inocente ou não, e pronto! E quem são as “pessoas” mais qualificadas para isso, segundo o filme? O Bope, é claro.

Sinceramente, se você está com vergonha do país por causa das recentes sacanagens do Congresso Nacional e quer continuar sentindo orgulho de ser brasileiro, NÃO ASSISTA AO FILME.

Nada contra. Pelo contrário, acho que produções reveladoras da verdade vergonhosa deste país devem ser incentivadas. Entretanto, apesar de ser bom, acho que o “Topa de Elide” não ganharia o Oscar, pois não é uma superprodução cheia de efeitos especiais, mas, sim, um registro de uma realidade que empresários, políticos e endinheirados fingem não ver ou, até mesmo, escondem e financiam.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sobre a escolha da última charge


Gente, a charge abaixo parece não ter nada a ver com o texto “Para quem não gosta de política”. Isso porque a gravura se refere à burocracia e o artigo fala de política.

Entretanto, eu acho que existe uma ligação entre a imagem e o texto sim, pois a charge diz muito da administração pública do Brasil. E se remetermos ao significado da palavra política, veremos que a burocracia é um problema de uma má política (administração pública).

Agora, se vocês discordam, acho que podemos concordar pelo menos em uma coisa: a charge é muito engraçada.Há, há, há! Faço até questão de repeti-la.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Para quem não gosta de política


Era uma vez quatro amigos. Ocricocrides, Foca Bilota, Pinto Brochado e Zarifebarbar Daer.

Certo dia, para viverem com mais qualidade de vida e economizarem nos gastos, resolveram morar juntos. Mudaram da cidade-favela da Ceilândia para Brasília. Alugaram na W3 Sul uma quitinete por R$ 500. Zarifebarbar Daer, matemático de primeira, somou todas as despesas (aluguel, alimentação, saúde, lazer e etc). Daer concluiu que cada um tinha que contribuir, por mês, com R$ 750. O que representava 40% do salário de cada um. Entretanto, Ocricocrides perguntou para Zarifebarbar Daer: se nenhum de nós tem tempo, pois trabalhamos como condenados, quem vai cuidar dos afazeres domésticos, como o pagamento das contas? Isso mesmo, quem? Também indagou Foca Bilota. Pinto Brochado sugeriu contratar uma pessoa para isso. Mas Zarifebarbar Daer avisou que seria mais 10% da cada um para pagar o empregado. Mesmo assim, por falta de opção, todos concordaram. Contrataram Cejchua Choi Caruncho.

Cinco meses depois... Tudo estava nos conformes até que Cejchua Choi Caruncho cansou de ser honesto. Sem Ocricocrides, Foca Bilota, Pinto Brochado e Zarifebarbar Daer perceberem, Caruncho desvia R$ 30 do que seria usado para o lazer e gasta com uma prostituta. Para sorte de Caruncho, os patrões não perceberam ou não se importaram.

Três meses depois... Em vez de R$ 30, Cejchua Choi Caruncho já estava gastando com as prostitutas 90% da verba destinada para o lazer. Passou a desviar dinheiro também da saúde e da alimentação. Só que dessa vez estava sustentando o vício do álcool e algunas despesas pessoais, como a pensão de uma filha. Os patrões continuaram indiferentes. Mesmo sentindo falta do lazer, mesmo consumindo alimentos de baixa qualidade ou estragados, mesmo sentido falta de remédios e do plano de saúde que, agora, mal cobria uma consulta médica.

Amigo leitor, aonde eu quero chegar com isso?

Não se interessar ou não gostar de política é o mesmo que os amigos fazem: não se importar com o que Cejchua Choi Caruncho faz com o dinheiro deles.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Qual é o debate hoje em torno da prorrogação da CPMF?





No meu entender, o que se discute hoje na imprensa é se o governo vai conseguir ou não prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Discutem-se as dificuldades para aprová-la. Para eternizar o que seria provisório, os meios de comunicação noticiam as benesses que o governo dá aos parlamentares. E o que dá não é dele. Pertence, sim, ao povo. Trata-se de cargo público na máquina estatal ou em estatais quase falidas (pela má gestão corrupta) ou ainda em empresas governamentais de capital misto que, felizmente, estão prosperas no mercado. Está em pauta também toda politicagem que nossos representantes (deles mesmo) estão fazendo para obterem a cadeira do Senado em troca da prorrogação do imposto provisório (até que o mundo se acabe).

E por que, caro amigo, a discussão é tão banal – e chata a ponto de não nos dar vontade de acompanhar o noticiário –?

É banal porque a imprensa é uma marionete dos políticos. Não consegue se livrar do domínio da fonte oficial, pois, se fizer, pode levar um furo do concorrente.

Pois eu digo que o debate deveria ser outro. A imprensa tem que criticar e questionar a CPMF. Questionar se a prorrogação dela vai ser boa ou não para o país. Tentar mostrar ou discutir com os brasileiros as conseqüências da prorrogação. Os meios de comunicação têm que investigar para onde vai e como está sendo gastado o dinheiro arrecadado. Indagar onde deveria ser empregado.

Você sabia, leitor, que no ano passado o Governo Federal arrecadou com a CPMF R$ 32 bilhões? E para onde foram? Só o Sistema Único de Saúde recebeu 40,22%. O Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza ficou com 21,05%. A mesma porcentagem foi destinada para tapar o rombo da Presidência (aquela que ajuda os velhinhos pobres do país). E o resto da verba ficou com o Tesouro Nacional.

E aí, o que você acha? Dinheiro jogado fora? Bom. Do ano 2000 até agora, o país reduziu pela metade o número de miseráveis. Ou seja, alcançou antes do previsto (2015) uma das oito metas do milênio estabelecidas pela Organização das Nações Unidas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Enquanto isso, no país da sacanagem... A “treeleição” do molusco



Circula em algumas colunas de jornais e revistas a informação de que o Partido dos Trabalhadores, o PT, está querendo um terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT e o presidente negam e juram de pés juntos que não haverá uma “treeleição” do petista.

Entretanto, a oposição (que hoje em dia não é tão oposicionista) acha que a campanha do terceiro mandato de Lula já começou. Porém, não é explicita. De acordo com a oposição, por enquanto, as propagandas vieram em duas mensagens subliminares.

Uma foi veiculada na nova campanha institucional do Banco do Brasil que prega “Três atitudes diárias em prol da sustentabilidade do planeta”. Francamente, o planeta precisa de mais de três atitudes diárias para durar um pouquinho a mais do previsto pelos cientistas apocalípticos. Outra coisa, por que “três atitudes” e não “quatro”? Os políticos de partidos da oposição acreditam que o Banco do Brasil escolheu o número três justamente para acostumar o eleitor com o algarismo.

Bom. A outra mensagem subliminar surgiu no encerramento do III Congresso Nacional do PT deste ano. Os petistas aproveitaram o número da terceira edição e inseriram na famosa estrela do partido.

As duas mensagens subliminares parecem mais viagens causadas por efeito de drogas na oposição. Mas se você, leitor, acha que eles têm razão, pode confirmar a suspeita se uma mini-constituinte for convocada sob o pretexto de discutir uma ampla reforma política. Pois só assim será possível o presidente Lula se candidatar novamente, já que a legislação atual não permite.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Seja bem-vindo ao céu (ou país da sacanagem)


Se você tem o ensino médio, ou até mesmo uma graduação, mas mora numa periferia do Brasil, coitado! A lei pesa em suas costas como um paquiderme, além de trabalhar (se tiver emprego) quatro meses, por ano, para pagar imposto ao governo. Portanto, ande na linha.

Se você se ver obrigado pelo desemprego a roubar para não morrer de fone, nem pense em furtar, por exemplo, uma manteiga! Pois, antes mesmo de pensar em fazer isso, uma algema grudará em seu pulso, (por trás das câmeras) será insultado, levará chutes e porradas. Depois, preso e condenado a até quatro anos de reclusão.

Mas se você tiver o ensino fundamental incompleto, aliás, se você souber escrever e ler somente o seu nome, porém, possuir um cargo público no Brasil, como o de deputado, senador, governador ou presidente, seja bem-vindo ao céu!! Aqui você pode “pular cerca”, furtar, roubar, fornicar, pagar propina, extorquir, enriquecer da noite para o dia, receber dinheiro sem trabalhar, enfim, você pode cometer os piores crimes que contribuem para o atraso de uma nação sem ser condenado.

Tudo isso porque é você quem faz as leis e quem é também encarregado de fazer com que elas sejam cumpridas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Insisto na pergunta: é medo, respeito ou pagação de pau?


" O Renan pode falar como o Danton quando caminhava para o cadafalso: atrás de mim virás tu, Robespierre"

Definitivamente o Conselho de Ética das duas casas do Congresso Nacional tem que mudar de nome. Acho que ele deve se chamar Conselho de Estética, pois apenas maquia a imagem do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Dá a entender que lá existe alguma ordem moral. Quando, na realidade, há somente políticos com o rabo preso. Se eles fossem independentes, teriam cassado o mandato do senador Renan Calheiros (PMDB – AL).
Mas, por ventura, se existir algum político de boa conduta naquele antro, peço humildes desculpas e ajuda para responder tão inquietadora questão: não cassaram o mandato de Renan por medo, respeito ou pagação de pau?

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Enquanto isso, no país da sacanagem... Senado Federal macula 180 anos de história


Está provado. No Congresso Nacional não há representantes do povo. O que existe lá é um bando de senhores que trabalham para se beneficiarem. Demagogos e retóricos. Não estão nem aí para a opinião pública.

E hoje é o dia que o Senado Federal deixa claro que é igual ou pior à Câmara dos Deputados. Mesmo depois de ser acusado por crimes comprometedores (listados no artigo abaixo), o presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB – AL), foi absolvido do pedido de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar com 40 votos a favor e 35 contra. Houve seis abstenções.

Conforme o tempo passa, acredito mais ainda que vivo no país da sacanagem. Onde a lei é aplicada somente em favelados, moradores das periferias, enfim, em pobres.

Alguém aí tem um nariz de palhaço para me emprestar?

Renan Calherios: com o perdão do trocadilho, é cassar para moralizar e o senado a câmara não se igualar


Uso de laranjas para comprar veículos de comunicação de Alagoas; pagar propinas; fazer sociedade com lobistas em negociatas; favorecer uma cervejaria em troca de benefícios pessoais e – a mais quentinha, que saiu do forno esta semana – montar esquema para desviar dinheiro do Ministério da Saúde são acusações contra o presidente do Congresso Nacional, o senador Renan Calheiros (PMDB – AL). As acusações por enquanto não deram em nada. Mas não foram todas que passaram despercebidas. Felizmente, o alagoano Renan Calheiros será julgado hoje no plenário do Senado Federal por ter despesas pessoais pagas por um lobista, o que é quebra de decoro parlamentar.

As denúncias contra o senador vieram a conta-gotas. O primeiro pingo revelou a “pulada de cerca” do peemedebista, cujas conseqüências (ou despesas) foram bancadas por um lobista. Desde esse momento, Renan dizia que “não arredava o pé” da presidência do senado. A cada semana, a situação se complicava, pois mais gotas corruptas pingavam. O senador foi questionado, portanto, se renunciaria o mandato. O que não aconteceu, surpreendentemente, depois do relatório do Conselho de Ética que recomenda a cassação do alagoano ser aprovado pelo senado numa votação histórica, pois foi aberta. Renan não renunciou a presidência do Congresso Nacional nem o mandato mesmo depois do relatório do conselho ser aprovado, em tempo recorde, pela Comissão de Constituição e Justiça. Detalhe: toda novela aconteceu com sucessivas manobras proteladoras do senador. O processo se arrastou por três meses.

No meu entender, se o mandato de Renan Calheiros não for cassado, o Senado Federal ficará famigerado e se igualará à Câmara dos Deputados, que no ano passado recusou 12 pedidos de cassação de mandatos de mensaleiros (recebedores de mesadas para votar com o governo). Os pedidos foram recomendados pelo Conselho de Ética que concluiu que os mensaleiros quebraram o decoro parlamentar. A Câmara dos Deputados é um caso perdido, não se importa com a opinião pública e não se envergonha mais com os escândalos. Não é possível que o Senado Federal siga o mesmo caminho. Pois recusar um pedido do Conselho de Ética é ir contra a ética, pois, se não fosse, o conselho deveria ter outro nome.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Cotidiano (só que piorado pelo transporte público) – II: cordeiros humilhados!


Os moradores da periferia do Distrito Federal estão... ...numa situação complicada – para não usar aquele palavrão que começa com a letra F, termina com DOS e, entre F e DOS, tem UDI.

Entra governo e sai governo, o transporte público continua... – acho que a palavra que deixei de escrever acima também deveria ser usada aqui, mas sem S.

Parece que o atual governo do DF está tentando mudar a situação do transporte público da capital. Parece!... O jeito é esperar para ver. Mas, enquanto não muda, os usuários, pobres na maioria, continuarão sofrendo.

Hoje mesmo, às 7h, peguei um ônibus da empresa Planeta. Barulhento, lotado, desconfortável, velho, sujo, enfim, um tipo comum que circula pelas vias da capital.

Depois de enfrentarmos um engarrafamento, o ônibus quebrou. Os passageiros, como cordeirinhos, saíram (para rimar) devagarzinho. Calados, amofinados, porém, revoltados.

Não demorou muito para um ônibus que tinha o mesmo destino passar por lá. Passar e não parar. Afinal, era de outra empresa. Empresa concorrente. Era o ônibus da Viplan. Toma! Coisa boooa. Quem mandou vocês pegarem esse ônibus e não o nosso. Deve ter pensado o motorista da empresa concorrente, ao passar pelos passageiros que não tinham nada a ver.

Para não chegarem atrasados ao emprego, muitas pessoas foram obrigadas a pagarem a passagem novamente para um ônibus, de outra empresa, que parou, mas não permitiu a entrada dos passageiros, martirizados, pela porta de trás. É um absurdo, pensei.

Depois de alguns minutos, finalmente o bendito ônibus da Planeta apareceu. Todos os bancos estavam ocupados. Só tinha espaço no corredor. Logo, deduzi que todo mundo não caberia. Fiquei paciente e disposto a esperar outro ônibus. Os passageiros transfiguraram de cordeirinhos a bois e, como uma manada, correram em direção à porta de trás. Entupiram-na. Antes de as pessoas entrarem, quero dizer, pararem de entrar, o motorista começou a andar com o ônibus para mostrar que não cabia mais ninguém. Eu percebi que a porta da frente estava aberta. Tive então a idéia de entrar por lá, pois a parte da frente do veículo quase não tinha passageiros.

Entrei e me questionei: será que terei que atravessar a roleta e pagar novamente a passagem para poder descer? Não é possível. O motorista e o cobrador me viram entrar pela porta da frente. Devem ter bom senso. Bom. Se eles me cobrarem, eu pago numa boa, pensei e não me dei conta o quanto estava sendo cordeirinho.

Antes de a minha parada chegar, do outro lado da roleta, uma das passageiras que estava no ônibus que quebrou dirigiu a palavra ao motorista para tirar satisfação. “Motorista, sabia que você quase me separou da minha filha de nove anos? Olha, você tem que tomar mais cuidado. Se eu tivesse ficado lá e se ela tivesse se perdido de mim, a coisa ia complicar para você”.

“Se você tivesse perdido sua filha, o problema seria seu e não meu”, respondeu o motorista. Seguiu-se então uma discussão. O motorista, indiferente. A mulher, já aos prantos. Que sssssssssssssssssttreeeeeeeeeeeeeesssssssssssssssssssss!!!! Pensei. Só espero que ele esteja pronto para outro, pois eu não vou pagar a passagem novamente. Decidi, pois já estava revoltado com a situação. Não é possível tanta humilhação.

“Vocês aí, que estão na frente, têm carteirinha de passe livre?”, perguntou o cobrador. “Quem não tiver, passe a roleta, por favor”. Os outros passageiros que entraram comigo passaram e pagaram novamente, como bons cordeirinhos humilhados, domados, “encabrestado” e adestrados. Eu fiquei imóvel. Quero vê se ele vai me fazer pagar de novo. Nós vamos parar no ponto final, mas eu não vou pagar. Onde estão os meus direitos? Questionei-me outra vez.

Quando estava chegando perto da minha parada, eu disse ao cobrador: “eu já paguei a minha passagem no outro ônibus”. “Mas você entrou pela frente. Vai ter que passar pela roleta, não pode descer pela porta da frente. Por que você não entrou pela porta de trás?”, perguntou. Eu respondi. “Não consegui. Você não viu a mulher dizendo? Lá tava uma bagunça. Eu não consegui e não vou pagar de novo porque não tem lógica eu pagar duas vezes para a mesma empresa”. O cobrador ficou irritado. Argumentou. Eu não falei mais nada. Estava decidido. Eu não ia pagar e não paguei. Engoli sapos, mas não paguei!!

(Sabe, caro leitor. Às vezes me pergunto: será que o motorista e o cobrador recebem dinheiro a mais para serem do jeito que eles são, verdadeiros cães de guarda?)

Este é o tipo de humilhação que quem usa o transporte público do DF tem que enfrentar quase diariamente. E por que não nos revoltamos? Por que será que agimos como cordeirinhos? Confesso que já tive várias vezes vontade de tacar fogo em um desses ônibus que circula por aí! Se eu fizesse isso, a imprensa noticiaria o meu barbarismo sem mostrar o outro lado da questão. Pode uma coisa dessa?

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Tese polêmica!


Já faz um tempão que eu não escrevo algo polêmico ou “solto uma pérola”, como dizem certas pessoas que não se enxergam. Hoje estou disposto a escrever sobre uma das minhas teorias mais controversa. Portanto, preciso tomar alguns cuidados, antes de começar ou “solta-la” (como dizem, é claro, os que não se enxergam).

Se você é meu amigo e fez ou faz dois, não um, mas dois, somente dois, e não três cursos superiores – é isso aí, cursos superiores e não técnicos ou de outra natureza –, ao mesmo tempo (está entendendo? É ao mesmo tempo e não depois que terminar), não leia este texto. Pare por aqui! Se a pergunta ficou difícil compreender por causa das intervenções e das informações intercaladas no meio do período, faço questão de repetir para que meu amigo não diga depois que eu não avisei. Repetindo: se você é meu amigo e fez ou faz dois cursos superiores ao mesmo, não leia este texto. Pare por aqui!

O aviso está dado. Depois não diga que eu não avisei. O quê? Você ainda não foi embora? Beleza. Pode ler, mas não me crucifique quando terminar a leitura. Por favor, não deixe de ser meu amigo por causa do meu pensamento.

Sem mais demora, eis a minha tese: quem fez ou faz dois cursos superiores ao mesmo tempo é idiota! Ou, na melhor das hipóteses, está sendo idiota, na pior, imbecil. Não quero dizer com isso que quem faz ou fez dois cursos é burro ou vai se dar mal na vida. Pelo contrário. Geralmente, quem tem condições financeiras de suportar dois cursos nas costas já não está, economicamente, ruim na vida. Outra coisa, se eles conseguem chegar ao final com boas notas nos dois cursos, provam, automaticamente, que são inteligentes. Então, você, estimando leitor, deve estar se perguntando, por que eles estão sendo idiotas, na melhor das hipóteses, e imbecis, na pior? Simples. Eles não estão pensando no lado da questão que eu apresento agora.

Primeiro: será que quem estuda os dois cursos superiores, ao mesmo tempo, aprende cem por cento? Como isso é possível sem se estressar? Veja só. Pesquisas revelam que os alunos de curso superiores não lêem livros, mas somente os textos passados em salas de aula. O que isso quer dizer? Se em um só curso o aluno mal lê a biografia básica recomendada pelo professor, o que dizer de dois cursos ao mesmo tempo?

Segundo: terminando as faculdades, o “superaluno” exercerá as profissões ao mesmo tempo? Acho difícil. Os profissionais com cursos superiores que o digam! E se não exercerem os dois? Vai acabar esquecendo o que aprendeu em um dos dois cursos, pois o nosso cérebro possui um sistema que descarta o que não é usado. Portanto, se no meio da carreira o “ex-superaluno” resolver mudar de profissão, não será uma boa idéia, pois o curso superior qualifica a pessoa para exercer determinada profissão que, quanto mais praticada, mais o profissional fica bom.

Terceiro: talvez o pior de todos, pois quando o sujeito faz ou fez dois cursos superiores, ao mesmo tempo (!), em instituições de ensino públicas, ele demonstra não estar preocupado com a vergonhosa desigualdade social do nosso país. Onde apenas 10% dos jovens, entre 18 e 24 anos, cursam o ensino superior. Ocupar duas vagas (ao mesmo tempo!) em uma universidade pública é não se preocupar com a realidade.

Quarto – que pode ser bem pior que o terceiro argumento –: cursar um curso superior em uma instituição de ensino pública e, ao mesmo tempo (!), cursar outro curso superior em uma faculdade particular é o cumulo do egoísmo (ou na melhor das hipóteses, da idiotice, na pior, da imbecilidade) porque tudo que eu listei nos três argumentos acima pode acontecer, além de tomar a vaga de quem não pode pagar uma faculdade.

Gente, é isso que penso. Se você cursa ou cursou dois cursos superiores ao mesmo tempo (!) e leu este texto até aqui, não fique com raiva de mim. Faça melhor. Escreva um comentário contestando minha tese. Com isso estará tirando, se assim for (e se as pessoas que não se enxergam, estiverem corretas), uma mente das trevas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Jornalismo?



Não existem fatos. Apenas interpretações!


Friedrich Wilhelm Nietzsche

Mundo: desigualdade social. Por quê?


Falta boa vontade, altruísmo e solidariedade.

As coisas não são diferentes porque não há boa vontade. Podem surgir no mundo, em todos os anos, bilhões de pensadores. Todavia, enquanto os detentores do poder não tiverem boa vontade, as coisas não melhorarão.

O egoísmo é uma praga!

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Será revanche?


Parece que a imprensa brasileira está mudando. Desde ontem, os meios de comunicação noticiam a respeito do que será o maior julgamento da história brasileira: o julgamento, que começa nesta quarta-feira, dia 22, dos 40 envolvidos no esquema de compra de parlamentares, também conhecido como “mensalão” – neologismo criado pelos sapientíssimos noticiadores da época –. Quero dizer, a imprensa está mudando porque, com a divulgação deste fato, deixa para trás a idéia de que o jornalismo brasileiro não dá continuidade às notícias.

Fato interessante. Dele se extrai várias questões. Uma delas: será que a imprensa brasileira quer uma revanche contra seu arque inimigo, Luiz Inácio Lula da Silva, que nas eleições presidenciais de 2006 derrotou a mídia paulista e carioca com uma tremenda surra nas urnas?

Alguém pode dizer que estou errado com esta afirmação: “a imprensa brasileira não é contra o presidente Lula”. Mas... Cá entre nós, quem era o candidato da mídia burguesa nas eleições presidenciais de 2006? Para se ter a resposta, basta observar os arquivos da cobertura realizada naquele período. Você lembra? Eu lembro.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Momento de idiotice e/ou imbecilidade.


O meu momento idiota e/ou imbecil – a escolha deixo para o leitor, que não concordou com a tese do intelectual nordestino, exposta no texto abaixo – aconteceu na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília. Na verdade, não tive somente um momento. Até agora, na idade que estou, já me aconteceram vários. Mas limitarei a contar somente o menos vergonhoso.

Bom. Foi na Rodoviária do Plano Piloto, como já disse. A Rodoviária fica entre o shopping Conjunto Nacional e o edifício Boulevard, antigo Conic. A Explanada dos Ministérios fica na frente. E a Torre de TV, atrás. Ou vice versa. Depende do ponto de vista do observador.

Muitos turistas talvez nunca passaram por lá. Imagino, pois a Rodoviária não é e não faz parte dos monumentos de Brasília, porque é um lugar abandonado. Os banheiros possuem um cheiro nauseante. As escadas rolantes nunca rolam. Vivem quebradas. O chão está sempre sujo. Os ônibus que por lá passam são imundos, velhos e barulhentos. Há mendigos rastejando e pedindo esmola por toda parte. Meninos de rua cheiram cola, quando não estão dormindo no chão asqueroso, em plena luz do dia. Recentemente, o cenário da Rodoviária está um pouco diferente. Junta-se toda a desgraça descrita acima com uma reforma interminável. Reforma que não sei se será útil ou bem feita. Tenho essa desconfiança por que a Rodoviária já passou por várias reformas e nunca melhorou. Em um desses reparos, o governo local instalou placares eletrônicos, que servem para indicar a linha do ônibus e os horários. Quero dizer, serviriam, pois estão todos quebrados.

Não, minha gente. A Rodoviária nunca foi um cartão postal de Brasília, apesar de estar entre o Teatro Nacional e o Complexo Cultural da República. Complexo que é a mais recente criação construída do mestre Oscar Niemeyer. Apesar de estar a poucos metros do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, a Rodoviária não é um cartão postal, mas, sim, o ânus de Brasília. E não é exagero não. Mas se você, leitor, acha que estou exagerando. Farei outra analogia, bastante parecida. A Rodoviária é o espelho de tudo que envergonha Brasília e este país. Nela está o reflexo da moral e da ética que existe na Câmara dos Deputados Distritais, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto.

Não sei por que a Rodoviária é daquele jeito. Talvez porque a maioria das pessoas que circulam por lá são como eu, pobres... Mas dignas! E que vale um voto, no dia das eleições!!

Pois é. Numa dessas minhas passagens pela Rodoviária, me aconteceu o momento idiota e/ou imbecil, que era para ser o assunto principal deste texto. Não se preocupe, leitor, pois ainda há tempo para lhe contar a história onde me senti um perfeito idiota.

Então. Eis: Estava eu lá na Rodoviária, numa renomada pastelaria, fazendo um lanche. Do nada, apareceu-me um engraxate. Aparentemente humilde. Com rapidez, ele se sentou no caixote que todo engraxate carrega nas costa e pegou em meu pé direito e começou a puxar. Insistiu em fazer uma limpeza em um dos meus tênis como amostra grátis.

- É de graça, patrão! – Dizia o engraxate.
- Não, não, não. Não precisa! – Respondi.

Mas ele insistiu tanto que acabei cedendo. Observei o zelo do engraxate ao fazer o serviço gratuito. Fiquei com pena. Comecei a divagar o quanto este mundo era injusto. Fiquei como no mundo da lua. O rapaz terminou. Ofereci o outro pé para ele fazer a limpeza no tênis. Só que, dessa vez, o engraxate fazia o serviço com baixa qualidade. Achei muito estranho. Pensei. “E se ele me der um golpe, afinal, não perguntei o preço? Não. Que é isso! Não é possível que esse cara tão humilde vai me passar a perna. Será que ele vai cobrar mais que cinco reais pelo serviço?”. Após o termino do trabalho, o engraxate se transfigurou. Não era mais humilde. Mudou até a voz. Retirou um cartaz do bolso e me mostrou o preço. Para a minha sorte e por eu estar usando um tênis, o valor era o mais baixo da tabela. Se eu não me engano, R$ 10, OO. Isso mesmo, dez reais.

- Você me passou para trás! – Eu falei, sentindo-me o cara mais idiota, imbecil, estúpido e burro da face da terra.
- É esse o preço. Você vai ter que pagar – cobrou-me o engraxate.
- Não! Tudo bem. Eu vou pagar, mas só a metade – Foi aí que minha cabeça começou a funcionar um pouquinho.
- Por quê? – Perguntou-me o engraxate.
- Porque você falou que o primeiro tênis era de graça.

Dei cinco reais para o pilantra. Fui embora. E cheguei a um moral da história. A Rodoviária é o pior lugar de Brasília. Tente evitá-la. Se não for possível, assim como não é para mim, que dependo do transporte público – a segunda pior coisa da capital –, passe por lá. Mas somente passe. Não fique de bobeira. Não compre nenhum objeto que pareça ser roubado e é vendido muito abaixo do preço.

Bom. Pelo menos, meu momento idiota e/ou imbecil – que, repito, não foi o único da minha vida – ensinou-me uma lição.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Quem nunca se achou um idiota que atire a primeira pedra ou, melhor ainda, que invente uma mentira!


Sinceramente, de vez em quanto e ultimamente, sinto-me muito idiota. Pior seria senti-se imbecil. Mas... Qual é a diferença entre idiota e imbecil? A questão me faz lembrar de um intelectual do nordeste, que foi meu professor de “Teorias Clássicas da Comunicação”. Admiro-o muito e tenho orgulho de ter sido aluno dele.

Como a maioria dos professores, ele também dava uma fugidinha do conteúdo e contava histórias da vida dele, piadas e algumas teorias que inventava. Numa das teses exposta na sala de aula, o intelectual nordestino explicou a diferença entre os idiotas e os imbecis.

Segundo meu ex-professor, o mundo é povoado por idiotas e imbecis. Porém, os imbecis são a maioria. Os idiotas, minoria. Mas, necessariamente, todo imbecil é um pouquinho idiota e todo idiota é um pouquinho imbecil. Porque, segundo o pensador nordestinho, o imbecil só copia. Copia, copia e copia. Mas chega uma hora que ele acaba criando. Todavia, criar é o que os idiotas fazem. Por isso os imbecis são um pouco idiotas. Agora, os idiotas são um pouco imbecis porque, em um certo memento, depois de criar, criar e criar, acaba copiando. Outra coisa, os idiotas vivem em conflito com os imbecis, segundo meu ex-professor.

Não sei por que ele expôs essa tese. Só concordei com ele porque ele dizia que todos nós somos idiotas e imbecis. Alguns mais imbecis e outros mais idiotas. O meu ex-professor foi tão bom na explicação da tese que até colocou-a em prática. Mostrou-me o quanto era idiota. Na última avaliação do curso, ele aplicou uma prova com dez questões. A maioria da turma estava morrendo de medo de se dar mal. Afinal, muita gente não prestava atenção na aula ou não gostava da disciplina e do professor.

Quem entregava a avaliação sabia do resultado na hora, pois as questões eram “de marcar”. Conforme os alunos iam entregando a surpresa foi aparecendo. E qual foi a surpresa? Todos, até quem faltou o semestre inteiro, tiraram SS. Ou seja, ficaram com notas entre dez e nove. Meu ex-professor não entendeu como isso foi possível. Simples. Ele tinha mais de uma turma, não fez provas diferentes, não as aplicou no mesmo horário. O teste tinha dez questões objetivas, onde somente uma era verdadeira. E, para completar a dose, ele dava o resultado na hora. Portanto, o que aconteceu? Será que eu preciso dizer?

Pois é. Na aula seguinte, vi a cara de idiota do intelectual nordestino. Ele se sentia um idiota. Fiquei até com pena. Tentei consola-lo com uma das teorias dele que eram contadas em sala. É claro que não foi a tese acima.

Apesar desse momento idiota e imbecil do meu ex-professor, não perdi minha admiração por ele. Ainda o considero um grande intelectual. Afinal, quem nunca se achou um idiota que atire a primeira pedra ou, melhor ainda, que invente uma mentira.

No próximo texto, vou contar o meu momento idiota e imbecil.

Até lá!

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Paráfrase


Ame Deus sobre todas as coisas, mas não se esqueça do altruísmo

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

A tragédia de Rali (última parte)


Dia bonito! O céu bem azul. O sol brilhante. Nunca me senti tão bem. Literalmente, acordei com o pé-direito. Esse dia tem tudo para ser único, pensei. Após tomar o café, somente o café puro, como de costume sem pão, bolo ou frutas, sai para a rua com aquela certeza de que tudo iria dar certo. Afinal, nunca vi um dia tão bonito, no meu aniversário, quanto esse. Eu, Rali, completo hoje 15 anos de vida.

Antes de ir à casa do meu amigo João combinar uma “fita”, marcada para hoje, decidi sentar na calçada de minha casa para tomar um pouco de sol. Natasha, minha vizinha e amada, linda como sempre, passou pela rua, com destino a padaria. Desejei-lhe um bom dia. Ela me respondeu com um sorriso amarelo. Desde que eu a namorava, ela nunca tinha sorrido daquele jeito. E toda vez que passava por mim, sempre me dava uma abraço e um selinho na boca. Não entendi por que, naquele dia tão bonito, ela nem se quer passou perto de mim. O sorriso me revelou uma Natasha que eu não conhecia. Talvez aquele dia não estivesse para ela como estava para mim: especial. Entendo, portanto, a atitude de minha amada, pois há dias que não me sinto bem. Tudo parece dá errado. Imagino-me, às vezes, vivendo no inferno, quando, na realidade, o mundo está do mesmo jeito. Maravilhoso, belo e especial. Ou seja, tudo depende do estado de espírito da pessoa.

Aquele gesto de Natasha, que denunciou o esquecimento dela do meu aniversário, felizmente, não estragou meu dia. Não entendi. Continuei me sentindo tão bem quanto antes. E depois de alguns minutos sob o sol, dirigi-me à casa do João.

- João! João!

Gritei pelo portão. São raros os barracos da invasão da Vila Estrutural que têm campainha. A cabeça de João apareceu na porta. Ele deu uma olhada e disse:

- Ah! É você, Rali? Pode entrar, o portão está aberto.

- Feliz aniversário amigão!

João me deu um forte abraço.

- Pô, bicho, pensei que você não ia lembrar do meu aniversário, assim como a Natasha.

- Que isso Rali? Como você me compara com aquela p...

João se lembrou que eu não gostava que falasse mal de Natasha, mesmo quando os fatos erram verdadeiros. Ele, portanto, mudou de assunto.

- Bom... Vamos ao que interessa. Ó! Vai ser mais do mesmo. “Vamo” chegar lá apontando as “máquinas” (revolveres). Você recolhe o dinheiro do caixa enquanto eu te dou cobertura. Como hoje é o seu dia, você vai ficar com mais da metade do dinheiro, falou?

- Pode crê, “mulequim”!

Sempre antes de “meter uma fita”, João observava o local previamente para saber o horário de pouco movimento e se a polícia fazia, com freqüência, ronda no comércio que nós íamos roubar. João também tomava o cuidado de contar novamente o que nós já havíamos planejado.

O assalto ocorreu como imaginávamos. Não era possível que num dia bonito como aquele as coisas dessem errado. Mas... Algo me perturbou. Acho que até estragou meu dia. Enquanto retirava o dinheiro do caixa, percebi que o dono da loja me observava. Fitei-o, senti um ódio no olhar dele. Fiquei com aquela imagem em minha cabeça até escurecer. Sentado no sofá, tentei decifrar o que aquele olhar cheio de ódio queria me dizer. De repente, no portão de minha casa, o grito de João tira minha concentração. Tínhamos o costume de ficarmos na frente de meu barraco conversando até tarde da noite. Geralmente, contávamos histórias de “fitas”, “tretas” e “frevos” passados. Porém, dessa vez, resolvi revelar ao meu amigo o que me angustiava.

- Ah! O que é isso, Rali? Isso é besteira!

Para João, podia até ser. Mas para mim, não. Senti um pressentimento muito ruim misturado com um medo mórbido.

- João, “di rocha” (realmente), estou com medo.

- Medo de quê?

- Não sei, cara.

Assustado, eu olhava desconfiado para todo mundo que passava naquele instante na rua. Vi na esquina uma luz de uma moto que se aproximou rapidamente. O motoqueiro usava uma jaqueta preta. O capacete, da mesma cor, escondia a identidade do condutor da moto, que parou na nossa frente. Puxou uma pistola da cintura. Não disse uma se quer palavra. Disparou três tiros em mim. Um na minha barriga, outro no pescoço e o terceiro, fatal, na minha cabeça. João tentou correr, mas não conseguiu escapar para contar a história. História que é contada agora, diretamente do Além, para você, estimado leitor. O que aconteceu depois (a minha agonia) você encontrará na primeira parte deste texto.