Blog do Paraíso: Dezembro 2009

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010!!


O ano de 2009 terminará em poucas horas. Neste texto, deixarei impresso o meu desejo para 2010. É uma consideração que pode ser lida agora, amanhã, depois, nas próximas semanas, meses ou anos, o que é bem diferente de você dizer “feliz ano novo”. A frase é dita hoje, mas a pessoa que a diz ou ouve não pode viver sequer um minuto de 2010. Sei lá. O futuro só a Deus pertence. Já pensou se um grande desastre acontece e todos os seres humanos morrem antes de chegar o ano de 2010? Essa possibilidade já não é mais possível na Nova Zelândia, pois lá já é 1º de janeiro.

Para 2010, desejo a todos muita saúde e paz; que, no carnaval, a escola de samba Beija-Flor de Nilopolis receba muitas vaias por homenagear os 50 anos de Brasília sem mencionar a corrupção dos políticos; que nas comemorações de meio século da capital da República o governador do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda (ex-DEM), seu vice, Paulo Otávio (DEM), os deputados distritais vendidos e os empresários corruptos, enfim, que todos os envolvidos no esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal recebam, sem demora, a devida punição; que a seleção brasileira de futebol seja campeã da copa do mundo na África do Sul; que, nas eleições, os brasileiros votem bem, quero dizer, que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), não seja eleito presidente do Brasil e que o ex-senador Joaquim Roriz (PSC) perca as eleições, já no primeiro turno, para governador do DF; desejo ainda que a Congresso Nacional aprove a Proposta de Emenda da Constituição (PEC) e o Projeto de Lei (PL) que restabelecem a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, direito subtraído covardemente em 17 de junho pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ainda – infelizmente – presidido pelo ministro Gilmar (Dantas) Mendes.

Enfim, feliz 2010!!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O maior problema das próximas eleições


O maior problema das próximas eleições não será a participação de candidatos corruptos, mas, sim, de eleitores estúpidos, cretinos e descarados. Infelizmente, eles são a maioria e estão dispostos a receber qualquer bagatela em troca de seu voto. Para eles, o candidato bom é aquele que lhe oferece algo em troca, como dinheiro – não precisa ser mais de 50 reais – e, principalmente, emprego. Aliás, promessa de emprego que, em quase todos os casos, não é cumprida.

Conheço um senhor que ilustra bem este tipo de eleitor. Ele não teve muitas oportunidades na vida. Não frequentou por muito tempo a escola. Mal sabe escrever seu nome e ler algumas palavras. Um típico analfabeto funcional. Ele diz, sem nenhum pudor, que votará naquele candidato que lhe der qualquer coisa, por mais insignificante que seja. “Pra quê vou votar em quem não me dá nada?”, pergunta, como se seu voto não tivesse nenhum valor. “Todos eles são ladrões mesmo. Quando eles estiverem eleitos, vão desaparecer e esquecer da gente. Então é melhor ganhar alguma coisa agora, antes que eles somem”, explica, pensando ser esperto, dá algumas gargalhadas, logo em seguida – se fosse eu, chorava!

Quando ele me falou isso, fiquei assustado, desanimado e perplexo. Como ele pode pensar assim, até hoje me pergunto. O que será que passa pela cabeça dele?

Quer outro exemplo? No início de 2007, conversei com vários trabalhadores da empresa Fiança, que presta serviços gerais e de segurança. Minha intenção, na época, era encontrar algum caso de abuso de poder econômico, além dos apresentados pelo presidente do PT-DF, Chico Vigilante, no processo contra o deputado distrital Cristiano Araújo (PTB). A propósito, em 15 de dezembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), por cinco votos a um, absolveu Cristiano, filho dos donos da Fiança. Para o TRE-DF, Araújo não coagiu os trabalhadores da empresa a votar nele, em 2006.

Na conversa que tive com os trabalhadores da empresa, percebi muito medo dos funcionários da Fiança. Muitos sequer quiseram tocar no assunto, como se fosse possível seu patrão ficar sabendo de sua denúncia. Teve um segurança que aceitou falar em off, mas com muito medo. Ele disse que os encarregados ameaçaram que, quem não votasse em Cristiano Araújo, seria demitido. Como assim? O voto é secreto. Como eles saberiam quem não votou no filho do dono da empresa? O segurança disse que eles fizeram um mapeamento para ter o controle e saber os votos. Não entendi bem como isso seria possível. Tentei até convencer o segurança que não era possível saber quem votou ou não em Cristiano, mas ele insistiu, afirmando que os encarregados tinham o controle.

Os trabalhadores da Fiança mais corajosos negaram qualquer tipo de coação. “Eu votei nele, sim, porque ele me dá este emprego, que sustento minha família, pago minhas contas e compro meu de comer. É melhor votar nele do que votar em quem não me dá nada”, disse um deles.

Infelizmente, esta é a mentalidade da maioria dos eleitores brasileiros.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Ser contra o plebiscito da eleição presidencial é reconhecer, antecipadamente, a derrota do PSDB


Os brasileiros irão às urnas, em 2010, para demonstrar, por meio do voto, se os oitos anos em que o PSDB ficou na presidência da República foram melhores que os últimos oitos anos, onde o Brasil foi governado por um político do PT. A próxima eleição presidencial, na verdade, será um plebiscito, se o plano do atual governo der certo. A estratégia é boa e justa, afinal, os principais candidatos a presidente do Brasil são do PSDB e do PT. Nada mais justo do que perguntar aos brasileiros qual foi a melhor gestão, em igual período de tempo.

Se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), o governador de São Paulo, José Serra, candidato do partido a presidente do Brasil, e os demais tucanos estão certos de que fizeram um bom governo, e que são capazes de fazer outro melhor ainda, não há porque temer. Pelo contrário, a comparação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será uma oportunidade para mostrar aos brasileiros que FHC foi melhor. A não ser que, realmente, os oitos anos de governo do PSDB foram uma lástima, que não podem sequer ser comparados com a gestão petista.

Os políticos do PT estão convencidos de que o governo do presidente Lula foi bem melhor que o governo de FHC. E com razão. Com exceção do Plano Real, que contou com a colaboração de vários intelectuais, qual é o legado do governo FHC? Nenhum. Se por um lado as privatizações melhoram um pouco o serviço, por exemplo, de telecomunicação, por outro, custa muito caro para os brasileiros, que hoje pagam quase 100 reais apenas para ter um telefone em casa, sem tirá-lo do gancho.

As eleições de 2010 deveriam ser encaradas pelos tucanos como uma oportunidade de me convencer, e de convencer também os brasileiros que têm a mesma opinião, que estamos errados; que as privatizações foram boas. Será uma oportunidade do PSDB dizer para onde foi o dinheiro da venda das estatais. Em que foi investida a grana que o país tomou emprestada do Fundo Monetário Internacional (FMI)?

A única razão para o PSDB criticar e fugir do plebiscito proposto pelo PT é o reconhecimento de que os oitos anos do governo de FHC foram bem ruins. Muito ruins. Mais tão ruins. Tão ruins a ponto do partido não querer lembrar como foi o último governo tucano.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A todos, feliz natal!!


O natal, há séculos, é celebrado pela humanidade não apenas como o dia do nascimento de Jesus Cristo, mas como uma festa marcada pela confraternização e pela troca de presentes.

Cada um tem sua maneira de festejar o natal. A mais comum, pelo menos no Brasil, é reunir amigos e familiares numa grande ceia, esperar a meia noite chegar para todos desejarem, juntos, um feliz natal.

Para mim, a comemoração pode muito bem fugir do padrão, principalmente, para aquelas pessoas que estão longe de amigos e familiares. No caso, o melhor não seria uma ceia, mas pode ser uma festa, numa boate qualquer, ou, se preferir, vá a uma igreja que celebre a data, como a Católica Apostólica Romana, que sempre realiza missa na véspera.

Mas o importante mesmo é não se esquecer de lembrar das pessoas que você mais gosta. Ligue, mande um e-mail, ou uma mensagem, enfim, não importa o meio, mas lembre dela e deseje boas festas, assim como eu. Não me esqueci de você, amigo leitor. E, por meio deste blog, estou lhe escrevendo para desejar boas festas e um feliz natal.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Roriz pode estar na frente, mas não tem a mesma força de antes


A primeira pesquisa Datafolha realizada depois do escândalo do mensalão do DEM revelou que o ex-senador Joaquim Roriz (PSC) venceria a eleição para governador com 44% a 48% dos votos, mas não quer dizer que Roriz é o favorito e, muito menos, imbatível. É preciso levar em consideração a força política do ex-governador. No partido que está, e com os aliados que tem, o político que renunciou ao mandato de senador para não ser cassado em 2007 teria nas próximas eleições, aproximadamente, um minuto de tempo na televisão, o suficiente para dizer seu nome e que é candidato.

No Brasil, qualquer estrategista político sabe, a televisão ainda é a principal ferramenta na campanha para senador, governador ou presidente.

A televisão atinge todas as camadas da sociedade, principalmente, a mais pobre. A maioria dos eleitores de Roriz são moradores da periferia do Distrito Federal (DF), como Santa Maria, Recanto das Emas, Samambaia e Ceilândia. São, na verdade, pessoas que foram beneficiadas com lotes doados pelo Governo do Distrito Federal (GDF), na época que Roriz estava no poder.

A maioria das doações dos lotes aconteceu no segundo mandato de Roriz, entre 1991 e 1995. Em 2010, completará 15 anos que a mesma política de doação de lotes não acontece. O tempo foi suficiente para muitos moradores venderem seu imóvel e surgir novos eleitores, a geração que hoje têm mais de 16 anos, idade que a justiça eleitoral permite o eleitor votar.

Os jovens serão um público a ser conquistado por meio do programa político de TV, o que será bem difícil em um minuto. E mesmo se tivesse tempo, Roriz não tem discurso para o público jovem. O ex-governador gosta muito de falar em doações de leite, pão e mais lotes.

O tempo de TV de Roriz também não será suficiente para ele se defender dos ataques de seus adversários, que podem divulgar a provável participação do ex-governador no esquema de corrupção, segundo as investigações, chefiado pelo atual governador José Roberto Arruda (ex-DEM).

Roriz, portanto, não possui a mesma força de antes. Seus eleitores, em gratidão ao lote ganhado, podem até lhe dar um bom resultado nas eleições para governador, levando a disputa para o segundo turno, mas não será o suficiente para vencer.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Mensalão do DEM deixa indefinida disputa para governador do DF


A disputa para governador do Distrito Federal (DF) tomou um novo rumo, depois que veio à tona o mensalão do DEM. Antes, havia três candidatos favoritos. O atual governador do DF, José Roberto Arruda (ex-DEM), o ex-governador Joaquim Roriz (PMDB) e o recém-filiado ao PT Agnelo Queiroz. Muitos acreditavam num segundo turno entre Arruda, considerado até então o candidato mais forte, e Roriz, enfraquecido por ter saído do PMDB. Havia ainda outra possibilidade, talvez a mais distante. O candidato petista poderia se beneficiar do racha entre Arruda e Roriz e ir para o segundo turno com um dos dois.

Agora, com o escândalo do mensalão do DEM, onde Arruda seria o chefe de um grande esquema de arrecadação de propina, compra de apoio de deputados distritais, caixa dois em campanha eleitoral, dentre outros crimes, a disputa para governador, em 2010, toma outro rumo.

Arruda deixa de ser o candidato mais forte. Com sua desfiliação do DEM, segundo a lei eleitoral, o governador não poderá se candidatar à reeleição, pois o prazo de filiação de candidatos terminou em 3 de outubro.

Os candidatos mais conhecidos, portanto, são Roriz e Agnelo, o que não quer dizer que serão os favoritos. A saída de Arruda da disputa para governador abre espaço para novos nomes. Apesar de ter feito um acordo com Chico Vigilante, presidente do PT-DF, existe a possibilidade de o deputado federal Geraldo Magela retornar para a disputa. O acordo entre os dois foi celebrado durante as eleições internas do PT – o tal do Processo de Eleições Diretas (PED). No acordo, Dirsomar Chaves, candidato a presidente do PT apoiado por Magela, deixou a disputa para apoiar Roberto Policarpo, candidato do Chico Vigilante, em troca do apoio do PT-DF à candidatura de senador do deputado Magela. Policarpo venceu com 75% dos votos a eleição para presidente do PT-DF.

Agnelo ou Magela, o PT, se souber aproveitar a atual situação, tem uma grande oportunidade de voltar ao Governo do Distrito Federal. Principalmente, se o partido repetir no DF a aliança nacional do PT com o PMDB. A não ser que o deputado federal, e presidente do PMDB-DF, Tadeu Fillippelli arrisque uma candidatura solo ou, o que é mais difícil ainda, apóie outro partido.

O senador Cristovam Buarque (PDT), que já foi governador do DF, pelo PT, é outra possibilidade, que teria como vice o deputado distrital José Antônio Reguffe (PDT). Mas parece que Cristovam quer ser mesmo é presidente do Brasil. Ele, portanto, buscaria a reeleição, ganharia mais oitos anos no Senado e concorreria à presidência da República em 2014, sem o risco de ficar sem mandato. O senador pedetista ainda não deixou claro para a opinião pública o que quer.

Se Cristovam não for candidato a governador, Reguffe pode ser, embora ele tenha retirado sua pré-candidatura. Mas isso foi antes de vir à tona o mensalão do DEM. Agora, as coisas são diferentes.

Roriz, Agnelo, Magela, Filippelli, Cristovam e Reguffe são alguns dos nomes para candidato a governador. Podem surgir mais, como o da ex-vice-governadora Maria de Lurdes Abadia (PSDB). Até porque a época de dossiês ainda não chegou. Geralmente, os documentos surgem no calor das eleições e podem, até, derrubar potenciais candidatos com revelações de crimes cometidos há pouco tempo pelo político. Em outra frase, tudo pode acontecer até o resultado final da disputa para governador do DF.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Campanha presidencial pode estar por trás do mensalão do DEM


Quem diria que a campanha para a presidência da República estaria por trás da revelação do mensalão do DEM? O interesse da imprensa nacional pelo escândalo de corrupção no Governo do Distrito Federal e a recente decisão do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), de abandonar a pré-candidatura a presidente do Brasil, são duas peças que se encaixam.

O governador do DF, José Roberto Arruda (ex-DEM), em várias ocasiões públicas, manifestou simpatia a candidatura do governador mineiro à presidência da República, mesmo sabendo que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), é favorito em todas as pesquisas. Antes de Aécio tomar a decisão de abandonar a disputa presidencial, Serra, no meio político, já estava escolhido como o candidato tucano para suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT e PMDB).

Ainda assim, em junho deste ano, por exemplo, Arruda deu uma entrevista para as Páginas Amarelas da revista Veja, onde não assumiu como certa a candidatura de José Serra. Pelo contrário, ele disse que não dava para afirmar que a ministra Dilma, Serra ou Aécio seriam os candidatos no ano que vem. “Muita coisa ainda pode mudar”, sinalizou na época.

O governador mineiro também nutria, e manifestava publicamente, admiração ao então único governador pelo Democratas, que poderia, até, ser candidato a vice-presidente do Brasil na chapa demotucana, em 2010. Se o escândalo do mensalão do DEM não tivesse vindo à tona, Arruda poderia ter sido o principal orador num ato solene que ocorreria no início de dezembro, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Enquanto isso... “o cara que está em São Paulo no governo é uma merda!”, é assim que Arruda pode ter se referido a José Serra, no diálogo com o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, em 21 de outubro de 2009, quando a Polícia Federal colocou na roupa de Durval equipamento para gravar conversa com Arruda, suspeito de ser o chefe do mensalão do DEM.

Leia, a seguir, o contexto do diálogo que contém a frase dita por Arruda:


Durval: e outra. É, cê conversou com a dona dos olhos verdes de São Paulo da Unieco que o Gifone acho que trouxe, mas... conseguiu conversar com ela? 

Arruda: não. 


Durval: então conversou com o PO [Paulo Otávio (DEM), vice-governador]. É... o Augusto [Augusto Carvalho (PPS), então secretário de Saúde] mais o Antunes [Fernando Antunes, presidente do PPS-DF e então secretário-adjunto de Saúde] tomaram muito dinheiro dela, muito. Renovaram contrato, fizeram, fizeram um (???), pra renovar esse contrato. Sei que andaram tomando tudo quanto é dinheiro da mulher e, e, e da empresa lá. Aí, quando cê mandou aquele bilhete, o Ricardo fez um levantamento, negócio de reprografia e tava caro, tal e tal e tal. Não tava, não era aquilo. Tava... não era verídico aquilo. Ele esqueceu de pesquisar no lugar certo. Aí foram lá na sala e chegou lá, é outro departamento, é outra coisa. Aí o Augusto aproveitou para dar uma porrada na mulher e fez uma auditoria lá, esculhambando com a empresa. Que não vejo mais nem maneira... Aí, ligaram para ele de São Paulo, eu falei: cê quer que eu saia? Aí, “não... não quero que saia não, eu quero que cê atenda São Paulo aí e tal”. Tá esquisito, né? Como é que vai dar (???), né? Via São Paulo. Eu não sei quem quer ir atender em São Paulo. Não sei se é o Freire [Roberto Freire, presidente nacional do PPS] por lá ou alguma coisa assim. Freire que tá (???). Eu disse: porra! 

Arruda: o cara que está em São Paulo no governo é uma merda! 

Durval: eu falei, é, mas tá saindo aí sem comando? Sem o comando do Governador? Isso aí fica como esse negócio? 

Arruda: Durval, quem a gente tem que colocar na saúde, hein? Tem que achar um médico.

Notem que o governador Arruda manifesta desejo de tirar o deputado federal Augusto Carvalho do comando da Secretaria de Saúde, porque estaria perdendo controle sobre o esquema de arrecadação de propina. Na gestão de Carvalho, em dois anos, os gastos da Secretaria de Saúde pularam de 235 mil reais para 14 milhões e 800 mil reais, somente em serviços gráficos prestados pela Uni Repro Soluções Tecnológicas. Em vídeo gravado por Durval Barbosa, a diretora comercial da Uni Repro, Nerci Soares, assume que o presidente do PPS-DF, Fernando Antunes, extorquiu dinheiro da empresa para repassar ao partido, em São Paulo.

Notem ainda, no diálogo, a irritação de Durval após a frase “Freire que tá (???)”. É uma pena a Polícia Federal não ter conseguido transcrever esta frase completa. Ela poderia ser mais reveladora ainda.

O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, é, declaradamente, oposição ao governo do presidente Lula e apoiador da candidatura de José Serra a presidente do Brasil.

As peças se encaixam, o que deixa claro, portanto, que por trás da revelação do mensalão do DEM está a disputa pela presidência do Brasil.

Jornal Nacional acompanha mensalão do DEM desde o início

O Jornal Nacional está acompanhando o mensalão do DEM desde 27 de novembro, dia em que a Policia Federal realizou a operação Caixa de Pandora. O mensalão do DEM não cairá no esquecimento, se o telejornal continuar com a cobertura, o que será bom, pois os culpados podem até ser punidos, seja por meio da lei ou apenas pelo desgaste político.

Produzido pelas organizações Globo, o Jornal Nacional, quando quer, faz jornalismo, e dos bons – veja acima esta matéria veiculada na quarta-feira (16). Mas não é sempre que a cobertura é assim, conforme se pode observar no passado. Na época da ditadura, quando surgiu o telejornal, o primeiro nacional, tudo parecia ser flores. O jornal era incapaz de criticar a ditadura militar. Pelo contrário, ele apoiava o regime. Talvez foi por isso que o período de repressão durou mais de 20 anos, o que prejudicou muito o país.

Infelizmente, a imprensa brasileira é assim. Baila conforme a música. Mas nem tudo está perdido. Com a internet, o (e)leitor consciente pode escolher a informação que achar mais importante, frequentado diversos sites ou blogs, como este. Aqui, você não encontra tudo, mas um pequeno pedaço do grande espelho que caiu das mãos de Deus e se quebrou em milhões de partes, conforme diz um provérbio Iraniano sobre a definição da verdade.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

DEM, até agora, não apresentou nenhuma sanção a PO


O Democratas (DEM) acha que é diferente do PT e do PSDB, no envolvimento com o mensalão, isso porque a cúpula demo pediu a expulsão, do partido, do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), e do presidente licenciado da Câmara Distrital Leonardo Prudente (DEM), aquele que abarrotou as meias com maços de dinheiro. O DEM, contudo, está enganado. Não é diferente do PT e do PSDB, porque apenas escolheu dois bodes expiatórios. Afinal, a punição com a expulsão do partido deveria valer para todos os suspeitos de participarem do esquema de corrupção, o que inclui o vice-governador Paulo Otávio, o PO.

Para não passar pelo constrangimento de ser expulso do DEM, Arruda pediu a desfiliação do partido. Prudente ainda não foi expulso porque, assim como o governador, teve um prazo de oito dias para apresentar sua defesa. Enquanto isso, nenhuma sanção foi apresentada para Paulo Otávio, suspeito de receber 30% da propina arrecadada de empresas prestadoras de serviço para o Governo do Distrito Federal (GDF). Pelo contrário, o vice-governador tem a expectativa de assumir o GDF no lugar de Arruda e ainda se candidatar a governador, em 2010.

O trunfo de PO é não ter aparecido nos telejornais e nos vídeos da internet recebendo maços de dinheiro, como aconteceu com o governador Arruda e o deputado Leonardo Prudente. Mesmo assim, há indícios da participação de Otávio no esquema, como uma folha de papel onde aparece escrito, à mão, uma lista com a porcentagem da propina que receberiam Arruda, PO, Omézio Pontes, então assessor de imprensa do governador, e José Geraldo Maciel, ex-secretário-chefe da Casa Civil. A folha de papel está anexada no processo que deu origem a operação Caixa de Pandora da Polícia Federal.

De acordo com depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, em outubro deste ano, uma pessoa apelidada de “Mineirinho” foi ao seu gabinete com 298 mil reais, dinheiro desviado de um contrato da empresa Info Educacional com a Secretaria de Educação. Autor das denúncias que revelaram o esquema de corrupção, Durval disse à Polícia Federal que 60 mil reais foram entregues para o assessor do então secretário de Educação José Luiz Valente. Outros 60 mil reais ficaram com um homem chamado de Massai Kondo, restando 178 mil reais que, segundo Durval, seria dividido em 40% para Arruda, 30% para o vice-governador, 10% para Omézio, 10% para Maciel e 10% ficaria esperando o comando do governador.

Logo, se o DEM não pedir a expulsão de PO do partido, vai ficar parecendo que a punição do governador foi uma forma velada de fazer Arruda cumprir o acordo firmado com seu vice, antes de ser eleito. Para quem não se lembra, Paulo Otávio desistiu de disputar o GDF em 2006 com a condição de ser o candidato do DEM para governador na próxima eleição, em 2010. O acerto foi até documentado, porém, antes do escândalo do mensalão do DEM, Arruda dava claros sinais de que não cumpriria o combinado.

Quer dizer, se a palavra de Arruda não foi cumprida por bem, parece que foi por mal.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Em 2010, tomara que nenhum dos pizzaiolos seja reeleito


Até parece que eu tenho uma bola de cristal. Nesta terça-feira (15), no texto abaixo deste, escrevi que os deputados distritais poderiam dar uma enorme, saborosa, e quentinha (saindo forno), pizza de presente de natal para o governador José Roberto Arruda (ex-DEM). E foi o que aconteceu na madrugada desta quarta-feira (16). As excelências entraram de recesso e só analisarão os pedidos de impeachment contra o governador Arruda, e seu vice Paulo Otávio (DEM), em janeiro do ano que vem.

Foi fácil prevê o presente de natal do governador. É só olhar os antecedentes dos parlamentares. Quase todos têm alguma pendência na justiça. Quase todos são, ou foram, “suspeitos” de ter cometido crimes. Quer dizer, eles estão entre eles; se autojulgando.

Era tudo que Arruda queria. As festas natalinas virão. Em seguida, o réveillon. O clima será de paz, de união, de confraternização com a família. Esperança em um 2010 repleto de realizações. Impeachment? Que nada! Não é época de falar de política. Vamos pensar no bom velhinho, ou no menino Jesus. Sentar à mesa para saborear um... panetone, com sabor de pizza, acompanhado por um suculento peru de natal e um vinho tinto de mesa, comprados sabe lá com que dinheiro.

E no dia 31, vamos aguardar até a meia-noite, vestir branco, dar as mãos, cantar. “Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou...”.

Aposto que o governador Arruda, o vice Paulo Otávio, e companhia, também viverão esse tempo. Que maravilha!!

Em 2010, o ano começa com carnaval, aniversário de 50 anos de Brasília e, depois, Copa do Mundo. Quando menos a gente esperar, chegará o tempo da eleição. Aí, sim!! Será a oportunidade de fazer a renovação da Câmara Distrital e do Governo do Distrito Federal. Tomara que nenhum dos pizzaiolos seja reeleito. Estes são os meus votos para 2010.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Distritais podem dar a Arruda uma pizza de presente de Natal


O natal do governador do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda (ex-DEM), não será o melhor, porém, ele poderá ganhar um saboroso, e quentinho (já está quase saindo do forno), presente dos deputados distritais. Não é um panetone, mas, sim, uma enorme pizza.

Dos 24 parlamentares da Câmara Legislativa do DF, somente três podem votar a favor do impeachment de Arruda, conforme se pode observar no comportamento dos deputados.

A grande maioria não tem condição moral, ou ética, para julgar Arruda, o vice-governador Paulo Otávio (DEM), os empresários e os próprios colegas envolvidos no esquema de corrupção, revelado por investigação da Polícia Federal na operação Caixa de Pandora.

A seguir, faço uma relação de todos os deputados distritais e as notícias negativas, ou positivas (quando tem), que os acompanham:

Alírio Neto (PPS) – ocupou até pouco tempo a secretaria de Justiça do Distrito Federal. Deixou a pasta, assim que a Caixa de Pandora foi aberta. Embora seu nome não seja citado, até agora, nas investigações, Alírio, e outros deputados, podem ter algum envolvimento, se for confirmado o que disse o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa. Autor das denúncias que deram origem a operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, Durval afirmou em depoimento que todas as secretarias ocupadas por políticos eram beneficiadas pelo esquema de cobrança de propina. 

Batista das Cooperativas (PRP) – vice-líder do governo na Câmara Legislativa, Batista, sem nenhum pudor, foi recentemente à tribuna defender o governador José Roberto Arruda (ex-DEM). Até agora, o nome de Batista das Cooperativas não aparece nas notícias sobre o esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal.

Benício Tavares (PMDB) – segundo as investigações, Benício Tavares recebia R$ 30 mil por mês. Em 2004, quando era presidente da Câmara Legislativa, Benício foi acusado de participar de uma orgia com crianças. Mesmo assim, seus colegas deputados distritais não viram motivos para abrir contra ele um processo por quebra de decoro parlamentar.

Benedito Domingos (PP) – ex-vice-governador de Joaquim Roriz (PSC), o deputado e presidente regional do Partido Progressista (PP), pode ter recebido do esquema de corrupção R$ 6 milhões para aderir a coligação de Arruda, conforme investigação do processo da operação Caixa de Pandora.

Bispo Renato Andrade (PR) – faz parte da base de apoio do governador Arruda. Não há muita informação sobre seu comportamento.

Brunelli (PSC) – é uma personagem muito conhecida na novela da operação Caixa de Pandora. Brunelli aparece em um vídeo orando pela vida de Durbal Barbosa. A prece ficou conhecida, dentre outros nomes, por “oração da propina”. Júnior Brunelli se afastou do cargo de Corregedor da Câmara, após a revelação de que teria recebido, por mês, R$ 30 mil para apoiar Arruda, segundo a investigação.

Cabo Patrício (PT) – presidente interino da Câmara Legislativa, Patrício, ao mesmo tempo que julgará os colegas, terá que provar inocência, pois um advogado entrou, semana passada, com uma representação contra o petista por quebra de decoro parlamentar. Ao incluir numa lei a prioridade na contratação de empresas de Brasília para recolhimento e tratamento de lixo hospitalar, Cabo Patrício, segundo o advogado, teria favorecido uma empresa ligada ao presidente licenciado da Casa, Leonardo Prudente (DEM) – aquele da meia (veja informações abaixo, quando chegar a vez de Prudente). Saberemos da inocência de Patrício no decorrer dos trabalhos de apuração e punição, afinal, quem não deve, não teme.

Chico Leite (PT) – é conhecido por ter uma assessoria que faz diversos levantamentos no sistema de compras do Governo do Distrito Federal (GDF), revelando irregularidades, como superfaturamento, contratos sem licitação e compras desnecessárias.

Cristiano Araújo (PTB) – seus pais são dono da empresa Fiança, que presta serviços gerais e de segurança. De acordo com planilha obtida pelo jornal O Estado de S. Paulo, a empresa da família de Cristiano pode ter doado R$ 650 mil ao caixa dois da campanha para governador de José Roberto Arruda. Desde 2007, a Fiança já recebeu R$ 240 milhões em contratos com o GDF.

Cristiano Araújo responde processo no Tribunal Regional Eleitoral (TER) por ser acusado de usar a estrutura da empresa de sua família, a Fiança, para lhe favorecer na campanha de deputado distrital. Cristiano, sem nunca antes ter concorrido a nenhum cargo eletivo, foi um dos mais bem votados, em 2006. Atualmente, é o relator-geral do orçamento do Distrito Federal. Há a suspeita de que o orçamento para 2010 pode estar comprometido, já que inclui gastos com obras, cujos contratos foram feitos mediante pagamento de propina para o esquema de corrupção revelado por Durval Barbosa. Cristiano Araújo não é citado no processo da operação Caixa de Pandora.

Dr. Charles (PTB) – também não é citado no mensalão do DEM, mas o deputado foi denunciado, em junho, pelo Ministério Público do DF (MPDFT) por improbidade administrativa. De acordo com o MPDFT, por ser o executor técnico do programa Família Saudável, Charles deve responder pelo superfaturamento de R$ 5 milhões em contratos do Família Saudável com a Ipanema Empresa de Serviços Gerais e Transportes Ltda.

Eliana Pedrosa (DEM) – cotada para ser a nova presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Eliana Pedrosa possui ligação com as empresas Dinâmica e Esparta, que aparecem na planilha de doadores do caixa dois da campanha de Arruda. Em documento obtido pelo jornal o Estado de S. Paulo, o nome Dinâmica é mencionado com o valor de R$ 100 mil ao lado. Uma irmã da deputada, dona de uma empresa com o mesmo nome – Dinâmica –, já recebeu, desde o primeiro ano do governo Arruda, R$ 67 milhões em contratos com o GDF. Já a Esparta teria contribuído com R$ 50 mil. Assim com a Dinâmica, a empresa atua no ramo de segurança e também é controlada por um Pedrosa, no caso o filho de Eliana, o André. Recentemente, a Esparta fechou um contrato emergencial, sem licitação, com o GDF, no valor de R$ 4,8 milhões.

Além disso tudo, Eliana Pedrosa foi salva, ano passado, na Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou os serviços de óbitos em Brasília, a CPI dos Ossos. A investigação descobriu, entre outros crimes, a comercialização clandestina de órgãos humanos para cursos técnicos da área de tratamento de cadáveres e o desvio de caixões doados para entidades filantrópicas, com a finalidade de serem, em seguida, vendidos, isso sob a fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Social, na época chefiada por Eliana Pedrosa. A deputada teve que deixar a secretaria para depor na CPI. Em seu depoimento, não explicou porque o cemitério Campo da Esperança assinou um contrato, com a participação da empresa Dinâmica, sem obedecer o edital de licitação.

Erika Kokay (PT) – líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara, Erika foi salva, em 2007, de um processo por quebra de decoro parlamentar. A petista era suspeita de criar uma conta laranja para movimentar dinheiro do caixa dois de sua campanha, mas o então corregedor da Casa, o deputado Rôney Nemer (PMDB), não viu nenhuma ligação entre a conta laranja e a parlamentar. Se Erika for retribuir a gentileza, o panetone vira pizza, principalmente porque Rôney é citado na investigação do esquema de corrupção do governo Arruda (veja abaixo, quando chegar a vez de Nemer).

Eurides Brito (PMDB) – líder do governo Arruda na Câmara Legislativa, Eurides aparece num dos vídeos com uma enorme bolsa, onde coloca alguns maços de dinheiro. De acordo com a investigação, a deputada é suspeita de receber uma mesada de R$ 30 mil para apoiar o governador.

Jaqueline Roriz (PMN) – é a filha do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), que, em 2007, teve que renunciar ao cargo de senador para não ser cassado. Há a suspeita de que o esquema de corrupção liderado por Arruda teria começado quando Roriz era governador. Durval Barbosa é aliado de Joaquim e se limitou a denunciar somente Arruda. Pode ser que Jaqueline também se limite a atacar apenas o atual governo.

Leonardo Prudente (DEM) – é conhecido no país inteiro, depois de ter inventado uma nova maneira de guardar dinheiro que, segundo ele, é mais seguro – como se seus eleitores fossem bacabas a ponto de acreditar numa historia dessas, afinal, todos sabem, depósito em conta corrente é uma das formas seguras de receber grande quantidade de dinheiro, pelo menos, para pessoas de bem que pagam, direitinho, seus impostos. Prudente aparece em imagens gravados por Durval Barbosa, fazendo, literalmente, um “pé de meia”. Os maços de dinheiros, de acordo com Leonardo, foi usado no caixa dois de sua campanha, em 2006. O deputado, por enquanto, está licenciado da presidência da Câmara Legislativa, mas há rumores de que ele deve deixar o cargo para facilitar a transformação do panetone em pizza. Em seu lugar, assumiria Eliana Pedrosa.

Milton Barbosa (PSDB) – é irmão de Durval Barbosa, autor das denúncias que deram origem a investigação do esquema de corrupção do governo Arruda. Está numa situação muito complicada, pois sempre foi aliado do governador e terá que escolher apoiar o irmão ou defender Arruda.

Paulo Roriz (DEM) – é parente de Roriz (vide em Jaqueline Roriz mais informações sobre o ex-governador), mesmo assim, sempre esteve no governo Arruda, mais precisamente na secretaria de Habitação. Deixou a pasta para poder defender o governador na Câmara Legislativa.

Paulo Tadeu (PT) – foi o deputado distrital mais bem votado em 2006 e faz dura oposição ao governo Arruda.

Pedro do Ovo (PRP) – suplente do deputado Ayton Gomes (PMN), é citado na investigação como um dos beneficiados pela propina arrecadada pelo mensalão do DEM.

Raimundo Ribeiro (PSDB) – foi escolhido para ser o corregedor da Câmara no lugar de Brunelli, o problema é que ele faz parte da base de apoio do governador Arruda.

Reguffe (PDT) – um santo! Dede que foi eleito, não há nada que pese contra ele, pelo menos, que a gente sabe.

Rogério Ulysses (PSB) – deixou a presidência da Comissão de Constituição e Justiça porque é citado na investigação como um dos parlamentares que teria recebido dinheiro do esquema de corrupção.

Rôney Nemer (PMDB) – é citado na investigação como um dos beneficiados pela propina do esquema de corrupção denunciado por Durval Barbosa.

Wilson Lima (PR) – faz parte da base de apoio do governador Arruda na Câmara Legislativa.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Lula lamenta ausência de empresários na Confecom



O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou da abertura da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), ocasião em que lamentou a ausência de representantes de algumas grandes empresas de comunicação do país. “Não será enfiando a cabeça na areia, como avestruzes, que se resolverá o problema”, discursou.

Em agosto, a Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV (Abert) liderou a saída de seis das oitos entidades empresariais que participavam da Comissão Organizadora da Confecom. Além da Abert, abandonaram as discussões a Associação Brasileira de TV por Assinatura (Abta), Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação dos Jornais do Interior (Adjori), Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner) e Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet (Abranet).

Ainda assim, a Confecom, aberta nesta segunda-feira (14), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, prosseguirá até o dia 17 (veja abaixo a programação). A sociedade civil terá 40% dos delegados e os empresários, também. O poder público ficará com as demais vagas. Participam da discussão, além do poder público, a Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM), Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais (Abepec), Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert), Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes) e Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil).

Convocada pelo governo do presidente Lula, em 16 de abril, com a publicação de decreto, a I Conferência Nacional de Comunicação terá como tema “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”. As propostas coletadas nas etapas regionais da Confecom, e em Conferências Livres, estão divididas em três eixos temáticos – Produção de Conteúdo; Meios de Distribuição; e Cidadania Direitos e Deveres.

Ao termino das discussões, será elaborado um documento que poderá virar lei e políticas públicas para a área de comunicação.

Confira a programação:


Dia 14 de dezembro de 2009
9h - Abertura do credenciamento
17h – Plenária de votação do regimento interno da etapa nacional
19h – Abertura solene e homenagem a Daniel Herz

Dia 15 de dezembro de 2009

9h às 11h – Credenciamento de suplentes
9h – Painel internacional
10h30 – Painéis simultâneos por Eixo-Temático
12h – Intervalo para almoço
14h – Grupos de Trabalho (turno I)
19h - Jantar

Dia 16 de dezembro de 2009
9h – Grupos de Trabalho (turno II)
12h – Intervalo para almoço
14h30 – Plenária final (turno I)
19h - Jantar

Dia 17 de dezembro de 2009
9h – Plenária final (turno II)
12h – Intervalo para almoço
13h30 – Plenária final (turno III)
16h - Encerramento

domingo, 13 de dezembro de 2009

“Vai incomodar os homens máquinas e seus atentos maquinistas”


Desde sexta-feira (11), a peça Balada de um Palhaço, obra escrita pelo dramaturgo Plínio Marcos, é apresentada, de graça, no teatro Dulcina de Moraes. Neste domingo mesmo, 13 de dezembro, às 20h, tem apresentação. Quem quiser pode ir lá e conferir se a minha opinião, a seguir, está mesmo de acordo a obra.


A peça é bem crítica. Ela “incomoda os homens máquinas e seus atentos maquinistas”, assim como o palhaço, conforme diz o personagem Manelão ao seu subordinado Bobo Plin (veja, ao lado, foto de Wagmar Alves).

A obra, embora tenha sido escrita em 1986, está bastante atual. Assisti à peça na sexta-feira (11), depois de ter participado da “Picareta Candanga”, um carnaval “fora Arruda” de época. Para minha surpresa, o ganancioso Manelão, atento aos acontecimentos, comeu um panetone, durante a apresentação. Foi uma forma bem sutil de criticar o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM).

O simples ato de comer um panetone possui um grande significado no contexto de Balada de um Palhaço, ainda mais por ser uma obra de Plínio Marcos. O dramaturgo viveu numa das mais tristes épocas deste país, a ditadura militar. Ele foi perseguido e preso em várias ocasiões por causa das peças teatrais que escrevia.

Plínio revolucionou o teatro brasileiro ao inserir no palco histórias de gente à margem da sociedade. E a linguagem dos personagens de suas obras também é um divisor de águas, pois, até então, as falas usadas eram sempre bem formais.

Num domingo de uma semana marcada por protestos contra os corruptos, Balada de um Palhaço é um bom programa, principalmente, para quem foi às ruas “incomodar os homens máquinas e seus atentos maquinistas”. Fica aí a sugestão.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Manifestantes protestam escoltados por um batalhão de policiais


Mais uma vez fui às ruas pedir o impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e a punição dos demais prováveis envolvidos no esquema de corrupção revelado pela Polícia Federal na operação Caixa de Pandora.

Quando cheguei à Rodoviária do Plano Piloto, na tarde desta quinta-feira (10), o clima era muito tenso. Havia dezenas de viaturas da polícia militar e do batalhão de operações especiais, o Bope. Eles estavam preparados para coibir qualquer protesto que causasse obstrução de vias da cidade.

Sem saber se a manifestação teria o final parecido com o último ato, fui para a Praça Zumbi dos Palmares, onde já se encontravam reunidos os demais cidadãos revoltados e indignados. Lá, foi traçado o trajeto a ser feito - dar a volta na Esplanada dos Ministérios. Antes de sair, botei um adesivo no peito e outro nas costas. “Movimento Contra a Corrupção. Fora Arruda e PO”, se não me falha a memória, era o que estava escrito.

Fomos. Cantando e batendo palmas. Dentre os versos mais cantados, “Arruda na Papuda. PO no xilindró”, “Vem! Vem pra luta. Vem! Contra o Arruda!” e "Você aí parado, também foi roubado", uma tentativa de mobilizar quem passava pelo terminal. Das outras cantigas que cantamos, gostei também da marchinha que dizia “Arruda vai ganhar uma passagem para sair desse lugar. Não é de carro. Não é de trem, nem de avião. É algemado dentro do camburão. Eita homem ladrão”.

Enquanto caminhávamos, ocupando três faixas, no sentido Rodoviária – Esplanada, fomos informados de que o governador tinha anunciado sua desfiliação do Democratas (DEM). No momento, não tive tempo de refletir sobre a decisão. Só agora, depois de ler uma notícia, tenho a impressão deque a desfiliação é, nada mais, nada mais ainda, que uma estratégia para evitar o desgaste com o partido e, até mesmo, com os adversários. De acordo com a notícia, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello disse que, embora o prazo de filiação partidária dos candidatos às eleições de 2010 tenha terminado, Arruda pode entrar com um eventual recurso e garantir uma candidatura.

A desfiliação do DEM, portanto, é mais uma das estratégias para transformar o panetone em pizza (o que não queremos, conforme a foto acima, de Fabio Rodrigues Pozzebom/Abr). Outra estratégia foi a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a corrupção praticada há 19 anos no Governo do Distrito Federal (GDF). Está na cara que os deputados distritais – alguns com etiqueta de preço – querem, na verdade, fazer com que a investigação se arraste por todo ano de 2010 e nada aconteça; ninguém seja punido.

Se isso acontecer, e Arruda mais Paulo Otávio permanecerem no GDF, não vamos comemorar os 50 anos de Brasília, cidade manchada pela corrupção de políticos daqui e de outros estados. Conforme discursei no megafone, durante a caminhada, não comemoraremos, pois teremos apenas motivos para protestar. Da mesma forma que fizemos no gramado do Congresso Nacional.

Nós nos dividimos em grupos e cada um se sentou no gramado para formar a palavra “Fora!”. Fizemos isso duas fezes. Uma em frente ao congresso e outra no lado que fica o Senado. “Agora sei. O movimento é fora Arruda, Paulo Otávio e Sarney”, bradamos quando estávamos sentados.

Depois disso, fizemos mais alguns movimentos no gramado (como pular e cantar) e voltamos para a rodoviária, escoltados por muitos policiais a pé, em motos e em viaturas.

No caminho, avistamos a cavalaria da polícia militar, só aguardando ser chamada. Demos uma salva de calorosas vaias e prosseguimos nosso caminho. E na Rodoviária, antes de encerrar o protesto, demos algumas voltinhas, cantando os versos de mobilização.

A missão foi cumprida e o recado foi dado, tanto no terminal, quanto no gramado do Congresso Nacional. “Fora!”

Ah! Já ia me esquecendo. Nesta sexta-feira, às 18h, também na Rodoviária, haverá “Picareta Candanga”, um carnaval “fora Arruda” de época.

A ditadura do Arruda: coronel agride jovem com socos


Violência Policial no ato Fora Arruda from Raul Cardoso on Vimeo.

Neste vídeo, uma pequena amostra da violência policial empreendida contra os manifestantes que foram às ruas, na quarta-feira (9), pedir o impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e a punição de todos os envolvidos no grande esquema de corrupção, revelado pela Polícia Federal na operação Caixa de Pandora.

As imagens mostram o ex-aluno da Universidade de Brasília (UNB) José Ricardo Padilha sendo agredido violentamente pelo coronel Silva Filho. Notem que a ação violenta partiu primeiramente do coronel, isso porque Zé Ricardo, como é chamado pelos conhecidos, expressou sua opinião sobre o trabalho dos policiais. Ainda que ela tenha sido um “desacato a autoridade”, Silva Filho não deveria ter partido para cima do jovem com socos, afinal, isso é “abuso de autoridade” e “crime de lesão corporal”.

De acordo com a equipe da Agência de Notícias da UNB, autora das imagens, Zé Ricardo foi agredido novamente, enquanto estava preso. Amigo leitor, qualquer semelhança com a ditadura não é mera coincidência.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Protesto e repressão no centro de Brasília


Compareci ao protesto realizado nesta quarta-feira, 9 de dezembro de 2009, em frente ao Palácio do Buriti. Marcada para as 10h, o ato foi bastante pontual. Os manifestantes se concentraram numa praça, próxima ao prédio da ex-sede do Governo do Distrito Federal (GDF). Desde que o governador José Roberto Arruda (DEM) assumiu o poder, o centro administrativo do DF fica em Taguatinga. Quem ocupa as salas do Palácio do Buriti é a presidência da República, pois o Palácio do Planalto está em reforma. Mesmo assim, o protesto foi bastante simbólico e importante para marcar o início da queda de Arruda, do vice-governador Paulo Otávio (DEM), e de todos os demais prováveis envolvidos no esquema de corrupção, revelado pela operação Caixa de Pandora.

Com o céu cheio de nuvens e, de vez em quando, calor e sol forte, o ato teve início com os discursos de políticos e representantes das entidades que compõem o “Movimento Contra a Corrupção” – inclusive os aguerridos integrantes do movimento “Fora Arruda e Toda Máfia”, que ocupou até esta terça-feira (8) a Câmara Legislativa.

Por ser composto por diversos segmentos da sociedade, o “Movimento Contra a Corrupção” não teve um líder, ou um chefe, que determinasse o que era, ou não, permitido fazer. As decisões foram sempre tomadas pela maioria. E a maioria decidiu obstruir o Eixo Monumental, no sentido Rodoviária – Palácio do Buriti. “Esta não é a orientação do Movimento”, bradaram de cima do trio elétrico. Não adiantou nada.

Mas... diante a atual situação, em que os três poderes do Distrito Federal podem estar envolvidos num grande esquema de cobrança de propina, compra de parlamentares, caixa dois na campanha eleitoral, dentre outros crimes, quem tem autoridade para dizer o que pode ou não ser feito? A polícia? A polícia não tem legitimidade de impedir protestos como o que foi realizado nesta quarta-feira, porque ela é controlada pelo Governo do Distrito Federal. Não é independente, portanto. Sempre atenderá as ordens do governador. Se depender dela, Arruda, e companhia, permanecerão no poder, ainda que imagens de maços de dinheiros de propina sendo colocadas em cuecas, meias, bolsas e sacolas circulem nas televisões do Brasil e do mundo inteiro.

Portanto, se houve feridos e confronto com a polícia, a culpa é do governador que, em posse da máquina administrativa, usou a repressão do Estado, na forma da tropa de choque da Polícia Militar.

O protesto não poderia ficar na peleguice. Os manifestantes não poderiam ficar apenas ouvindo discurso, isso é cordeirisse de mais. É preciso de intervenção urbana, afinal, numa democracia, da onde mesmo emana o poder? De acordo com a Constituição de 1988, o poder vem do povo para o povo. E se o povo vai às ruas, desarmado, carregando apenas sua indignação, não pode ser recebido por policiais armados com cassetetes, bombas de gás, armas com bala de borracha, viaturas, cavalos, cachorros, motos e até helicópteros – havia dois! Parece até que não há democracia.

Por quatros vezes houve obstrução de vias do Eixo Monumental, durante o ato de protesto. A primeira aconteceu no sentido Rodoviária – Palácio do Buriti. A segunda foi em outra pista, sentido Tribunal de Justiça do DF – Rodoviária. Na primeira, houve apenas o pedido da polícia para os manifestantes saírem da via, mas na segunda obstrução o clima ficou mais tenso.

Montados em cavalos gordos, fortes e bem tratados, os policiais deram o início a agressão aos manifestantes. Empunhando cassetetes, eles vieram de encontro aos cidadãos, mulheres e homens, jovens e adolescentes, desarmados, com apenas a cara e a indignação. Mas a repressão do governador Arruda, materializada na polícia, não foi o bastante para coibir os manifestantes, que se reuniram e deliberaram desobstruir a via e seguir, pacificamente, pelo gramado até a Rodoviária.

A cavalaria da polícia militar e o batalhão de choque, contudo, não se deram satisfeitos e seguiram os manifestantes, atirando bombas de gás e balas de borracha, sem dar escolha para eles, se não invadir novamente a pista com sentido Rodoviária – Palácio do Buriti.

Bradando, dentre outras frases, “Arruda na papuda [um presídio do DF]. PO no xilindró” os ativistas caminharam entre os carros. Muitos motoristas manifestaram apoio, buzinando e mostrando panfletos, ou adesivos, com os dizeres “Forra Arruda”.

A polícia bloqueou a passagem dos carros para poder agredir, com mais comodidade, os cidadãos revoltados. Foi o momento que eles atiraram novamente balas de borracha e lançaram bombas de gás. A ação obrigou os manifestantes a retomarem a ocupação da via que passa em frente ao Tribunal de Justiça do DF.

Na quarta, e última, obstrução de via, a cavalaria da polícia não teve escrúpulos e partiu, mais agressivos ainda, para cima, ferindo alguns destemidos protestantes (veja acima a foto de Roosewelt Pinheiro/ABr). Houve, em seguida, até prisões de participantes do ato.

O protesto ficou fraco. Foi o momento dos manifestantes recuarem e traçarem uma nova estratégia. Além da carreata já agendada para as 9h deste sábado (12), haverá reunião nesta quinta-feira (10) e, no dia seguinte (sexta-feira, 11), carnaval fora de época, às 18h, na Rodoviária do Plano Piloto. Afinal, este foi apenas mais um dos inúmeros protestos contra a corrupção no Distrito Federal.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Roriz e Abadia podem ter usufruídos bens e serviços pagos com dinheiro arrecadado por Arruda


A punição por causa do esquema de corrupção revelado com a abertura da Caixa de Pandora não poderá se restringir ao governador do Distrito Federal (DEM), José Roberto Arruda (DEM), seu vice Paulo Otávio (DEM), os deputados distritais e empresários. Além das informações já divulgadas pela imprensa, há outros indícios de que o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) e sua ex-vice Maria de Lourdes Abadia (PSDB) também teriam se beneficiados com o dinheiro arrecado por Arruda.

Conforme trecho de depoimento de Durval Barbosa, autor das denúncias que deram origem a operação Caixa de Pandora da Polícia Federal, Joaquim Roriz e Maria de Lourdes teriam se beneficiados de um escritório com “infra-estrutura de comunicação, tecnologia da informação, advocacia e call center, além de apoio logístico para funcionamento”, montado pelo governador Arruda. O escritório teria sido usado na campanha de Roriz ao Senado e de Abadia ao Governo do Distrito Federal (GDF), de acordo com o depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, Durval Barbosa.

O depoimento foi prestado ao Ministério Público do DF (MPDFT) em 16 de setembro de 2009, conforme o inquérito da operação Caixa de Pandora da Polícia Federal (ver a 15ª página do volume I do inquérito).

De acordo com o depoimento de Durval, logo após a vitória de Roriz na eleição para governador em 2002, Arruda, então deputado federal, teria o procurado para pedir apoio para a eleição seguinte de governador. O apoio, segundo o depoimento, foi dado depois da autorização do ex-governador.

Na época, Durval Barbosa presidia a Companhia de Desenvolvimento do DF (Codeplan), um dos órgãos que Arruda teria escolhido, diz o texto, “para administrar seus negócios, com a finalidade de arrecadar recursos para a campanha de 2006”.

Depois de receber o apoio de Durval, Arruda teria montado o escritório. “Foram reformadas cinco salas do quinto andar do Shopping Liberty Mall, onde funcionava o Jornal do Brasil, ficando lá por vários meses com toda infra-estrutura de comunicação, tecnologia da informação, advocacia e call center, além de apoio logístico para funcionamento de toda essa gama de estruturação”, descreve o documento, que mais adiante revela: “mais tarde aquele escritório foi cedido à Assessoria da Campanha de Roriz ao Senado, passando também à candidatura de Maria de Lourdes Abadia ao Governo do DF”.

domingo, 6 de dezembro de 2009

A semana será marcada por mais protestos contra a corrupção no DF

A indignação e a vergonha por causa do grande esquema de corrupção, envolvendo membros dos três poderes do Distrito Federal (DF), não podem ficar apenas no discurso. É preciso ir às ruas e exigir a punição de todos os envolvidos. Convido, portanto, todos os meus leitores a participar de um grande protesto em frente ao Palácio do Buriti, que fica no Eixo Monumental do Plano Piloto (Brasília). A manifestação acontecerá às 10h desta quarta-feira, 9 de dezembro.

Quem está à frente deste ato é o “Movimento Contra a Corrupção”, composto por representantes de várias instituições da sociedade. Desde quarta-feira (2) passada, o Movimento realiza protestos pela cidade. O primeiro foi na Câmara Legislativa, onde foi criado o movimento “Fora Arruda e Toda Máfia!”, que resiste até hoje, acampado no prédio da Casa do Povo para pressionar o andamento dos trabalhos, senão o panetone vira pizza.

Também na semana passada, mais precisamente na sexta-feira (4), o “Movimento Contra a Corrupção” realizou um ato de desagravo aos trabalhadores da Companhia de Desenvolvimento do Distrito Federal (Codeplan). Em 2007, a Companhia foi ameaçada de ser fechada pelo governador José Roberto Arruda (DEM), que alegou ineficiência da Codeplan. No início do mandato de Arruda, Durval Barbosa, autor das denúncias sobre o grande esquema de corrupção, deixou o cargo de presidente da Companhia para ocupar a recém criada Assessoria Especial da Governadoria do Distrito Federal. Na época, 551 servidores da Codeplan correram o risco de ficarem desempregados.

Neste sábado (5) e domingo (6), o “Movimento Contra a Corrupção” distribuiu panfletos nas feiras livres do Guará, Sobradinho, Planaltina, Samambaia, Taguatinga, Gama, Ceilandia, Torre de TV, Parque da Cidade e Estrutural. Houve a coleta de assinaturas para o pedido de afastamento imediato do governador Arruda e do seu vice Paulo Otávio (DEM).

Além do protesto de quarta-feira (9), o Movimento fará no próximo sábado (12) uma carreata. O percurso ainda não foi definido, mas a concentração será no estádio Mané Garrincha, às 9h.

Na próxima semana, está prevista ainda a entrega de mais um pedido de impeachment do governador e de seu vice. A seção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF preferiu esperar o apoio formal da OAB nacional, isso porque a entidade protocolaria o documento na sexta-feira (4). Agora, a previsão é da OAB-DF entregar o pedido nesta segunda-feira (7).

sábado, 5 de dezembro de 2009

Desabafo de um morador do Distrito Federal

Moro no Distrito Federal (DF) e me sinto envergonhado. Tenho vergonha do atual Governo do DF. Tenho vergonha dos deputados distritais da Câmara Legislativa. Tenho vergonha dos Tribunais do DF. A impressão que tenho é de não viver numa democracia, aliás, não vivo numa democracia. Sou manipulado por canalhas que não têm vergonha na cara de aparecer na televisão para justificar o injustificável. Sou escravo de pilantras que nas eleições pedem meu voto dizendo que trabalharão por mim e pela minha cidade, quando na verdade estão apenas querendo se eleger para se enriquecer com o dinheiro público.

Amigo leitor, estou revoltado e indignado com a corrupção e com a impunidade deste país. Confesso que, no primeiro turno das eleições passadas, simplesmente anulei o meu voto para todos os candidatos. No segundo turno, votei para o presidente Lula, pois tive medo de gente pior governar este país. Foi a primeira eleição que votei. Sinto-me sem opção diante dos ladrões que se apresentam como candidatos. Sinto-me impotente, quero dizer, não sei o que posso fazer para reverter a atual realidade, onde pessoas estúpidas e ignorantes depositam sua confiança em canalhas no ano eleitoral. Veja o caso do DF. Corruptos podem ficar impunes e ainda se reelegerem em 2010. Não é preciso nem citar nomes.

Enquanto faltavam nos hospitais gesso, algodão e diversos remédios, milhões de reais eram desviados dos contratos de empresas prestadoras de serviço da Secretaria de Saúde. Com as informações da investigação da recente operação da Polícia Federal, agora está claro porque a saúde pública estava, e ainda está, um caos no DF. E quem comandava a Secretaria era um político (Augusto Carvalho, do PPS) que se diz socialista e é ligado a um site (Contas Abertas) que se diz fiscal do dinheiro público.

O pior de tudo é que nada pode acontecer. Os pedidos de impeachment do governador José Roberto Arruda (DEM) e de seu vice Paulo Otávio (DEM) serão julgados por pessoas que deveriam estar atrás das grades.

A estratégia dos corruptos é enrolar, deixar o tempo passar, até o babaca do povo se envolver com as festas de fim de ano, com o carnaval e com a copa do mundo e se esquecer dos fatos podres da política local.

Amigo leitor, desculpe pelas palavras torpes e revoltadas, mas eu, morador do DF, precisava fazer este desabafo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fora, Arruda!!!


Esta bela foto tirada por Fabio Rodrigues Pozzebom, da Agência Brasil, fala por si só. O fotografo a fez na noite desta quinta-feira (3), durante a vigília promovida pelo movimento “Fora Arruda e Toda Máfia!”

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

“Traga sua vela, sua família e sua fé numa outra política”

Movimento “Fora Arruda e Toda Máfia!” realiza vigília na Câmara Legislativa


Este vídeo foi postado no blog do movimento “Fora Arruda e Toda Máfia!”. As entrevistas de participantes do protesto refletem o sentimento não apenas dos moradores do Distrito Federal, mas de todos os brasileiros. O escândalo de corrupção protagonizado pelo governador José Roberto Arruda (DEM) fere, ainda mais, a reputação dos políticos em geral e põe em questão a seriedade da democracia brasileira. Os culpados, portanto, não podem ficar impunes. Mas a pena só será aplicada se a sociedade for às ruas e exigir, pois, por eles, o panetone vira pizza. O “Fora Arruda e Toda Máfia!” realizará, às 18h desta quinta-feira (3), uma vigília na Câmara Legislativa. “Traga sua vela, sua família e sua fé numa outra política”, convida o movimento que é formado por diversos segmentos da sociedade.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O povo vai às ruas e exige a saída de Arruda

É mais um pilar de sustentação do governador que cai por terra


Caiu nesta quarta-feira (2) mais um dos pilares de sustentação do governador do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda (DEM). O povo, quero dizer, a sociedade civil organizada se reuniu na Câmara Legislativa para exercer o seu direito, garantido pela Constituição Federal. Na ocasião, foi entregue um, dos seis, pedidos de impeachment do governador e do vice Paulo Otávio (DEM). Por estar muito tempo distante, teve gente que não reconheceu o verdadeiro dono da Casa, por isso, foi preciso um pouco de truculência – uma porta de vidro e algumas coisas se quebraram. Este foi somente o segundo dos 10 dias mais longos da vida de Arruda e do Democratas.

Os pilares de sustentação de Arruda, e de qualquer governante de uma democracia, são o apoio do povo, o amparo legal da justiça e, principalmente, os aliados políticos. O primeiro pilar a cair por terra foi o amparo legal da justiça, em 27 de novembro, quando a Polícia Federal iniciou a operação Caixa de Pandora e o Jornal Nacional escancarou, para todo Brasil, o conteúdo da investigação (não foi um furo do telejornal, mas foi o primeiro a dar o devido destaque para o assunto). Com as revelações, há crimes condenáveis pela justiça, o que faz o governador perder o amparo legal para permanecer no poder. A imagem de Arruda recebendo o maço de dinheiro, supostamente oriundo de propina, não será esquecida tão cedo.

O segundo pilar caiu nesta quarta. Trata-se do apoio popular. Com o protesto realizado na Câmara Distrital, ficou claro que Arruda não tem mais ao seu lado a sociedade – pelo menos boa parte dela.

O terceiro pilar começou a ruir e cairá de vez na próxima semana, quando o Democratas expulsar Arruda do partido. Aí, tudo estará perdido para José Roberto. Ele não se sustentará mais. Enquanto isso não acontece, o pilar se espedaça. Dos 13 partidos que apoiavam o político, somente cinco ainda permanecem no governo.

A Câmara Legislativa permanece ocupada pela sociedade civil organizada, afinal, os dias longos estão apenas começando. E o movimento não terá apenas Arruda como alvo. O ex-governador Joaquim Roriz (PSC) e os deputados baratos também.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DEM comete grave erro ao adiar a expulsão de Arruda

DEM e Arruda terão os próximos 10 dias mais longos que já viram. A previsão é de muitos protestos na Capital, sem contar os novos vídeos que podem vir à tona.

O Democratas (DEM) cometeu um grande erro ao deixar para o dia 10 de dezembro a decisão de expulsar do partido o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Os próximos 10 dias serão os mais longos do governador e do partido. O tempo será suficiente para desgastar, mais ainda, a imagem do DEM diante o seu eleitorado, o que prejudicará as pretensões dos demos para a eleição presidencial de 2010.

Até 10 de dezembro, a indignação da sociedade poderá aumentar com o surgimento de novas imagens sobre o esquema de arrecadação de propina, compra de deputados distritais e caixa dois na campanha de 2006. Até 10 de dezembro, a agenda de acontecimentos está bastante cheia.

A começar por esta quarta-feira, 2 de dezembro. Criado na segunda-feira (30), durante reunião com políticos e militantes do PT, PSB, PCdoB, PSOL, CUT, e demais entidades sindicais, o "Movimento Contra a Corrupção" realizará, às 14, na Câmara Legislativa, um ato para entregar um documento que pedirá a punição de todos os envolvidos no esquema de corrupção, o que inclui o impeachment do governador Arruda, e de seu vice, Paulo Octávio.

Na quinta-feira, 3 de dezembro, está prevista a formalização do pedido de impedimento da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), com o apoio da OAB Nacional.

Na sexta-feira, 4 de dezembro, a OAB-DF poderá entregar na Câmara Legislativa o pedido de impeachment. Há a possibilidade da entrega acontecer com manifestação.

No sábado, 5 de dezembro, representantes do PHS estão organizando, em Planaltina, uma “Carreata contra Corrupção”. A manifestação será às 15h, em frente à feira da cidade.

Para a semana seguinte, está previsto um grande ato unificado de todos os movimentos fora Arruda. O protesto acontecerá às 10h de quarta-feira, 9 de dezembro, em frente ao Palácio do Buriti.

Enfim, até 10 de dezembro, haverá muito assunto para ser noticiado pelos meios de comunicação, tanto os tradicionais, quanto os sites e blogs. E o público que mais acompanha, e entende as notícias, é a classe média. É justamente a classe média o maior eleitorado do Democratas.

Desde 2005, quando ainda se chamava Partido da Frente Liberal (PFL), o DEM começou a ganhar a simpatia da classe média com as duras críticas contra o mensalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Antes de se tornar o principal protagonista do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o partido trocou de nome para passar a impressão de modernidade, imagem que, em 2007, começou a associar com a do governador Arruda, político jovem, para a classe, e que “inovou a gestão da máquina pública” – veja vídeo acima.

No fim de 2007, ganhou de vez a simpatia das classes média, e alta, por derrubar a CPMF, imposto que afetava mais o bolso desses contribuintes do que das classes baixas.

O partido cogitava até emplacar o nome de José Roberto Arruda, como vice, na chapa do provável candidato do PSDB à presidência da República, o governador de São Paulo, José Serra.

Mas, agora, com a decisão de adiar a expulsão de Arruda do DEM, o partido joga na lama a imagem que construiu perante seu eleitorado nos últimos anos. Talvez seja uma estratégia para salvar o Democratas de eventuais denúncias de corrupção, que poderiam vir do governador do DF, conforme ameaça feita na reunião de segunda-feira, quando Arruda disse que radicalizará se houver radicalização por parte da cúpula demo.

O fato é que o DEM não fez como seu aliado, o PSDB, que, acertadamente, para não macular a campanha de Serra, determinou o afastamento de todos os integrantes do partido do governo do Distrito Federal.

Parece até que a prioridade do DEM não é o retorno à presidência do Brasil.