Blog do Paraíso: Julho 2009

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A Comunicação Pública ignorada pelo ignorante


Lendo um editorial de um jornal com grande circulação nacional – grande se comparado com os demais, mas pífia se comparado com a quantidade de brasileiros economicamente ativos –, me veio a vontade e a inspiração para escrever este texto. O editorial trata da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Ao ler o artigo, lembrei do dia em que acordei cedo, desanimado e atrasado para fazer a prova de seleção de estagiário da extinta Radiobrás. Isso foi no final de 2006, quando eu tinha acabado de cursar o quarto semestre do Curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo. Estava desanimado porque pensava que não ia ser aprovado, afinal, eu nunca na vida tinha escrito um texto para TV e a prova que eu tinha escolhido iria, conforme o edital, conter questões sobre o texto televisivo.

Escolhi esse tipo de prova porque tinha muita vontade de trabalhar numa TV, além disso, pensava que o teste só ia ser aplicado no início de 2007, quando eu já teria começado a estudar a disciplina de telejornalismo.

Ainda assim, fui fazer a prova, mais uma vez, por pura curiosidade. Queria saber o que eles iriam me perguntar.

O teste foi aplicado na Universidade de Brasília (UNB). Foram apenas três questões discursivas. A prova era humanamente possível de ser respondida, diferente de outra prova, com dezenas de questões complicadíssimas, que fiz, pela internet, para estagiar em outra televisão. Desconfio até que a prova dessa outra televisão era apenas fachada, pois, na verdade, só entra lá quem tem um peixe forte ou é superdotado.

Desci correndo da L2 Norte para o Campus da UNB, pensando que estava atrasado. Mas, quando cheguei, com gostas de suor na testa, vi que a seleção ainda não tinha começado. Os portões sequer estavam abertos. Fiquei mais tranquilo. Minutos depois, conferi minha sala e fui realizar o teste.

Achei as questões fáceis. A primeira pergunta pedia para ler um pedaço da degravação do programa Café com o Presidente e fazer um texto para TV. Fiz uma nota. A segunda já nem lembro mais. A terceira era pessoal, tipo para saber se você é gente boa. Fui um dos primeiros a responder e a entregar.

Quando saiu o resultado, vi que estava aprovado, porém, o meu nome aparecia no pé da lista. Dois anos depois, no início de 2008, quando já estava editada a Medida Provisória que criou a EBC; quando eu já tinha esquecido da provava; quando eu já tinha feito a disciplina de telejornalismo; me ligaram e me perguntaram se eu ainda queria fazer o estágio. O tempo havia passado, mas eu ainda não tinha trabalhado numa redação de TV, portanto, minha curiosidade ainda existia, logo, aceitei.

A expectativa era muito grande. Pensava que ia chegar lá, pegar um microfone e ir para a rua, acompanhado de um cinegrafista. Tinha até esquecido que era estagiário. No entanto, não foi bem assim. Fui jogado numa tal de NBR. Nunca tinha ouvido falar. Nem sabia o significado da sigla. Hoje sei. Quer dizer “Nacional Brasil”.

A TV era tão precária, mais tão precária, que não tinha sequer uma redação própria. Ficava misturada com a redação da TV Brasil, usava os equipamentos da TV Brasil.

Minha função lá era atualizar tudo que aparecia no monitor da NBR. Quem nunca assistiu à Nacional Brasil, nem imagina do que estou falando. Mas eu explico. Na época que passei por lá, o grande lance da NBR era transmitir, ao vivo, os eventos do presidente Lula ou de seus ministros. Enquanto isso não acontecia, a Nacional passava, depois repetia, incansavelmente, documentários e alguns programas. Além disso, no canto direito do monitor ficava uma coluna de texto com a agenda dos ministros. Atravessando a tela, tinha uma linha onde corriam frases sobre a agenda e as atividades do presidente. Abaixo dessa linha, ficava ainda uma barra, onde subiam notícias referentes ao governo federal. Sobrava, para as imagens, portanto, apenas um pequeno quadrado.

Confesso. Quando vi que era lá, e naquela função, que eu ia trabalhar, senti vontade de pedir demissão e ir embora. Mas não. Fiquei. Eram só quatros horas. O valor da bolsa (salário) era baixo, mas valia a pena. Fiquei, portanto.

No começo, desconfiava que nenhum ser humano, além de mim, lia as informações que eu atualizava no monitor. Descobri depois que estava errado. Quando eu deslizava no português, assim como acontece, de vez em quando neste Blog, meus chefes me ligavam e pediam para eu corrigir o erro. Isso me fez ficar mais atento.

Para atualizar as informações, eu tinha que acessar os sites de todos os ministérios, fundações, bancos, enfim, sites que eu pensava que jamais frequentaria.

Para publicar informações quentes, passei, por iniciativa própria, a assistir às transmissões, ao vivo, das atividades do presidente Lula. Quando isso acontecia, muitos colegas ficavam putos, pois o áudio do aparelho de TV que eu usava era desregulado. Quando não estava muito baixo, a ponto de quase nada ser ouvido, ficava muito alto, e toda redação ouvia. Só que eu não estava nem aí.

Depois que virou lei a criação da EBC, mais gente foi contratada, porém, o espaço permaneceu o mesmo. Eu tinha que ficar disputando computador com repórteres, editores e produtores. Foi uma época muito complicada, mas durou pouco tempo. A redação da NBR foi transferida para o segundo andar do prédio. O espaço não era só dela. Tinha que dividir com a redação da Voz do Brasil.

Quando a redação da NBR mudou, eu também mudei de função. Passei a trabalhar na produção. Acho que, ao publicar informações quentes do Lula, meus chefes perceberam o meu esforço e, por isso, resolveram me dar uma oportunidade, me colocando em outra atribuição.

Com a nova função, passei a navegar mais ainda nos sites oficiais do Governo Federal, à procura de novidade. Aprendi a produzir pautas observando o trabalho dos meus colegas. Nunca tive vergonha de perguntar.

Só que aprendi também a sofrer junto com eles. Tudo que dava de errado era culpa da produção, pelo menos era o que dava a entender. Parecia que o que tinha de pior na redação era a produção. Os repórteres não tinham um pingo de respeito pelos produtores. Alguns chegavam até a dizer que não iam fazer a pauta.

Sem contar o dilema que a produção vivia. Quando não tinha pauta, sobravam equipes e repórteres. Mas, quando tinha pauta, faltavam equipes ou repórteres.

Eu me esforçava o máximo. Procurava personagens. Fazia sugestões de perguntas e encaminhamentos. Tentava dar um enfoque que mostrasse a importância do assunto para o cidadão. Chegava a passar duas, três, quatro horas produzindo uma pauta. Faltava só cortar os pulsos e derramar meu sangue em cima da pauta, como oferenda de meu sacrifício.

Mas, quando o repórter recebia a pauta, com as pontas dos dedos, e dizia “muito fraco”, parecia que todo o meu esforço tinha sido em vão. Parecia não, meu esforço tinha sido em vão, principalmente, quando a pauta não era feita.

Teve uma vez que eu não aguentei. Ouvi certa vez um repórter falando mal de minhas pautas. Então, eu perguntei. “Por que você não troca? Vira produtor e vem nos ensinar, assim eu também aprendo com você”. Gente, o cara virou uma fera. Insultou toda a equipe dizendo que nosso trabalho não chegava aos pés de uma produção de verdade...

Bom. São lembranças de um passado recente que eu relembro agora, depois de ler um artigo de um jornal famoso. De acordo com o editorial, a EBC tem um orçamento de R$ 350 milhões. O texto dá a entender que o dinheiro serve apenas para custear os “cabides de emprego”. Para o editorial, portanto, a TV Brasil (ele não cita a NBR) deve ser fechada, “antes que se desperdice mais dinheiro do contribuinte”.

A opinião do artigo reflete total desconhecimento ao valor da Comunicação Pública. Talvez, se quem escreveu o texto tivesse passado o que passei, jamais o escreveria.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Arruda é um caso à parte


O governador do Distrito Federal (DF) José Roberto Arruda (DEM) é um caso à parte, deve ser objeto de estudo. Ele já foi aliado do ex-governador Joaquim Roriz (PMDB) e adversário do seu vice Paulo Otávio (DEM). Hoje, os papéis estão invertidos, pelo menos, aparentemente.

Arruda é inimigo de Roriz. O ex-governador, inclusive, já acusou José Roberto de lhe ter passado a perna (veja vídeo acima). Já o seu antigo adversário, atualmente, todos sabem, é seu vice.

Mas... e aí? Até quando isso vai continuar? Será que o tabuleiro da disputa de 2010 pode inverter essa situação? Ninguém sabe. Ninguém sabe qual será a composição da chapa do atual governador. Paulo Otávio como candidato a governador ou a vice? E quais serão os candidatos a senador?

Até agora, Arruda não definiu seu apoio para seus quatro aliados e aspirantes a senador. São eles, em ordem alfabética: o senador Adelmir Santana (DEM) (era suplente de Paulo Otávio); o deputado federal licenciado para assumir a Secretaria de Transporte do DF, Alberto Fraga (DEM); e os deputados federais Robson Rodovalho (DEM) e Tadeu Felippelli (PMDB).

A lista de aspirantes ao Senado, com apoio de Arruda, pode aumentar, se o senador ("educação") Cristovam Buarque (PDT) não fechar com o PT, possibilidade cada vez mais próxima, conforme podemos observar nos discursos do "educação" contra o presidente Lula.

O PDT-DF possui cargos no GDF. Cristovam, o "educação", pode fechar com Arruda ou sair sozinho.

Bom. Enquanto as eleições não chegam, Arruda faz o papel da “boa virgem”. Corteja todos, mas não diz quais serão os dois candidatos da chapa majoritária para disputar as duas vagas que o DF tem direito no Senado Federal.

Será que dá para confiar na palavra de Arruda?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Racismo no Twitter de Danilo Gentili


Antes, eu não perdia o programa “CQC”. Mas, há um tempo, não assisto mais. Por duas razões. Primeiro: minha TV não pega muito bem o canal. Segundo: não suporto a arrogância dos apresentadores e repórteres. O segundo motivo é maior que o primeiro. Bem maior.

Se você prestar bem atenção nas matérias, o mais importante não é a resposta e, sim, a pergunta. Assim como o programa "Pânico na TV", o que mais aparecem nas matérias são as perguntas (não sei se isso é resultado do trabalho do editor).

A arrogância fica explicita, principalmente, quando o repórter fala uma besteira achando que está abafando. Às vezes, o editor até cochila e permite o vazamento de parte da resposta do entrevistado. Quando isso acontece, quem está em casa percebe a besteira falada pelo repórter. Quem está em casa percebe ainda que o repórter insiste na besteira. Não tem humildade para voltar atrás, pedir desculpa (mas se por trás das câmeras há pedidos de desculpa, aí são outros quinhentos).

Não bastasse na TV, um repórter do “CQC” escreveu no Twitter uma grande asneira que lhe pode render um processo por racismo, isso porque o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) já anunciou que irá investigar o caso.

Agora há pouco, eu mesmo li a mensagem no Twitter do humorista Danilo Gentili que compara jogador de futebol com o gorila do filme King Kong.

“Agora no TeleCine KingKong, um macaco q depois q vai p/ cidade e fica famoso pega 1 loira. Quem ele acha q e? Jogador de futebol?”, escreveu o humorista.

Ele até tentou se justificar com outras duas mensagens. A primeira diz: “Alguem pode me dar 1 explicacao razoavel pq posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa mas nunca um negro de macaco?”

Que arrogância, meu Deus! Seria mais simples, e traria menos problemas, se ele apagasse a mensagem que comparou jogador de futebol com macaco e, em seguida, escrevesse: “Desculpe pela piada de mau gosto, gente”. Seria mais aceitável, afinal, todo mundo erra. Mas não. A arrogância não deixou.

E tem mais. Faço questão aqui de responder porque ele nunca pode chamar um negro de macaco. Se Danilo não sabe, há uma enorme divida da sociedade brasileira com o negro, porque, durante 300 anos, ele foi explorado como escravo e, ainda hoje, são os mais excluídos. Nem o gay, nem o gordo e muito menos o branco foram escravos no Brasil – pelo menos, oficialmente.

Além disso, quem foi que disse que gay, gordo e branco gostam de ser chamados pelos apelidos listados pelo humorista?

Já na segunda mensagem para justificar o injustificável, Gentili escreve: “Reparem: na piada do KingKong nao disse a cor do jogador. Disse q loira saiu c/ cara pq e famoso. A cabeca de vcs q tem preconceito hein”.

Seria preciso dizer a cor do jogador, quando se sabe muito bem que o futebol é uma das poucas maneiras de ascensão social do negro?

E ainda tem gente que continua assistindo ao programa dessa cara na TV.

Palavra


Palavra
Que revela a verdade
Ofende a vaidade
De quem tem poder
E muito dinheiro para corromper

Mas palavra
Depois de lançada
É eterna
Não é esquecida
Pela justiça

terça-feira, 28 de julho de 2009

Arruda vai mesmo cumprir o acordo com Paulo Otávio?



A pergunta que a imprensa brasiliense (arrudista) morre de medo de fazer e foge, como o diabo da cruz: o governador José Roberto Arruda (DEM) vai mesmo cumprir o acordo firmado com o homem mais rico do Distrito Federal (DF) – e dono da empresa que construiu, e constrói, quase todos os prédios da Capital –, o vice-governador Paulo Otávio (DEM)?

De acordo com o acordo, Arruda não vai ser candidato à reeleição no cargo de governador do DF em 2010. Ele vai ser o vice do empresário Paulo Otávio que se candidatará governador nas próximas eleições, conforme prometido por José Roberto.

“Trata-se de um acordo público, noticiado pelos jornais, comentado pelos comentaristas, analisado pelos analistas, colunado pelos colunistas”, escreveu o mestre Leandro Fortes no seu blog.

Se o vice-governador confiou mesmo na promessa, não duvido que ele acredite em histórias como a de Adão e Eva, papai Noel, três porquinhos – histórias até mais verídicas, se comparadas com o acordo feito por Arruda, o mesmo homem que mentiu para todo o Brasil, no episódio da violação do painel eletrônico (veja acima o vídeo que não vou cansar que postar aqui neste blog).

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Até onde Lula deve defender o senador José Sarney?


O ser humano comum, aquele que raramente (para não dizer, nunca) lê um blog como este. O ser humano que está mais preocupado se vai ter dinheiro no final do mês para pagar suas contas; aquele que tem medo de perder o emprego ou que procura um melhor, estudando para concurso. Sim. O ser humano comum, comum – não quero dizer ignorante ou desinformado, mas comum; comum mesmo; apenas comum.

O que tem o ser humano comum? Se você, prezado leitor, já está fazendo esta pergunta, imagino que já entendeu a quem me refiro quando digo “o ser humano comum”. Pois é. Alguns seres humanos comuns estão se questionando: por que o presidente Lula está apoiando o presidente do Congresso Nacional, o senador todo poderoso do Maranhão, porém, eleito pelo Amapá (ahm?), José Sarney (PMDB)?

A resposta é bem simples. Lula defende Sarney porque quer garantir a governabilidade (entenda-se aprovar projetos no Senado sem muita dificuldade). Sarney é da ala do PMDB que está sempre mamando nas fartas tetas do governo – se é que existe alguém daquele partido que não segue a parasitagem peemedebista; é só olhar para a história, para o governo do seu estado, o PMDB nunca é oposição; ele é sempre governo, independente da ideologia.

Logo, quem deseja a saída de Sarney é a oposição, no entanto, esse interesse não está bem claro. As notícias contra o senador surgem como se fossem resultado do árduo trabalho de fiscalização da imprensa – e é nisso que o ser humano comum acredita.

Para o ser humano comum, defender Sarney, portanto, se tornou até imoral – e eu até concordo. O presidente Lula já deveria ter percebido. Lula deveria ponderar se vale a pena mesmo defender o bigode mais famigerado do Brasil.

Até onde Lula deve defender o senador José Sarney? Qual é o limite?

Para o ser humano comum, o limite já chegou. Aliás, para o ser humano comum, o limite já passou. E não é que ele está certo?

domingo, 26 de julho de 2009

Mais uma vitória do orkut


Na verdade, há muito tempo eu resolvi abandonar o orkut, pois tinha chegado à conclusão de que era (e é) um desperdício de tempo navegar nessa rede de relacionamento.

Agora estou de volta. Por ironia ou não, encontrei uma utilidade no orkut. Tenho que dar o braço a torcer. O site de relacionamento é uma febre entre os brasileiros, portanto, há muita gente lá. Gente, inclusive, que sequer tem computador em casa. Logo, como comunicólogo, reconheço o alcance do orkut, principalmente, agora, que estou trabalhando com as redes sociais...

Estou, portanto, de volta para observar e atuar no que diz respeito à comunicação no orkut, inclusive, participo da comunidade do Comitê de Estudantes e Jornalistas. Lá, posso manter contato com os participantes do Comitê e, o mais importante, mobilizar meus colegas para defender a profissão de jornalista.

Acho que é isso. Mais uma vitória do orkut.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Capítulo XIII

Os olhos de Gabriela mal piscavam. Toda sua atenção era para a tela da TV. O seu desenho animado preferido tinha acabado de começar. Não havia nada que sua mãe, dona Paula, fizesse para tirar a atenção de Gabriela, naquele momento. Somente uma pessoa poderia fazer a pequena esquecer a TV durante a exibição do desenho animado.

- Querida, cheguei! - exclamou João, fã de um seriado de TV sobre dinossauros.

Ao ouvir a voz do pai, Gabriela se desperta, pula do sofá e sai correndo em direção da porta de entrada da sua casa. Acostumado com a recepção calorosa da filha, João abre os braços e se curva um pouco, o suficiente para Gabriela o alcançar, após saltar, também com os braços abertos. João dá um abraço firme em sua filha. Suspende Gabriela, a coloca no chão e, depois, lhe dá um beijo na testa e pergunta:

- Onde está a sua mãe?

- Ela está tomando banho, papai.

João e Gabriela se dirigem para o sofá, no meio do caminho, a pequena não para de falar um minuto. Conta todas as novidades do dia para o pai. João senta no sofá, muda de canal e começa assistir ao final da novela. Gabriela já não lembra mais do seu desenho animado preferido. Para ela, o mais importante agora é deixar seu pai informado das novidades.

- Sabe a Luana, papai? Aquela que estuda na minha sala.

- Sei - João responde, para dar a entender que, apesar do cansaço, ainda consegue prestar atenção na história da filha.

Gabriela fala, fala, sem parar. João mal consegue ouvir a TV, não por causa da falação de sua filha, mas, sim, por causa do barulho do aparelho de som de Tião que, de tão alto, faz todos os moradores ouvir a música tocada por ele.

“TAM, TAM, TAM!” (estralo de dedos), “TAM, TAM, TAM! (estralo de dedos)”, era o barulho de uma das músicas que invadiam a tranquilidade de João. Após mais um estralo de dedos, o rap prosseguia com uma letra que, para João, era incapaz de ser compreendida. Para ele, era apenas um barulho perturbador. “Será que eles realmente estão curtindo essa música?”, João se questionava.

- Chega aê, Pedro - Tião gritou.

Cabeça raspada e redonda. Testa mais redonda ainda e lisa. Rosto magro, fino, com bigodinho ralo, típico de adolescente. Pele morena clara. Pedro não era alto. Era mediano e magro. Como os demais jovens, gostava de usar bermudão folgado e caindo.

- Fala - disse ao se aproximar de Tião.

- Quem é aquele cabrito alí? - Tião questionou se referindo ao rapaz que o acompanhava.

- É o meu primo.

O nome do primo de Pedro era Bruno. Ele aparentava ser mais forte que Pedro. Usava o cabelo descolorido, amarelo. Seu olho era meio esverdeado. Usava brinco nas duas orelhas. Tinha tatuagem na perna direita, nas costas e no peito, porém, andava sempre com camisa. Quando estava se aproximando da esquina, antes de Tião chamar seu primo, Bruno já imaginava do que se tratava, pois reconheceu Marciano, o rapaz que ele quase assassinou com uma pedrada.

Bruno era uma pessoa fria. Já havia sido preso por homicídio. Não tinha medo de ninguém, ainda assim, quando seu primo foi falar com Tião, ele hesitou. Parou um instante e aguardou seu primo retornar. Pouco tempo depois, mudou de ideia e se aproximou para ouvir o que Tião dizia.

- É, meu amigo, fala para seu camarada aí tomar cuidado, senão ele vai passar é mal aqui! - Tião ameaçou.

Ao perceber que Bruno se aproximava, Tião aumentou a voz e começou a olhar com cara feia para o primo de Pedro. Certamente Bruno era novato na rua, pois não conhecia a fama de Tião, o traficante da pesada.

- Você está vendo aquele bicho ali? - Tião perguntou para Bruno apontando para Marciano.

- Aquele bicho ali é meu chegado. Ele me contou do desacerto entre vocês dois. Eu só te digo uma coisa. É melhor você ficar de boa aqui na quebrada senão vai passar é mal.

- Quem é que vai botar eu para passar mal aqui? - Bruno perguntou desaforadamente.

- Oxê, Bruno! Você tá doido é cara? - Pedro interveio, pois sabia que Tião não era flor que se cheire - Tião, pode deixar quieto. Eu vou resolver essa parada...

Tião perdeu a paciência. Empurrou Pedro para ele sair do cominho e foi na direção de Bruno. Tião meteu a mão na cara de Bruno. Ao se recompor, Bruno pensava em partir para cima de Tião, mas desistiu ao ver o revólver calibre 38 reluzindo na mão do seu agressor.

- Você é muito folgado. Eu poderia te sapecar agora, mas você tem sorte porque a rua está lotada e eu ainda considero o seu primo. Não deixa eu te pegar vacilando por aí.

Percebendo que já estava mais do que na hora de sair dali, Pedro puxou seu primo pelo braço e foi embora.

Tião se achou o máximo, após a demonstração, ante Marciano, Jacinto, Ramixiaire, Bruna e Camila.

- Guarda esse revólve, rapaz, senão a polícia te prende - assustado, Marciano recomendou.

“Pá, pá, pá”, Tião disparou para o alto três trios.

- Há, há, há, não dá nada!

Poucos minutos depois, cruzou a rua uma viatura da polícia.

- Vixe, os canas estão rodando por aí - disse Jacinto - acho melhor mesmo você moca essa máquina, Tião.

- Leva então lá pra sua casa.

- E se o folgado do Bruno voltar?, disse Marciano aterrorizado.

- Então vou deixar aí na sua casa, que fica mais perto.

Com receito, Marciano aceitou esconder na sua casa o revólver.

Por volta das três horas da madrugada, João ainda podia ouvir de sua casa, na mesma altura, o barulho da música tocada pelo aparelho de som empenhado de Tião. Faltavam apenas duas horas para João se levantar, se arrumar e ir para o trabalho. Por causa do barulho, ele tinha a impressão de não ter dormindo nada. Várias vezes João pensou em ligar para a polícia, mas desistiu. “Não é possível. Alguém já deve ter ligado”, pensava. João não sabia se estava com medo de fazer a ligação ou se estava acomodado, esperando por um vizinho.

“Pi, pi, pi, pi”, tocou o despertador. Já era hora de João se levantar para ir para o serviço. A festinha dos jovens, no entanto, ainda prosseguia animada.

- Ave Maria, será que esse barulho não vai ter fim?, perguntou dona Paula.

- A gente tem que mudar daqui, Paula. Eu não aguento mais. Não dormi quase nada por causa do barulho.

- Ir pra onde João?

- Sei lá.

João foi à cozinha fazer um café. Dona Paula continuou deitada.

Os pardais começaram a cantar.

- Nossa! Já está amanhecendo - disse Marciano - coloca mais um pouco de cerveja aqui no meu copo, Jacinto.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sarney, Sarney, chegou a sua vez


Sarney, Sarney,
Eu bem que avisei
Agora já era
A oposição não espera
Quando voltar do recesso
Vai ter que sair da presidência do Congresso
A telefonada de sua neta prova
Você mentiu
Descaradamente para todo Brasil

“Vai lá em casa hoje à noitinha”
Falou Fernando a sua filhinha
“E entrega pro ajudante de ordem do seu avô”
(o currículo do seu amor)
"Falei com vovô"
Informou depois a neta de Sarney
Não se passou sequer a metade de um mês
Um ato secreto foi assinado
E o namorado de Bia, nomeado

Sarney, Sarney,
Como no passado
Renan não foi cassado
Mas saiu com o filme queimado
Sarney, Sarney,
Chegou a sua vez

terça-feira, 21 de julho de 2009

"A" mentira mostrada como verdade absoluta

Assistindo a esta reportagem veiculada ontem (20) pelo Jornal Nacional, parece até verdade a lorota estadunidense de que o homem foi à Lua em 20 de julho de 1969. Logo, não é estranho uma grande mentira se tornar verdade com a ajuda da poderosa “grande mídia”. Enquanto algumas dezenas de pessoas estão lendo o Blog do Paraíso, milhões de brasileiros assistiram à reportagem que faço questão de publicar aqui com intuito de mostrar que não sou um louco desinformado.




Mas quem manda é você, amigo leitor. Assista à reportagem, leia o meu texto e, por fim, tire suas próprias conclusões.

“A” mentira – mais informações sobre a missão Apolo 11

Não foi suficiente o comentário que eu fiz ontem a respeito da viagem de 20 de julho de 1969 da missão Apolo 11. Escrevo, portanto, o texto abaixo com meus argumentos e trechos de um artigo feito pelo consultor de informática André Basílio, autor do site “A Fraude do Século”.

Gente, veja abaixo o vídeo de ida e volta da histórica viagem do homem à Lua. Sinceramente, da vontade de dar risadas do material de tão tosco que é. Fica mais engraçado ainda só de pensar que, há 40 anos, o mundo inteiro é enganado por esta lorota.





Preste bastante atenção na imagem que mostra o momento em que a nave decola da Lua. Suponhamos que a filmadora seja automática, logo, a imagem deveria ficar estática, porém, há movimentos que acompanham a subida da espaçonave. Outra coisa, quem apertou o botão do zoom? Será esta uma das funções automáticas da câmera? (Uma tecnologia como essa naquela época?)

Agora, gostaria de reproduzir o mais interessante trecho do artigo de André Basílio. Veja:

“Um visitante do site A Fraude do Século, que se identifica como KTF, um engenheiro que fez doutorado na área de Ciências Aeroespaciais na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, com vários professores e engenheiros que participaram do projeto Apollo da NASA, que teve a oportunidade de conhecer pessoalmente Neil Armstrong, nos brinda com um depoimento muito instigante! Ele diz que "no caso das pegadas e das marcas dos suportes do módulo lunar, se uma pegada feita por um astronauta pode fazer a marca indicada nas fotos, imagine a 'marca' que os suportes do módulo fariam no solo lunar. Não se observam estas marcas! O sistema de propulsão para frear o módulo teria feito uma enorme marca no solo devido à força dos gases (princípio da ação e reação). Como você observou [veja foto acima], essas marcas não existem. Em segundo lugar, o 'piloto automático' não funcionou, segundo o relato de um professor que ajudou no projeto. O Filtro de Kalman teve que ser desativado por falta de ruído, e Neil assumiu o comando manual causando um grande impacto no pouso. Onde estão as marcas do impacto?" Segundo KTF, muitos norte-americanos acreditam piamente que o módulo pousou na Lua embora hajam alguns aspectos técnicos inexplicáveis. Segundo ele, que não acredita na versão oficial da NASA, a viagem à Lua provavelmente aconteceu, mas não o pouso no solo Lunar! KTF ainda diz que "Outro ponto, como você observou, é o tamanho do módulo lunar que não é consistente com o sistema de propulsão necessário para colocar os astronautas de volta em órbita lunar. Há muitos outros itens que podem ser contestados. Mesmo sendo um tecnocrata profundo conhecedor de muitos detalhes técnicos, não acredito ainda que o homem tenha tocado o solo lunar e retornado." Com certeza, KTF nos deu uma grande contribuição para que caminhemos rumo à verdade.”

Conclusão. Acredita na história de que o homem foi à Lua quem quiser e tiver fé.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Gente, ninguém é obrigado a acreditar na história dos americanos de que o homem foi à Lua

Mentira tem pernas curtas. O ditado quer dizer que, logo, logo, uma inverdade será descoberta, porém, isso não está valendo para a histórica viagem do homem à Lua. Já são 40 anos e a verdade ainda não veio à tona.



Você acredita, prezado leitor, no que dizem as imagens, borradas, do que seria a primeira viagem do homem à Lua?

Muita. Muitíssima gente acredita que em 20 de julho de 1969 o homem foi à Lua. Só por isso, eu também tenho que acreditar? Não sou “Maria vai com as outras” – pelo menos, nesse caso. Prefiro, portanto, duvidar da missão Apolo 11.

Duvido!

Não sou obrigado acreditar nessa história. Da mesma forma, acredita em papai Noel quem quiser.

É isso aí.

Duvido, principalmente, porque as circunstâncias (da Guerra Fria) por si só levam a questionar o fato. É muita coincidência pouco tempo depois do primeiro satélite ser lançado o homem ir a Lua.

E você? Acredita?

Brasília ganha mais um evento de rock


Para reavivar o título de Capital do Rock, um grupo de jovens se reuniu para promover, até a data de aniversário de 50 anos de Brasília, uma turnê de shows de rock no Distrito Federal.

A primeira cidade escolhida é a mais populosa do DF. De acordo com a organização, “Rock in Ceilândia” é o nome do primeiro show que vai contar com apresentação de 14 bandas, campeonato de Skate e sorteio de brindes (piercing, chaveiro e camisa).

O show está previsto para as 14h e 30 do dia 25 de julho, na Praça dos Eucaliptos de Ceilândia. A entrada é um quilo de alimento.

“Estes aí são os meus comunistas”


O meu leitor sabe muito bem que sou um “foca”, um recém formado, ainda não passei por uma redação de jornal – e pelo jeito (veja o texto abaixo) não vou passar tão cedo.

Só que, pelo menos na teoria, sei mais ou menos as poucas e boas que um jornalista passa dentro de uma redação. “Os tolos dizem que aprendem pela experiência. Eu prefiro aproveitar a experiência dos outros”, disse certa vez Bismark, isso de acordo com o livro “As 48 Leis do Poder”.

Por exemplo. Quando eu estava no segundo semestre do curso de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo – época que eu acreditava no lirismo da profissão –, um professor de “Jornalismo Político”, que eu chamava de “ilariê” (o nome dele era (ou é?) Hailé Selassié) dizia que o dono da Globo, o finado Roberto Marinho, que Deus (ou o diabo?) o tenha, chegava na redação do jornal “O Globo”, em plena ditadura militar, e, apontando para os repórteres, dizia (a frase é tão impactante que tem que ser escrita na linha de baixo):

“Estes aí são os meus comunistas”.

Durante todo aquele semestre, o meu professor não cansava de dizer isso.

Outra frase que eu cansei de ouvir, porém, dita por quase todos os professore, era a seguinte: “o jornalista tem liberdade de escrever aquilo que o dono do jornal quer”.

Quer dizer então que a culpa do que sai na imprensa é do dono do jornal? Quer dizer que, quando é publicado uma matéria tendenciosa, sem citar o outro lado, a culpa é do editor, que segue as ordens do patrão?

Se a resposta para essas duas perguntas for “sim”, uma outra deve ser respondida: por que o jornalista assina o texto da matéria tendenciosa?

Se é para escrever o que o chefe quer, prefiro fazer assessoria de comunicação.

Prefiro, portanto, ser um eterno assessor de comunicação, pois assim não estarei enganando o meu leitor empunhando a falsa bandeira da imparcialidade e da independência.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O limite é o céu para o GDF gastar dinheiro do povo com a imprensa


O Governo do Distrito Federal (GDF) parece não ter um limite para realizar, com o dinheiro do povo, negócios milionários com a imprensa.

Já estou até cansado de escrever neste blog a relação promiscua entre o GDF e os veículos de comunicação.

Para o governador José Roberto Arruda (DEM), não são suficientes os 38 milhões de reais gastos em publicidade no primeiro trimestre de 2009, conforme números do sistema que registra os gastos do GDF (Siggo), levantados pela reportagem da rádio CBN, em 17 de abril deste ano.

Sim, amigo leitor. Há mais dinheiro nessa história. O GDF firmou um acordo com o Correio Braziliense e com a Editora Abril num valor total ainda desconhecido, porém, milionário, conforme números do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro).

De acordo com o Sinpro, o acordo, ou contrato, sem licitação, estão avaliados em cerca de R$ 3 milhões e 500 mil.

Só do Correio Braziliense, segundo artigo de Venício A. de Lima, o GDF vai comprar cerca de 16% da tiragem média do jornal, em dias úteis, "até o fim de 2009".

Os jornais vão ser distribuídos nas escolas públicas do Distrito Federal neste ano pré-eleitoral. O maior problema é que os professores sequer foram consultados a respeito da medida do GDF. No início deste mês, o Sinpro, portanto, entrou com uma representação no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios pedindo providências acerca do acordo.

De fato, providências devem ser tomadas, pois os alunos das escolas públicas não merecem consumir o tipo de jornalismo praticado pelo Correio Braziliense. São comuns naquele jornal matérias opinativas e parciais, onde é mostrado somente um lado envolvido no fato.

Um exemplo foi a cobertura da greve dos professores do início deste ano. Faço minhas as palavras do texto de Venício:

“Num domingo, 8 de março de 2009, o Correio Braziliense, principal jornal do Distrito Federal, dedicou duas páginas (uma delas a capa) do seu caderno "Cidades" a ampla matéria na qual encampava publicamente a posição de porta-voz do Governo do Distrito Federal (GDF) contrária à anunciada greve dos professores da rede pública de ensino. Os professores reivindicavam o cumprimento de um acordo salarial.

O título principal da matéria era "Greve sem causa" e uma coluna encimada pela retranca "Visão do Correio", intitulada "Crime de lesa-futuro" fazia, dentre outras, as seguintes afirmações: que a ameaça de greve era descabida; que o reajuste salarial ultrapassava os limites do bom senso; que não se apelava ao idealismo dos professores, mas ao profissionalismo...”

Nessa ampla matéria, não houve ao menos uma mísera linha em defesa dos professores.

Quanto a Editora Abril, segundo informações do Blog da Paola, “no dia 15 do mês passado, o Governo do Distrito Federal liberou R$ 442.462,50” para a empresa. Em troca, será empurrado aos alunos o conteúdo das revistas da Editora.

O mais curioso dessa história é que, em menos de um mês após o contrato, o “excelentíssimo” governador José Roberto Arruda foi o personagem entrevistado nas páginas amarelas da revista Veja.

Como se pode perceber, não há limite e, cada vez mais, menos pudor em esconder a relação promiscua do GDF (entenda-se democratas Arruda) com a imprensa.

terça-feira, 14 de julho de 2009

As previsões apocalípticas para a era pós-fim da exigência do diploma de jornalista


Após o fim trágico, e cômico, do dispositivo da lei que obrigava o diploma em Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, para o exercício da profissão de jornalista, já é possível fazer algumas previsões apocalípticas a respeito do futuro do profissional e do jornalismo brasileiro.

Antes, porém, devo destacar que não sou nenhum vidente. As previsões, a seguir, são feitas com base no “óbvio ululante”: não foi para defender a liberdade de expressão que o Supremo Tribunal Federal (que vergonha!) acabou com a exigência do diploma para jornalista; afinal, com a regra em vigor, sem contar os blogs, mais de 40% dos artigos publicados nos jornais eram escritos por pessoas sem curso superior em jornalismo.

A decisão suprema, portanto, tem por objetivo favorecer as empresas noticiosas, interessadas em pagar menos salários e enfraquecer os veículos alternativos que atualmente estão produzindo conteúdo de qualidade com a mão de obra excedente de jornalistas recém formados.

Eis as previsões:

1ª – Ouvirás piadas sem graça sobre a profissão de jornalista. (O presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes, inclusive, foi o primeiro a cumprir essa previsão. Antes mesmo do julgamento que derrubou o diploma, ele comparou jornalista com cozinheiro).

2ª – Terás mais dificuldades ainda para encontrar emprego.

3ª – Receberás menos ainda por seu trabalho.

4ª – Verás a sua graduação se transformar em um curso técnico.

6ª – Terás, portanto, menos colegas nas salas de aula do curso superior de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo.

7ª – Verás mais sensacionalismo nos jornalecos e nos jornalões.

8ª – Consumirás mais opinião e boato do que notícias apuradas com critério e ética.

9ª – Terás dificuldade em ler ou ouvir um português razoável.

10ª – Verás mais gostosonas e gatões apresentando ou reportando notícias na TV.


Faltou alguma? Diga enviando um comentário para este post.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Análise da linguagem fotojornalística: Obama recebe camisa da seleção


Gente, olha só a cara do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao receber do presidente Lula uma camisa da seleção brasileira.

Se formos levar em consideração apenas as informações que a foto passa e o resultado da final da Copa das Confederações entre Brasil e Estados Unidos, quando os brasileiros venceram, de virada, os americanos, vamos ter uma má impressão dos dois presidentes.

Considerando apenas as informações da foto e daquele jogo, dá a entender que o presidente dos Estados Unidos não gostou do presente e, por isso, está fazendo uma cara de deboche. Caberia até a seguinte fala: “Nossa, a camisa da seleção brasileira. Grande merda!”.

Já o presidente Lula aparece com um sorriso, digamos, “amarelo”. Como se ele estivesse pensando, “o Obama não gostou. Que pena. Eu pensei que ele também torcia para a nossa seleção”. Só um miolo mole pensaria assim, mas é o que dá a entender, ao observarmos a foto, considerando apenas as informações da brilhante vitória, repito, de virada da seleção brasileira sobre os Estados Unidos – foram 3 a 2!

Agora, quem pensaria tudo isso que eu acabei de escrever acima? Sei lá. Talvez um engraxate quando passar por uma banca de jornal ou a dona Maria, quando estiver voltando das compras. A não. A dona Maria não. Ela tem mais o que fazer, talvez não tenha visto o jogo. Mas o seu João da padaria. Ah! Esse sim. Esse sim deve ter recebido direitinho a mensagem dos jornais brasileiros que publicaram a foto aqui comentada.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Não vamos esquecer tão cedo a tarde de 17 de junho de 2009!


Aqui, no Blog do Paraíso, para ser mais preciso ainda, na seção Blog de Chegados, há links para sites de estudantes e jornalistas parceiros ou integrantes do Comitê de Estudantes e Jornalistas.

Os editores (as) de Acontece Brasília, Chico e a Info Com, Discutível Replay, Guaraná Rosa, Kirka Lopes, Meu Mal Necessário, Sílvia Mendonça e Volo Libero são defensores da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Muitos deles, assim como eu, participaram do histórico protesto realizado em 22 de junho na Praça dos Três Poderes.

Estou escrevendo este comentário apenas para dizer que não será esquecida tão cedo a tarde do dia 17 de junho de 2009, quando 8 ministros se acharam no direito de desqualificar gente que passou ou passará 4 anos estudando a ciência da Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo.

A nefasta tarde de 17 de junho não será esquecida tão cedo, senhores ministros, graças aos editores dos sites citados acima. Conforme se pode notar (clica lá no link deles, para você ver), os editores estão divulgando toda a movimentação em defesa do jornalista por formação, causa do Comitê de Estudantes e Jornalistas.

Mas apenas isso não é o bastante. Estamos nos mobilizando para fortalecer mais ainda nosso movimento.

Por quê?

Porque não vamos esquecer, senhores ministros!

Não vamos esquecer tão cedo a tarde de 17 de junho de 2009!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Repórter do CQC apanha de um segurança do senador Sarney

Eu não consigo entender porque ainda tem gente que acha que o Brasil ainda vive na ditadura militar. Será que é o costume que ainda não foi perdido? Ou será nostalgia?



Acima o vídeo onde o repórter do CQC apanha de um segurança do senador José Sarney (PMDB-AP).

O socialista mais neoliberal que os próprios neoliberais


Qual é a diferença entre o partido Democratas (DEM) e o Partido Popular Socialista (PPS)? No Governo do Distrito Federal (GDF), nenhuma. O deputado federal Augusto Carvalho (PPS) é o secretário de Saúde do DF que é governado por José Roberto Arruda (DEM). Não é novidade, porém, é muito estranho um parlamentar de um partido que se diz socialista participar de um governo neoliberal.

Se estou bem informado, as ideias socialistas são totalmente contrárias às ideias neoliberais. Enquanto o socialismo prega a distribuição de renda igualitária e o fim da exploração do trabalhador, o neoliberalismo defende “ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres”. Mas parece que para o deputado Augusto Carvalho não existe nenhuma diferença entre as duas correntes. Ele, inclusive, está participando da terceirização da saúde no DF.

O site Contas Abertas, que é ligado a Augusto Carvalho, só sabe fazer cálculos com as despesas do governo federal, administrado pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca veremos no Contas Abertas quanto o GDF vai gastar a mais com a terceirização do serviço do hospital público de Santa Maria-DF.

O Contas Abertas jamais nos dirá quanto o GDF está gastando com propaganda; muito menos quanto a especulação imobiliária está rendendo para o bolso das construtoras do DF.

Augusto Carvalho, portanto, é o socialista mais neoliberal que os próprios neoliberais.

Veja no vídeo abaixo o que Augusto Carvalho está fazendo como secretário de Saúde:

terça-feira, 7 de julho de 2009

Magela lança pré-candidatura ao GDF nesta quinta-feira


Com o lema “Nem passado, nem presente, Magela um futuro diferente”, o deputado federal Geraldo Magela (PT-DF) vai lançar na quinta-feira, 9 de julho, a sua pré-candidatura ao Governo do Distrito Federal (GDF). O evento está marcado para as 19h, no teatro dos bancários, que fica entre as quadras 314/315 da Asa Sul, Brasília. Petistas e simpatizantes estão todos convidados.

No meu entender, o “passado” se refere ao ex-governador Joaquim Roriz (PMDB), aquele do bezerro de ouro, e o “presente” simboliza o atual governador José Roberto Arruda (DEM), o mesmo que violou o painel eletrônico do senado.

Com o lançamento da pré-candidatura do deputado Magela, o PT já tem dois pré-candidatos, isso porque o ex-comunista Agnelo Queiróz lançou no mês passado a sua pré-candidatura. O PT, portanto, vai realizar eleição prévia no ano que vem para escolher o candidato petista para disputar o cargo de governador, conforme determina o estatuto do Partido.

Sinceramente, não arrisco a afirmar que vai ter eleição prévia no PT-DF; não arrisco em afirmar que Agnelo Queiróz vai ser o candidato petista ao GDF; não arrisco em afirmar que Geraldo Magela vai ser o candidato ao cargo de governador.

Política é muito relativa e instável. Acho que há muito tempo até a definição do candidato petista. No entanto, eu tenho preferência. Acho que o deputado federal Geraldo Magela tem mais chances que o ex-ministro do Esporte. Diferentemente de Agnelo, Magela tem um cargo eleitoral e ocupa posições importantes no Congresso Nacional, além de ter obtido um resultado bastante significativo contra o ex-governador Roriz em 2002, quando disputou com o comprador de bezerro de ouro o GDF. Naquele pleito, a diferença não passou de 1%, sem contar o ardil de Roriz.

Já Agnelo, em 2006, quando enfrentou o home do bezerro de ouro, perdeu por uma diferença de 8,9%, sem contar que Queiroz sequer é conhecido pelos petistas. Devido ao pouquíssimo tempo que saiu do PCdoB, muita gente ainda não sabe que Agnelo é filiado ao PT.

Mais uma vez, o jeito é esperar para ver.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sinpro quer providências sobre contrato do GDF com veículos de comunicação

O Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Leonardo Azeredo Bandarra, recebeu, na tarde de ontem (1º), representação do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro). O Diretor do Sinpro, Antônio Lisboa, pediu providências sobre contratos celebrados pelo Governo local com a Revista Veja e com o Jornal Correio Braziliense. Conforme o documento, 191 escolas públicas estão recebendo exemplares dos veículos de comunicação que são utilizados como material de apoio pedagógico.

Segundo o Sindicato, os profissionais de educação não foram consultados a respeito do assunto. Além disso, não foi realizada licitação e os recursos utilizados para o convênio são do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb), que devem ser destinados 60% ao pagamento de pessoal e 40% a manutenção das escolas.

A representação do Sinpro será encaminhada para as Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público (Prodep) e de Defesa da Educação (Proeduc). Os dois contratos estão avaliados, de acordo com o Sindicato, em cerca de R$ 3 milhões e 500 mil.

Fonte: Ministério Público Distrito Federal e Territórios

Senador apresenta PEC que prevê a exigência de diploma para jornalista

A proposta de emenda à Constituição (PEC), que prevê a exigência de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, para o exercício da profissão de jornalista, foi apresentada no início da noite de ontem (1º) à Mesa Diretora do Senado pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB- SE).

A proposta foi assinada por 50 dos 81 senadores. Na PEC, Valadares propõe acrescentar o Artigo 220-A à Constituição. “O exercício da profissão de jornalista é privativo do portador de diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação, nos termos da lei”.

A PEC será agora encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde será analisada a sua constitucionalidade e o seu mérito. Se aprovada, seguirá para a votação em dois turnos no plenário do Senado. Aprovada pelo Senado, a PEC segue para a discussão e apreciação da Câmara.

No dia 17 de junho o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por oito votos a um, a inconstitucionalidade da obrigatoriedade do diploma em curso superior específico para o exercício da profissão de jornalista no Brasil. Os ministros acolheram o recurso ajuizado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) e pelo Ministério Público Federal (MPF) contra uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que tinha afirmado a necessidade do diploma.

Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Comitê entrega Carta para o senador Antônio Carlos Valadares


Representantes do Comitê de Estudantes e Jornalistas entregaram na manhã desta quarta-feira uma cópia da “Carta aberta à sociedade brasileira” para a assessoria do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE). O senador, segundo sua assessoria, vai apresentar até as 18h de hoje uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para regulamentar o exercício da profissão de jornalista. “O senador já colheu 50 assinaturas para apresentar a proposta”, informou a assessoria de Valadares.

O Comitê de Estudantes e Jornalista foi criado em 22 de junho, ocasião em que 200 estudantes e jornalistas se reuniram na Praça dos Três Poderes para protestar contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar o dispositivo da lei que exigia diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista. “Não queremos ver a garotinha do Big Brother em nosso jornal”, protestou, naquele dia, a jornalista Rosana Maria (assista ao vídeo acima).

A imprensa noticiou que em 22 de junho nenhum dos 11 ministros estava no STF, no entanto, assessores dos ministros saíram até a janela do prédio e fizeram um sinal de apoio para os manifestantes.

“Vamos continuar nos mobilizando para tentar reverter a decisão do STF. Só que para isso é muito importante a participação dos estudantes e jornalistas”, disse os representantes do Comitê.

O Blog do Paraíso é parceiro do Comitê de Estudantes e Jornalistas. Todas as notícias referentes à movimentação do Comitê serão publicadas aqui.