Blog do Paraíso: Junho 2008

domingo, 29 de junho de 2008

Era uma vez...


O Bar do Japão estava localizado na avenida que separa as quadras 300 das 400, em Santa Maria, aqui mesmo, no Distrito Federal. Ele ficava, mais precisamente, no meio do largo; ou, como dizia um colega que não gostava de freqüentá-lo, na boca da mata. Em Santa Maria Norte, existe uma extensa área verde no final das quadras 315, 313 – não tem a 314 – e 312. O espaço é chamado de verde devido aos matos e, não, por causa da vegetação, lá, totalmente devastada. Enfim, devido à localização, a sensação de quem freqüentava o Bar do Japão era a de estar no fim do mundo. Quantas vezes me lastimei por isso... Bom. O Bar do Japão, para falar a verdade, não tinha nome, mas apelido, que recebera por causa do seu dono. Os olhos puxados, a pele amarela e altura mediana deram ao proprietário do Bar a alcunha de Japão. Até hoje, não sei o verdadeiro nome do sujeito. No entanto, muito simpático, ele atendia a todos pelo apelido. Apesar de lastimar o local algumas vezes, confesso que passei bons momentos naquele “copo sujo”. Não falo dos vícios, agora, enterrados com o Bar, onde não sobrou pedra sobre pedra. Refiro-me às sensações, ao clima, a boa energia que eu sentia lá. Refiro-me à cerveja barata, ao caldo saboroso, a codorna bem passada e ao torresmo crocante. Mas tudo isso já era ou era uma vez...

Gregório de Matos


Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

“O primeiro passo é o início de uma grande caminhada”


Uma das primeiras coisas que fiz, quando entrei na faculdade, foi um currículo. E numa bela manhã de um dia da semana, sai entregando-o nos ministérios da Esplanada. Não fui só. Um colega, que começara a cursar letras, foi junto. Na portaria dos ministérios eu dizia: “eu quero ir ao RH para deixar um currículo”. Algumas atendentes diziam que lá não recebia e eu seguia para o próximo prédio. Nessa brincadeira, acabei entregando uns quinze currículos, apesar de não ter levado esse número. Levei uns três. As cópias dos demais tirei em alguns RHs de boa vontade (nessas horas, só me faltou o óleo de peroba). E o resultado? Depois de alguns meses, no final do primeiro semestre de 2005, fui chamado para o meu primeiro estágio na área de Comunicação Social. Lembro que no dia da entrevista, cheguei atrasado. Foi a entrevista mais rápida da minha vida. A entrevistadora só me apresentou ao chefe da área e pronto. Eu estava contratado para ser estagiário da Assessoria de Comunicação do Ministério de Minas e Energia. Minha função era bem simples. Eu tinha que ficar monitorando o BroadCast, da Agência Estado. Se aparecesse uma notícia sobre a então ministra Dilma Roussef, hoje “Mãe do PAC”, eu tinha que imprimir e levar para os assessores. A jornalista Renata Lu trabalhava na mesma sala que eu. “Qual é o semestre que você está?”, perguntou. “Eu... Eu estou no terceiro... Não, não. Estou no quarto semestre...”, respondi. “Ah! Então você está no terceiro, só que vai para o quarto?”, Lu perguntou novamente. “Isso mesmo”, eu disse. Percebi que ela estava muito desconfiada. E tinha toda razão, pois eu estava mentindo. Mas não fiz por mal. Fui orientado pela entrevistadora a mentir o semestre que eu estava. Na verdade, eu estava no primeiro semestre, indo para o segundo. Renata tentou me convencer a desistir do curso. Ela disse que a área estava superlotada, “faltava emprego”, e que a profissão era muito difícil. “Em uma redação, você tem que escrever muito. E rápido! O texto também tem que estar bem escrito”, satanizava. “Eu se fosse você, aproveitava enquanto é tempo e mudava de curso”. As palavras dela não me desanimaram, pelo contrário, me motivaram. Se para ser jornalista era preciso escrever bem, muito e rápido, eu estava disposto a aprender. Todos os jornalistas que conheci diziam que a receita era só uma: ler muito e de tudo. Foi o que eu fiz, durante o tempo que fiquei lá. E não foi pouco tempo. Foi o estágio mais longo que fiz até agora: um ano e seis meses. Só no final desse período, a entrevistadora me revelou porque me chamou para a entrevista. Ela disse que quando viu meu currículo pensou: “que estudante cara-de-pau! No primeiro semestre já querendo estágio. Ah! Ele mora em Santa Maria, tadinho. Deve estar precisando. Vou chamá-lo”. Na verdade, ela queria era me conhecer – não é nada disso que você está pensando, leitor tarado.

sábado, 28 de junho de 2008

Quem tem razão?


A conversa abaixo é verídica. Aconteceu comigo e um professor que seria o orientador do meu trabalho final. Para preservar a identidade dele ou dela, troquei seu nome por Fulano. Quero que você, amigo leitor, faça seu julgamento e diga quem está errado. Mas antes, saiba que Fulano se ofereceu para orientar nas férias e eu não sou nenhum débil mental para pensar que Fulano receberia pelo trabalho extra.

Eu disse:

Fulano,

Conversei com o Beltrano agora há pouco. Decidimos ir amanhã às 19h30 na sua casa para estabelecer o roteiro das filmagens. Só não combinei com o Ciclano porque ele ainda não tinha chegado na TV senado e não estava com o celular, mas, como você pode ver, estou enviando este e-mail para ele.

Por favor,

qual é o seu endereço e o seu número?

O meu número é xxxxxxxx

e do Beltrano, xxxxxxxx

Resposta do Fulano:

Não fofos... Esta semana já me enrolei toda, como disse no e-mail anterior: semana que vem qualquer dia a tarde ou a noite...

Eu sugeri:

Segunda, às 19h30?

Fulano:

Deixa eu explicar uma coisa para vocês, para não parecer que estou sendo displicente ou negligente... Eu não recebo e nem tenho obrigação nenhuma de orientar durante as férias - estamos de férias -. Quando faço é por prazer, pelos alunos que acabo me afeiçoando, etc... Aliás, eu ainda oriento exatamente por gostar, porque somos super-mal-remunerados para isso. Dessa forma, não gosto quando me sinto cobrada ou pressionada. Sei de minhas responsabilidades.

Façamos assim: me mandem e-mail com a relação dos possíveis entrevistados, e mais ou menos como vocês imaginaram o vídeo. Eu retorno, assim que receber, com meu parecer e sugestões. Vamos tocando assim até o semestre começar. Ok?

Eu:

Façamos melhor.

Aguardemos as aulas retornarem para a senhora fazer sua caridade.

Fulano:

Não, façamos melhor ainda: procurem outro orientador!!!!

Eu:

Minha intenção não era te ofender a tal ponto.

Peço desculpas pelo último e-mail.

Se escolhi a senhora como orientadora, é porque gosto do seu trabalho. Acho a senhora muito competente. Portanto, não quero procurar outro orientador.

Fulano:

Fiquei bem chateada mesmo, e lhe respondo com cópia para seus companheiros: prefiro que procurem outro orientador, porque entre os preceitos e regras que adotei em minha vida está um que eu faço questão de manter: o que começa errado, não deve ser levado adiante! Já quebrei isso algumas vezes e me dei mal. Contem comigo para banca, para orientações informais, mas eu prefiro ficar de fora. Desculpem qualquer coisa, porque eu também não quis chatear ninguém.

Eu:

Que assim seja.

Saiba que continuarei admirando seu trabalho.

Tenha um ótimo final de semana.

Abs!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Deseje-me boa sorte


O Congresso Nacional está parado devido às festas juninas. A antropóloga e ex-primeira-dama Ruth Cardoso faleceu e foi enterrada hoje. O Banco Central agora prevê um maior aumento na inflação neste ano (6%). A menina dos olhos do presidente Lula, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), está sendo molestado pela corrupção. Pois é. Vamos deixar esses fatos um pouco de lado. Falemos sobre outra coisa. Que tal mais uma historinha de minha vida? Por exemplo, você sabe, estimado leitor, por que decidi cursar jornalismo? Não? Então vou te contar. A história é mediocremente interessante, mas vale a pena. Vamos lá? Quando eu era mais novo, pensava que ia ser gerente de banco, pois, assim, teria muito dinheiro e não me faltaria nada. Cresci. E no primeiro ano do Ensino Médio, mudei de idéia. Dessa vez, acreditava que eu seria engenheiro mecânico eletrônico. Mas, observei que a nota que eu precisava alcançar para estudar na Universidade de Brasília (UnB) era muito alta – afinal, eu não tinha, e ainda não tenho, dinheiro para bancar um curso como esse – e percebi que minha opção era muito ousada. Portanto, mudei para matemática. No final do segundo ano, descobri que a nota para passar em matemática ainda estava muito alta, logo, decidi ser pedagogo. Entretanto, certa vez, quando estava no estágio que fiz na Companhia Energética de Brasília (CEB), lendo um jornal assinado por um dos chefes da área, decidi ser jornalista. Só que não foi da hora para outra. Primeiro, lendo o jornal, tive que perceber o quanto eu era ignorante. Na época, eu lia o jornal e era como se eu não tivesse lido, porque não entendia nada. Lia o título, não entendia. Lia o sutiã, idem. Lia o lead e nada era filtrado. Isso me levou à reflexão. Por que eu era tão ignorante? Por que eu não conseguia entender o que lia? Nesse momento de introspecção, li o nome do repórter. Ah, ele – pensei –, ele com certeza deve entender o que está escrito, afinal, foi ele quem escreveu. Que trabalho legal – continuei pensando –, o cara que escreve este texto tem que ler muito durante a vida inteira e, no final das contas, acaba se tornando um intelectual pelo que faz; quero ser como ele! Minha futura profissão estava decidida, mas, sem dinheiro, como eu iria conseguir pagar o curso? O jeito era passar no vestibular da UnB. Mas o curso era o terceiro mais concorrido. “Prefiro não fazer nada a fazer um curso para depois morrer de desgosto pelo resto da vida”, disse, certa vez, um colega. E ele estava com a razão, pensei. O que eu queria era jornalismo e não pedagogia. Outro fato marcante que contribuiu na minha decisão: durante os três anos que cursei o Ensino Médio, participei da rádio da escola. Não era uma coisa profissional – só havia na rádio um microfone e um som –, mas eu gostava de dar informações. Ponderado tudo isso, prestei o vestibular para o curso de jornalismo na Universidade de Brasília e... Adivinha, amigo leitor. Passei? Não! Eu não tinha nenhuma condição de passar, afinal, estudei todo meu ensino de base em péssimas escolas públicas. Geralmente, quem estuda na UnB, estudou em ótimas escolas particulares. Raras exceções da escola pública conseguem ingressar na federal de Brasília. Raras exceções. Entendeu bem? Raríssimas exceções que vão para os cursos menos concorridos, como pedagogia. Então, deve estar se questionando o apressado leitor, onde você está fazendo o curso de jornalismo? Estou cursando em uma faculdade privada, impaciente leitor. Mas você não disse que não tinha dinheiro? Pois é. Mas, prezado leitor, descobri que hoje em dia é possível estudar numa faculdade privada sem ter dinheiro... Mas é isso aí. O importante é que já estou no oitavo semestre e me formo no final deste ano. Amigo leitor, deseje-me boa sorte.

sábado, 21 de junho de 2008

Arraial


Não sei se escrevo: adoro festas juninas; ou: adoro festas de São João. Para bom entendedor, quadrilha, bandeirinhas, fogueira e quentão bastam para saber do que estou falando. E nesta semana, todos poderão observer que não é só eu que adora arraial. Pelo menos, grande maioria de nossos representantes na Câmara e no Senado também. Ao que tudo indica, as excelências estarão ocupadíssimas em seus estados, participando das festividades juninas. Aguardemos e veremos se algum Projeto de Lei será votado a partir de terça... As festas de São João, no entanto, me fazem lembrar do Festival de Quadrilhas de Santa Maria, aqui mesmo, no Distrito Federal. Quando estava na oitava série do ensino fundamental, participei da primeira edição do Festival. Nunca fui aquele dançarino de primeira. Fazia o básico: não errar os passos. Com minha contribuição, meu grupo foi o vencedor daquela edição. Porém, confesso, o mérito não foi nosso e, sim, da animadíssima torcida. Graças a ela vencemos o primeiro Festival de Quadrilhas de Santa Maria, cujos concorrentes são alunos de escolas da rede pública da cidade. Neste ano, a competição chegou a sua oitava edição. Não sei quem venceu dessa vez, pois não o assisti todo. Vi apenas a apresentação de uma escola de primeira a quarta série. E, observando os pequenos dançarinos, fui tomado de emoção. Veio à tona a reminiscência da época que cursava aquelas séries do ensino fundamental. Naquele ano, minha mãe preparou minha roupa. Encheu minha calça e minha camisa de retalhos. Só percebi o exagero da minha mãe quando observei meus colegas. Cheguei até a sentir vergonha da minha roupa. Acho que foi por isso que minha parceira desistiu de dançar comigo e foi embora. Para minha sorte, encontrei uma colega aos prantos porque estava sem parceiro. Acho uma tremenda sacanagem. É tanto que fiquei até traumatizado. Toda vez que vou a uma festa junina e vejo uma dançarina de quadrilha triste porque seu par faltou, trato logo de me oferecer, mesmo sem estar vestido à caráter e ainda que não tenha ensaiado. Já fiz isso três vezes. Somente em uma eu não estava com o traje a rigor, mas, em compensação, eu tinha bebido um pouco. Logo, não sou o mais indicado para lhe contar como foi. Mas... Eu lhe permito, estimado leitor, imaginar o que aconteceu.

Não é só Ronaldinho que se engana!


Estou fora desse negócio de beber, cair e levantar. Certa vez, eu, um colega e dois primos fomos a um show na Facita, em Taguatinga (DF). Antes mesmo de chegar lá, compramos duas caixinhas de cerveja para beber no caminho – ressalto que o motorista, um dos meus primos, não estava bebendo. Também aconselho a não beber antes de dirigir, pois já está valendo a lei que aplicará multa de R$ 900 e suspenderá por um ano a habilitação de quem for pego dirigindo depois de ingerir qualquer quantidade de bebida alcoólica –. Prosseguindo a história, chegamos ao show na Facita mais para lá do que para cá. O ingresso para a pista custava R$ 15. Deliberamos, portanto, que beberíamos todo nosso dinheiro e curtiríamos do lado de fora, afinal, dava para escutar tão bem quanto lá dentro. E assim foi. Só que a parte mais engraçada da história aconteceu no finalzinho da festa, por volta das três da madruga. Morrendo de bêbado, quase já sucumbindo, sem mais nem menos, eu, um colega e um dos meus primos, decidimos dançar com umas coroas, que estavam vacilando do lado de fora. Na verdade eram duas. Eu convidei uma, meu colega, outra. E meu primo ficou chupando o dedo, por enquanto (rs,rs,rs). No meio da dança, comecei a paquerar a coroa, mesmo percebendo o bafo horrível de cigarro dela. Quando olhei para trás, vi que meu colega já estava encaminhado. Pensei, só falta eu. Pelejei, pelejei, mas a coroa se fazia de difícil. Eu desisto rápido. Fechei os olhos e comecei a viajar na música. Neste momento de distração, a coroa quase me dá um beijo, se não fosse um recuo distraído que eu dei. A música terminou e fui conversar com meu colega. “E ae, José. Essas donas dá rock”, ele disse. Fiz uma proposta indecente para minha ex-parceira de dança, mas ela recusou. Como não gosto de mulher que faz doce, principalmente, quando é feia, chutei logo o balde e disse algo que prefiro não escrever. Meu colega começou a conversar com a coroa para tentar pedir desculpas por mim. Enquanto ele se distraia com ela, a outra coroa, que ele estava “pegando”, se engraçou para o lado do meu primo. Os dois começaram a dançar. Eu fiquei só observando os dois. De repente, eles começaram a se beijar. A coroa beijava meu primo com um ímpeto. Segurava na cabeça dele com um desejo. Abraçava-o com uma força. Foi neste momento que comecei a desconfiar. Eu nunca tinha visto uma mulher agir como a coroa agia com meu primo. A ficha só caiu quando chegou uma colega das duas coroas. Ah! Esta estava na cara que era um travesti. Foi aí que eu somei um mais dois e cheguei a conclusão: o meu primo estava beijando um travesti! E eu, por sinal, quase fiquei com um travesti! O meu colega também ficou com um travesti! Eeeeco!! Mas meu colega e meu primo não perceberam o que estava acontecendo. Tive, portanto, que avisar meu primo. “Não é por nada não, mas você acabou de ficar com um travesti! Há! Há! Há!”. Meu primo, não acreditando, pegou na mão da suposta coroa e observou. Viu aquela mãozonha cheia de pelo. Os travecos trataram logo de ir embora. O meu primo, ainda não acreditando, me perguntou se a coroa era traveco. Eu respondi que sim. Para quê que foi? O meu primo foi tomado de uma certa loucura. “Eu vou quebrar aquele traveco! Cadê ele? Cadê ele?”, perguntava meu primo, que tirou a camisa do corpo e começou a perseguir os travestis (ele tem a mania de tirar a camisa para brigar). Sorte que ele seguiu o caminho errado. Eu e meu colega fomos atrás dele para tentar acalmá-lo. “Me solta! Sai, sai! Eu vou quebrar aquele viado”, gritava meu primo. Próximo da gente tinha alguns policiais. Fiquei até com medo de eles nos prenderem, pois, além de gritar, meu primo estava nos agredindo, com socos e pontapés. Como os policiais já tinham nos visto bêbados perambulando por lá, acharam que era mais uma brincadeira de cachaceiros. Sorte nossa! Depois de muita discussão – eu tive que dizer que estava brincando, que aquelas coroas não eram travestis – o meu primo se acalmou. Até hoje, ele e meu colega pensam que beijaram uma coroa e, não, um travesti.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

E “os filhos deste solo” e “mãe gentil”?


As tropas de missão de paz do Brasil no Haiti estão no lugar errado. O nono contingente brasileiro que acabou de chegar lá tem que voltar correndo para cá. As favelas do Brasil estão vivendo uma guerra. Traficantes contra moradores. Polícia e exercito, também. As três últimas vítimas – dentre as quais um menor de idade – foram enterradas anteontem. Graças a 11 soldados, elas foram brutalmente assassinadas por traficantes, conforme noticiado pela imprensa nacional. Observando esse fato chego a seguinte conclusão: a missão de paz no Haiti é, nada mais, nada menos, que uma demagogia para tentar fazer o filme do Brasil, que almeja um assento no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Só espero que o mundo não caia nessa marmelada brasileira. Ah! Ressalto que não quero com este comentário defender o caos no Haiti. Pelo contrário, o país precisa, sim, de tropas para manter a ordem. Mas... Tinha que ser realmente do Brasil? Será que não tem nenhum país, que não esteja vivendo uma guerra, disposto a ajudar a pequena ilha? O povo do Haiti merece ajuda internacional. Se não fosse a guerra daqui, as tropas brasileiras deveriam ficar lá, atendendo ao pedido do pequeno haitiano Saviora-Joseph, de 12 anos. De acordo com reportagem do Correio Braziliense, ele “aprendeu a falar português em 2007, com os militares do Brasil. Para ele, os soldados, a quem chama na língua creole de bon bagay (“sangue bom”), têm ajudado muito as crianças da região [Cité Militaire]. Ele diz que antes da chegada das tropas o bairro era bastante violento, havia assassinatos freqüentes e maus-tratos a menores. Hoje, segundo Saviora, a situação é melhor e ele pode brincar nas ruas sem medo”. Realmente, eles merecem a ajuda, mas são só eles? E “os filhos deste solo” e “mãe gentil”? Será que eles não merecem paz?

CSS. A nova novela do Congresso Nacional


Estou tomando coragem para escrever sobre o novo imposto do cheque. É preciso muita coragem para escrever sobre um assunto que nem os próprios deputados conhecem bem. Quem acompanhou a votação na Câmara sabe que o texto da proposta foi apresentado em cima da hora. Amigo leitor, será que nossos representantes tiveram tempo hábil para debater a proposta? Faço o questionamento com base em um fato recente. Não sei se vocês lembram do que aconteceu com o texto que regulamenta a Emenda Constitucional (EC) 29. Ele foi votado duas vezes porque tinha sido aprovado com um “erro” na primeira votação. Eu até contei essa história aqui. Não custa repetir. Depois de uma sessão solene para celebrar o Dia Mundial da Saúde, ocasião em que os líderes de todos os partidos – inclusive aqueles (DEN e PSDB, por exemplo) que são contra a ampliação de gastos com o "povão" – manifestaram total apoio à aprovação do texto que regulamenta a EC 29. Dito e feito, à noite eles aprovaram a matéria, mas, felizmente, graças a um técnico do Ministério da Saúde, descobriu-se que, em vez de aumentar, a proposta reduziria os “gastos” com saúde em R$ 5 bilhões. Os senadores disseram que se tratava de um erro – é... Vamos acreditar, afinal, o texto foi aprovado com a correção. No entanto, a matéria aprovada no Senado regulamenta a EC 29 pela metade, pois, apesar de determinar os valores mínimos que Distrito Federal, municípios, estados e a União devem investir, por ano, em saúde, o texto não diz o que deve ser, realmente, considerado como gasto com saúde. Pois bem. A matéria seguiu para a Câmara. Lá, recebeu alteração, por isso, volta ao Senado. E qual foi a mudança? A CSS, Contribuição Social para a Saúde. Dizem que o novo imposto do cheque é para custear o aumento nos gastos com a regulamentação da EC 29. Se bem que dá para acreditar, pois, conforme números recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o governo gastou no primeiro trimestre 5,8%, ante o mesmo período de 2007. Estimado leitor, você lembra como foi a novela da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF)? Foi chata, não foi? Pois se prepare para enfrentar o volume dois dessa história. Se brincar, a novela da CSS vai durar até o final do ano, depois das eleições municipais.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Estou um ano mais velho


Recentemente, fiz aniversário. Confesso: não gosto de comemorar, é tanto que nem quero compartilhar contigo, prezado leitor, a data de meu nascimento. Só digo “recentemente”. No dia do meu aniversário, sinto uma crise existencial, principalmente, quando um conhecido vem me dizer “feliz aniversário”. Percebo uma alegria forçada. É como se a pessoa sentisse obrigação de estar feliz. Acho que, se realmente me considerasse, não esperaria meu aniversário para me presentear. Por que o presente não pode ser dado em qualquer dia? Hipocrisia. Acho uma tremenda falsidade estabelecer um dia para se presentear alguém. Então, quer dizer que uma mãe só merece presente nos dias das mães? A caridade só deve ser praticada no Natal? Já passei o dia do meu aniversário na faculdade sem que ninguém soubesse. Passou batido. Não fiz questão de contar para ninguém. Prefiro, sinceramente, festejar o aniversário dos outros, o que não quer dizer que não fiquei bastante feliz por completar mais um ano de vida.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O filósofo analfabeto


Há muito tempo, estimado leitor, eu queria lhe revelar que tenho um tio filósofo. Meu tio é negro, já tem a cabeça coberta de cabelos alvos – também pudera, acima dos 50 anos. Casado há mais de 25, criou três filhos. Ainda que considerado pelos irmãos como o mais ignorante, eu acho o meu tio sábio. Apesar de não ter aprendido a ler, eu o considero filósofo. Se alguém perguntar para o meu tio o que é filosofia, ele não saberá responder. O meu tio não estudou porque ele faz parte daquela geração que na infância, em vez de estudar, trabalhava. Tinha que ajudar os pais no sustendo da casa, principalmente, depois que meu avô morreu... Não quero aqui fazer uma biografia do meu tio, mas, sim, escrever sobre sua filosofia. Certa vez, eu disse para ele que estava “correndo atrás de um emprego”. Ele falou que, se eu continuasse assim, não encontraria um serviço tão cedo. “Você não tem que correr atrás”, advertiu-me. “Você tem que correr é na frente!”, sugeriu. Veja, caro leitor, que pensamento! E não é só isso. Outra vez perguntei-lhe: “Tio, se o senhor não sabe ler, como o senhor faz para pegar o ônibus certo?”. Mas que menino besta, ele disse, eu não pego. “Eu entro nele”. Quer mais? “Você não acha, tio, que está fazendo muito calor?”. Ele respondeu: “Não. Não está fazendo calor. O sol continua o mesmo. Ele sempre foi assim. Você é que está sentido calor”. Esses são só alguns pensamentos que me veio à memória. Olhe que eu ainda não citei nenhum de seus versos. Sim, caro leitor. Meu tio também é poeta. “Você não tem dinheiro/Passa a rasteira cai ligeiro”, declamou, depois que eu lhe neguei R$ 1 para ele tomar “uma dose”. “Você é que nem deficiente/Porque precisa da gente”, recitou certa vez para o filho desempregado. “Você tem que entender/Para poder saber/E para poder viver”, poetizou para mim no final de um sermão sobre as lições da vida. Prezado leitor, seu tivesse anotado todas as rimas, você poderia ler mais. Os versos que acabei de citar foram os mais marcantes. Se aparecerem outros tão bons quanto esses, não tenha dúvidas, logo lhe contarei. Agora, convenhamos, meu tio é ou não é um sábio?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Olha o que vem por aí – II!


Escrevi no dia 6, no post “Olha só o que vem por aí!”, sobre uma seleção para estágio que participei. E qual foi o resultado? Não ligaram para mim. Fui, portanto, eliminado. “Prezado Candidato”, dizia o e-mail que confirmava meu fracasso, “Agradecemos a sua participação (...). Desta vez, não foi possível seu aproveitamento na etapa de Dinâmica de Grupo. Agradecemos seu interesse em fazer parte de nossa equipe e desejamos sucesso em sua vida profissional”. A essa mensagem respondi com um singelo “Pode crê!”. Pensei em ter escrito: vocês deveriam ceder uma vaga para negros. Mas não. Deixei quieto e fui para o messenger. Lá, desabafei com uma colega. Ela, solidária, me consolou contando uma história que aconteceu com ela. “Ah, mas me deixa fazer um comentário para te deixar mais aliviado...”, começou. “Fiz prova de estágio para a Câmara dos Deputados. Fui bem, publicaram minhas matérias”, continuou. “E não fui chamada. Chamaram uma menina que nem fez prova”, finalizou. Fique assustado. Perguntei, portanto, como ela sabia de uma coisa dessas. Ela respondeu: “um amigo que trabalha lá me contou. Eu ia trabalhar na sala dele”. Caro leitor, não sei se foi isso que aconteceu no meu processo seletivo. Mas o infortúnio da minha colega me consolou porque me fez lembrar que estou no país da sacanagem e tudo pode acontecer, inclusive isso.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Santa ignorância!


Do inglês para o português, literalmente, Insert quer dizer inserção. Insert é o nome de uma tecla do teclado de um micro computador. Ela geralmente fica acima da tecla Delete – pode ver, caro leitor. Dê uma olhada no teclado do seu computador e me diga se estou errado –. Hoje aprendi para que serve a tecla Insert. Confesso também que há outras teclas que eu não faço a mínima idéia da serventia. E olhe que eu fiz dois cursos de operador de micro... E como descobri a utilidade da Insert? Confessei para um colega de serviço que não entendia porque determinadas vezes o Word apagava, sozinho, o que já estava escrito, quando eu fazia alguma “inserção” no corpo de um texto. Falei para o meu colega que, toda vez que isso acontecia, a solução que eu encontrava era salvar o documento, fechá-lo e abri-lo novamente. Ele, olhando com cara de assustado, como se não estivesse acreditando no que estava ouvindo, disse-me que isso acontecia toda vez que a tecla Insert era acionada. Percebi que o que ele estava dizendo tinha lógica porque, geralmente, o Word apagava, sozinho, o que já estava escrito, depois que eu apertava, sucessivas vezes, a tecla Delete. Como ela é próxima à Insert, eu, sem querer, acionava a tecla de “inserção”. Depois de me revelar o mistério, o meu colega acrescentou: “cara, isso vai mudar a sua vida”. Realmente. Isso vai mudar minha vida porque agora sei que não precisarei fechar o documente e, depois, abri-lo novamente para evitar que o Word apague, sozinho, o que já estava escrito, quando eu resolver fazer alguma “inserção”. Essa história vai ficar registrada assim como outra, que também envolveu um colega de serviço, mas de outra empresa que trabalhei. Naquela época, eu tinha acabado de fugir da aula de inglês. E a história aconteceu também quando eu estava usando o Word. Eu disse para o meu colega que a fonte de minha preferência era a “Times Néu Romam”. Ele pediu para eu repetir. Eu repeti: “Times Néu Romam”. Parecendo não acreditar no que ouvia, pediu de novo para eu repeti. Repeti: “Times Néu Romam”. Ele teve que procurar outro colega para ouvir a pronuncia aportuguesada mais uma vez. Foi aí que percebi que algo estava errado. E não repeti mais, portanto. Ele começou a rir e repetiu para o outro colega, que ele procurou, a pérola que eu acabava de soltar. Só então ele me explicou que o nome Times New Roman era inglês e que a pronúncia correta era “Taimes Nil Roman”. Santa ignorância! Ainda bem que ela não mata.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Olha o que vem por aí!


Hoje participei de uma seleção para uma vaga de estágio em uma grande empresa de comunicação (nossa, gente! Só faltou eu escrever “Querido diário”). Na verdade, era a segunda fase do processo seletivo. A primeira foi uma prova escrita. De acordo com um funcionário da empresa, que estava fazendo o controle de quem chegava, 75 candidatos fizeram a prova, apesar de 150 inscritos. Passaram para a segunda fase, que foi uma dinâmica de grupo, 24 estudantes. Eu sou um deles. E sabe quantas vagas a empresa está oferecendo? Apenas duas. Isso mesmo. Somente duas. Mas a proposta da empresa é muito boa. Depois de sei meses, o estagiário poderá ser contratado como trainee, sem contar o quanto ele poderá aprender. E como foi a segunda fase? Bom. A dinâmica em grupo teve três exercícios. No primeiro, cada candidato tinha que fazer uma pergunta para quem estava ao seu lado. Acho que arrebentei. Pedi para o estudante do meu lado falar um pouco sobre o nome dele. “Como, por exemplo, quem colocou seu nome e por quê?”. Ele respondeu que se chama Lincoln porque seu pai gostava muito do décimo sexto presidente dos Estados Unidos. Nossa. A pergunta foi bem feita, tanto que um cretino disse: “vocês combinaram”. Nem me importei. O segundo exercício da dinâmica foi muito chato. Chato porque os candidatos não colaboraram. Todos tiveram 15 minutos para escrever uma apresentação sobre si. Depois, cada um tinha que ler, ou falar, o que escreveu. O problema é quem preferiu falar – grande maioria – não respeitou o tempo limite de dois minutos. Tiveram momentos em que eu senti vontade de dizer “cala a boca” ou “já chega”; ou ainda, “você não precisa contar tantos detalhes”. Isso porque tinha gente que dizia, por exemplo: fiz estágio no jornal tal e teve uma vez que eu fui cobrir uma pauta sobre... e por aí ia e não acabava mais. A terceira atividade da dinâmica em grupo foi redigir uma matéria para jornal impresso com base em outra matéria, só que de rádio. Tivemos 30 minutos. Eu, como sempre, fiz um texto bastante curto. Terminei em 22 minutos. Entreguei e fui embora. Agora estou aguardando ser chamado. Terei a resposta até segunda. Se esse estágio for realmente como foi descrito pela selecionadora, será muito bom para minha formação. Ficarei muito contente, se eu for selecionado, pois, apesar dos idiotas, tinha na dinâmica de grupo muita gente boa. E olha que era uma seleção para estagiário. Com isso, já dá para avaliar o cenário que irei enfrentar no mercado de trabalho, após a conclusão do meu curso.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Blog do Paraíso completa um ano


Gente, hoje o Blog do Paraíso completa um ano. Quero agradecer a audiência de vocês, pois, se não fosse por ela, eu não teria escrito neste blog durante tanto tempo. Contando com este post, escrevi 147 comentários sobre diversos assuntos. Comentários vistos por 2 mil 427 visitantes do mundo inteiro. Um pouco menos da metade desses visitantes (44%) acessaram mais de uma vez o Blog do Paraíso, que recebeu, até agora, 4 mil 366 visitas. Quando fico sabendo que um leitor de Portugal, Espanha, Reino Unido ou dos Estados Unidos, visualiza o conteúdo do meu blog, fico muito satisfeito. Fico mais satisfeito ainda quando percebo a presença de gente de Manaus, Porto Alegre, Rio Branco, Fortaleza, enfim, gente de norte a sul deste país continental. Ressalto que não esqueci dos leitores de outros países e outras cidades, se eu fosse listar todos... Mas mesmo assim, mando um enorme abraço para os leitores de Brasília, que são a maioria. Só da capital do país, o Blog do Paraíso recebeu 2 mil 367 visitas. Muito obrigado a todos.

Vicissitudes da vida


Antigamente, quando eu tinha 12 anos, todo mundo dizia que eu parecia ser mais novo. Aliás, bem mais novo. Diziam que eu parecia ter oito ou nove anos. Mas a vida... (já dizia a companhia Os Melhores do Mundo) A vida é uma caixinha de surpresas. Depois dos quinze anos, a situação se inverteu. Nasceram em meu rosto várias espinhas. Minha cara se encheu de barba. Passei a usar óculos. E, o que aconteceu? Em vez de aparentar ser mais novo, eu, agora, aparento ser mais velho. Tenho 20 anos, mas aparento ter 25, senão mais. É assim mesmo. Antes eu achava ruim, mas agora nem me importo. Se aparentar ser mais novo tem suas vantagem, ter aparência de ser mais velho, também. Um rapaz, que tem cara de 25 anos, carrega consigo respeito. Afinal, já é adulto. Já alcançou a maturidade. Espera-se de uma pessoa com mais de 25 anos responsabilidade. Isso sem contar as mulheres que preferem caras mais velhos... Não sei por quê. Talvez elas devam gostar de homens que têm cara de homem. A vida pode ser um paradoxo. Mas quando suas vicissitudes são vistas pelo prisma do otimismo, é bem saborosa.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O valor da democracia


“As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco”, escreve George Orwel no último capítulo do livro A Revolução dos Bichos. A frase é a chave de ouro para encerrar uma obra que esclarece o que aconteceu com o ideal de Karl Marx. Quem leu o livro de George, sabe do que estou falando. Quem não leu, entenderá agora. Hoje, 4 de junho de 2008, é mais um daqueles dias que o mundo tem que refletir. O 4 de junho é como 11 de setembro; como o 6 e 9 de agosto; como o 26 de abril; enfim, como muitas outras datas de tristeza e horror. Em 4 de junho de 1989, aconteceu na Praça da Paz Celestial, em Pequim, capital da China, um massacre de milhares de estudantes, que protestavam contra a ditadura, persistente no país até os dias de hoje. Famosa no mundo inteiro, a imagem ao acima registra um dos estudantes tentando conter os tanques do exercito enviado pelo governo chinês, que se diz comunista. Mas... Espera aí. A teoria do comunismo pregada por Karl Marx não visa a melhoria da vida de todos? O comunismo não é um sistema onde todos são iguais? Observando a foto, há alguma igualdade entre o protestante e a repressão do estado? O que acontece na China não tem nenhuma inspiração na obra do filósofo alemão. O comunismo chinês é totalmente adulterado, da mesma forma que aconteceu na Revolução dos Bichos, de George Orwel. Intelectuais criaram um sistema para melhorar a vida de todos, mas a corrupção de alguns desvirtuou o projeto. O que acontece na China deve ser olhado como um exemplo a não ser seguido. Para darmos maior valor a democracia de nosso país, precisamos ter conhecimento dos horrores vividos pelos chineses.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Sobre o post abaixo


No post abaixo, falei somente da corrupção do GDF. Seria uma injustiça eu passar batido e não comentar a pilantragem dos empresários do transporte público. Mas antes, quero ressaltar que o que vou escrever a seguir é o que suponho, pois, infelizmente, não tenho prova por escrito, documentada e registrada em cartório (mas graças a liberdade de expressão – viva a liberdade de expressão! –, posso opinar baseado em suposições). Os empresários cooptaram os rodoviários. Assim como se faz com as marionetes, os donos das empresas de ônibus estão controlando os cobradores e motoristas. O que acontece é bem assim: os gananciosos donos de empresas de ônibus querem aumentar o preço da passagem para lucrar mais ainda, mas o GDF não permite isso (por enquanto). Para pressionar o Governo a autorizar o aumento nos preços das passagens, os empresários resolveram prejudicar a imagem do GDF, molestando os trabalhadores, inocentes. O instrumento usado, a greve dos rodoviários. Se a greve dos rodoviários fosse para o benefício da categoria e, não, dos empresários, em vez de parar a circulação dos ônibus, os motoristas e cobradores encontrariam outro jeito de protestar, sem prejudicar os trabalhadores, inocentes, pois não têm nada a ver com a corrupção do GDF e dos empresários. Por exemplo, os rodoviários dariam um tremendo prejuízo aos patrões se circulassem sem cobrar a passagem para os usuários do transporte público. Mas eles não fazem isso porque são pelegos. Se lutassem pelo interesse da categoria, não fariam a greve justamente no período que os patrões estudam aumentar o preço da passagem. Você já reparou, amigo leitor? Toda vez que os donos das empresas de ônibus estudam aumentar o preço da passagem, os rodoviários fazem greve. E vice-versa. E quem sofre nessa história toda é o pobre trabalhador. Como sempre na história desse país, é quem sempre leva pancadas.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O pior e mais caro transporte público do Brasil está em greve geral


As ruas de Brasília amanheceram hoje sem nenhum ônibus caindo aos pedaços. Isso mesmo. Aqueles ônibus velhos não apareceram nesta bruta segunda-feira. Ah! Já sei – deve pensar o leitor – finalmente o Governo do Distrito Federal (GDF) fez com que as empresas de ônibus tirassem os lixos de circulação. Mas, amigo leitor, os pontos de ônibus estão lotados. Nenhum trabalhador humilde foi ao serviço hoje. Afinal, o que aconteceu – questiona o leitor? Os rodoviários estão em greve, meu caro. E quem paga o parto, aliás, quem sempre paga o parto? Os trabalhadores que não têm nada a ver com a corrupção do GDF e dos empresários. Corrupção do GDF porque ele é conivente com o descaso no transporte público. Como já escrevi aqui, praticamente todas as empresas de ônibus que prestam serviço para o GDF não passaram por licitação. E ressalto: no final de 2006, Mil e 535 ônibus estavam com o prazo de validade vencida. Até hoje, sabe quantos ônibus o GDF trocou? Somente 670, o que representa 43,64 %, menos da metade (e o governo ainda anuncia o número como se fosse grande coisa. Como ele não mostra a porcentagem que representa os 670 ônibus, até parece mesmo grande coisa). Toda vez que os rodoviários entrarem em greve, eu vou repetir esses números vergonhosos. E tem mais. Lembro que o lucro dos donos das empresas de ônibus aumentou, no mínimo, 30%, pois o GDF retirou de circulação todas as vans do Sistema de Transporte Público Alternativo de Condôminos (STPAC). Já que as empresas não trocaram a frota de ônibus, o dinheiro que elas estão recebendo a mais deveria ter sido investido, pelo menos, nos rodoviários. Mais não foi isso que aconteceu. A situação problemática do transporte público é um sintoma que evidencia no caos que Brasília está se tornando. No mês passado, foram registrados nas ruas da capital Um Milhão de veículos. O número de veículos por habitante é maior que o número registrado em São Paulo. Em Brasília, nos horários de pico, há vários pontos de retenções. Acredita-se que a solução para diminuir a densidade do trânsito é investir no transporte público, mas parece que o GDF não sabe disso. Pena que a reportagem da revista Veja não considerou esses números quando escolheu o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, como exemplo de gestão (na edição do dia 9 de abril de 2008, a revista publicou, com o título “Seis homens, um destino”, uma reportagem sobre os “sinais de que há um jeito de administrar a máquina pública, com profissionalismo e menos politicagem”). Francamente. Ninguém merece.